Capítulo 11

1766 Words
A floresta está em silêncio agora. Estou sozinha, com uma espada e uma tocha. Não sei onde estou ou para onde vou. Não pensei nesta parte, só queria pegar o Mandante. Vou parar de agir por impulso. Acho que vou subir numa árvore, mas antes que eu tenha esta atitude, o Mandante Isiton aparece a correr na minha direção empunhando o seu martelo. Eu me esquivo do golpe, ele atinge a árvore. Então eu o golpeio com a espada e ele se defende com a dele, é muito bom com a mão esquerda. Ele quer me deixar inconsciente de novo, sabe que não me machuco fácil, menos ainda morrerei fácil. Nós lutamos com as espadas até ele me acertar um soco na boca e eu cair. A tocha rola para longe e começa a queimar uns arbustos. — Desculpe-me, Rosy de Aster — diz Isiton —, mas jamais vou permitir que você fique com o Príncipe Metrim, e se ele souber que você está gerando um filho meu, é provável que serás rejeitada. Eu não dou a mínima para o que ele fala, apenas me levanto rapidamente do chão, empunho a espada com as duas mãos e o ataco novamente. Ele é bem rápido e forte, tenho certeza de que a Seiva da Vida concedeu a ele habilidades elevadas às de um árvome comum. — Não resista — continua ele —, venha comigo. — Cala essa boca — respondo já irritada —, eu nunca vou concordar com você, nunca vai me convencer que m***r jovens árvomes vai fazer bem a este mundo. Ele se afasta de mim e me ameaça com o martelo. — Como você pode entender? Você é apenas uma humana. — Eu tenho o DNA dos seus ancestrais, seu i****a. Eu posso não entender a sua atitude, mas ao invés de fazer o que os Árvos querem, porque não juntou forças com a sua espécie para enfrentar os seus verdadeiros inimigos? — Não temos chances, Rosy de Aster, você não entende. Vamos todos morrer, a oportunidade que tive para sobreviver, eu abracei. — Sempre há um jeito de escapar. — Você está errada — Isiton me ataca novamente, mas eu me defendo como posso. Ele é ótimo na espada, e eu… Nem tanto. Uso mais da minha força e meus sentidos aguçados do que da habilidade com a a**a. Metrim é um ótimo professor, mas não tive tempo de aprendizagem necessário para me tornar um espadachim. Isiton me desarma. — Agora você me deixou zangada — eu ataco o Mandante, mesmo sem uma a**a, pelo menos, não vou me preocupar em fazer bonito, também não sei brigar, mas tenho plena consciência da minha força. Ele me ataca com o martelo, mas eu sou rápida, me desvio de todos os golpes e dou um soco bem no queijo dele que cai para longe de mim. Agora a sua boca está sangrando. Ele se volta para mim com toda v*****e, nesta hora encontro um tronco no chão, não é tão grande, mas pode me ajudar. Sempre as árvores. Ele golpeia contra mim para me desarmar do tronco, mas eu o acerto na sua mão e ele larga a espada. Então ele usa o martelo com toda força e quebra o tronco no meio, sou obrigada a largá-lo no chão. Isiton levanta o martelo bem alto, se ele me acertar, eu vou desmaiar de novo, mas ele se vira de costas para mim e acerta uma espada que aparece girando contra ele, a espada é do Metrim, e acaba se prendendo numa árvore. Por uma fração de segundos, vendo a nuca do inimigo, eu me aproximo bem rápido e o golpeio no ponto certo, onde fui ensinada, e o Mandante Isiton cai inconsciente no chão. Metrim agora está ofegante, olhando para o inimigo desacordado, esperando alguma reação, mas depois de alguns tensos segundos, ele olha pra mim, sorri e corre para me abraçar. — Rosy, você é perfeita — parece que Metrim se empolga e me beija na boca, depois ele próprio fica encabulado com o ato e me pede desculpas. — Não, tudo bem, vamos levá-lo para o Castelo. — Levá-lo? Não, Rosy, vamos arrancar a sua cabeça e mostrar a nossa vitória. — Metrim, acho que é melhor a gente deixar ele vivo e ouvir o que ele tem a dizer. — Por quê? O que ele tem a dizer? — Se não fosse extremamente importante, eu não pensaria assim. Ele me fez revelações terríveis. Metrim olha para o Mandante caído. — E o que vamos fazer? Eu tenho uma ideia, peço que ele volte para cá com uma libélula gigante para nos pegar, e com correntes para prender o Mandante desacordado. Se ele acordar, serei a única que poderá enfrentar ele. Metrim me obedece, ele não é nada teimoso, por isso que gosto dele. Depois de muitos minutos, o Príncipe volta com as libélulas e com reforço para ajudar a prender o bandido. — Trago boas notícias — diz Metrim —, a guerra acabou, o Império de Metrimna venceu. Eu o abraço por aquela grande notícia. — Ah! Meu bem, que maravilha, eu sabia que os inimigos não era páreos para vocês. — Alguns reforços chegaram bem tarde, mas nos ajudaram a vencer. — Eu estou exausta, parece que esta guerra durou uma eternidade. — Sim. Daqui a pouco vai amanhecer, vamos embora. — Vamos. Daí, montamos nas libélulas gigantes e voltamos para o Castelo. Agora falta resolvermos uma questão gigantesca. *** Muitos dias se passaram e agora estou na sexta lua cheia, a próxima vai abrir o portal para eu voltar para casa. Não sei se devo voltar, ou se devo aguentar ficar lá por mais tempo até o próximo portal se abrir. O pior de tudo é que estou grávida, e do vilão da história. Estou arrumada para o julgamento do Mandante Isiton, mas acabo demorando para aparecer na sala do trono. Passei dias ouvindo as mesmas coisas nas reuniões do Conselho. Assim que apareço no ambiente, Isiton, que está acorrentado e com vários guerreiros a apontar suas armas para ele, olha para mim e os seus olhos brilham. A Rainha Matid, me encara e diz: — Por que demorou tanto, minha querida? Estamos no final do julgamento. Na verdade, o que eu queria era evitar que Isiton me olhasse com aqueles olhos tristes como ele está fazendo agora. — Me desculpe, Majestade, eu não me senti bem — respondo. — Você anda diferente, Rosy de Aster — diz Metrim. — Está acontecendo alguma coisa? Isiton olha para mim novamente e me lança um sorriso de canto de boca. — Não… Não é nada. O que resolveram sobre o assunto? — Se tudo o que este maldito árvome disse sobre os Árvos é verdade, então, a Pangeia corre perigo. Como discutido, devemos unir forças para nossa própria segurança — diz a Rainha. — Se me permite, Majestade — fala o Conselheiro Víuti —, eu não acredito que os Árvos têm capacidade de criar outro arvomecida e que possa mesmo exterminar a nossa espécie, senão, já teriam feito isso, fora que os recursos que utilizaram para tal ato eram de outro mundo. Por isso as bruxas-amarelas sumiram do nosso meio, elas ajudaram os Árvos com o arvomecida e se sentiram culpadas. — Mas elas foram enganadas por eles — rebateu a Rainha. — Não devemos culpá-las, elas foram traídas por uma bruxa gananciosa, nós conhecemos as histórias. — O Mandante Isiton também foi enganado — digo, mas o pessoal me olha com curiosidade. A sala do trono está repleta de líderes dos outros Impérios, não posso dizer nada que vá desfazer das ideias daquele povo, senão não vai acabar nada bem. — Me desculpe, Milady — diz o Conselheiro —, mas me pareceu que a senhora deseja que perdoemos o Mandante Isiton como perdoamos as bruxas-amarelas. — Isto é verdade? — questiona Matid. — O que acordamos é que o Mandante Isiton seja executado. — Mas a Senhora me disse que… — tento protestar, mas sou interrompida pela Rainha. — Isso foi antes, mas você não estava no início do julgamento para protestar. Eu sei que a Rainha precisa fazer o seu papel, ela demonstra que não quer me contradizer, mas está cercada de árvomes machos que exigem que ela tome uma atitude drástica. Eu olho outra vez para Isiton, ele me olha como se eu fosse a sua salvação. Na verdade, sempre me olhou assim, e isso mexia comigo. — Majestade, Conselho, nobres árvomes, se vocês não matarem o Mandante Isiton, os Árvos matarão e levantarão outro extremista, quem sabe. Isiton foi instruído a fazer uma coisa para eles, mas agiu por conta própria e os planos dos Árvos não deram muito certo. Acredito que os Árvos não estão nada contentes, e se eles planejaram acabar apenas com uma terça parte da Pangeia, agora vai quer acabar com tudo. Eu acredito que agora, devemos usar de todos os recursos disponíveis para combatermos os verdadeiros inimigos. — Então você acredita que o extremista Isiton é um recurso qual podemos usar ao nosso favor — diz o Conselheiro —, mesmo ele ter matado nossos árvomes… — Para salvar outros. Eu não concordo com isto, nunca concordei e ele sabe, mas enquanto houver vida, ainda há esperança — esta frase não é minha, mas os árvomes pensam que é. Os murmúrios começam a correr pela sala e a Rainha pede silêncio. — É inegável dizer que se este árvome estivesse do nosso lado, seríamos imbatíveis. — Ela agora fala diretamente comigo. — Mas o que te faz pensar que este extremista vai se aliar a nós? — Ele vai, eu tenho certeza, deixe eu conversar com ele em particular, depois a Senhora pode fazer o que quiser, a última palavra é sua. Matid levanta o nariz e fica tão bela quanto já é. Ela respira fundo e diz: — Muito bem, eu permito que tenha esta conversa com o árvome extremista, no entanto, o Conselheiro Víuti e eu estaremos lá para ouvir. — Não, por favor, ele não — imploro para a Rainha. Parece que essa bicha velha desse Conselheiro não gosta de mim, e eu só pioro a situação pedindo isto. — Quanta insolência… — bufa o Conselheiro, mas a Rainha o interrompe. — Calado — Matid olha para mim. — Então, Rosy de Ater, escolha, quem deve vir comigo para assistir esta sua conversa com o Mandante Isiton. Eu faço uma pausa dramática antes de dizer: — O Príncipe Metrim.
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