A porta do apartamento se fechou atrás dela.
Aurora encostou as costas na madeira por alguns segundos.
O silêncio da casa era um contraste enorme com o barulho constante da prisão.
Ela soltou um suspiro lento.
Caminhou até a sala, tirando o jaleco branco e deixando ele sobre o sofá.
O vestido rosa ainda estava amassado depois de um dia inteiro de trabalho.
Aurora passou a mão pelos cabelos loiros, soltando o prendedor.
Os fios caíram pelos ombros.
Ela caminhou até a cozinha, pegou um copo de água e bebeu devagar.
Mas sua mente não estava ali.
Estava naquela sala de interrogatório.
Na voz dele.
No jeito que Dante olhava para ela.
Ela encostou o copo na bancada e ficou parada, pensativa.
As palavras dele voltaram à mente.
"Porque aquele guarda estava olhando para você da maneira errada."
Aurora fechou os olhos por um momento.
Aquilo mexeu com ela de um jeito que não deveria.
Ela nunca precisou de alguém para protegê-la.
Nunca.
Sempre foi forte.
Independente.
Mas o jeito que ele disse aquilo…
Como se fosse algo natural.
Como se proteger ela fosse instinto.
Aurora caminhou até a sala e sentou no sofá.
A cabeça encostou no encosto enquanto ela olhava para o teto.
Outra frase dele ecoou na mente dela.
"Você entrou na minha cabeça."
Ela soltou uma pequena risada nervosa.
— Ridículo… — murmurou para si mesma.
Era apenas um paciente.
Um criminoso perigoso.
Um líder da máfia.
Ela repetiu isso na mente como se estivesse tentando convencer a si mesma.
Mas então outra lembrança veio.
O momento em que ele pegou o chocolate.
O jeito que ele observava cada movimento dela.
A voz rouca.
Os olhos escuros que pareciam enxergar além das palavras.
Aurora levou a mão ao próprio rosto.
— Você está ficando maluca… — sussurrou.
Ela se levantou e foi até a janela.
A cidade estava iluminada lá fora.
Carros passando.
Pessoas vivendo suas vidas normais.
Um mundo completamente diferente daquele da prisão.
Mas mesmo ali…
Ela não conseguia parar de pensar nele.
No jeito que ele disse:
"Alguém machucar você… isso me deixaria muito mais irritado."
O coração dela bateu um pouco mais forte ao lembrar.
Aurora cruzou os braços, olhando a cidade.
— Ele é perigoso.
Ela falou em voz baixa.
— Muito perigoso.
Mas então um pensamento atravessou sua mente.
Algo que ela não conseguia ignorar.
Dante Moretti podia ser um criminoso.
Podia ser um homem temido.
Mas quando ele olhava para ela…
Não havia mentira naquele olhar.
Havia intensidade.
Proteção.
E algo mais.
Algo que ela ainda não queria admitir.
Aurora suspirou e voltou para o sofá.
Pegou a pasta com os arquivos dele que tinha levado para casa.
Abriu.
A foto de Dante estava na primeira página.
Ela ficou olhando para a imagem.
Mesmo em uma foto fria de registro criminal…
Ele ainda parecia dominante.
Perigoso.
Ela passou os dedos levemente sobre o papel.
— Quem é você de verdade… Dante Moretti?
A pergunta saiu quase como um sussurro.
Mas no fundo…
Aurora sabia que havia algo ainda mais perigoso acontecendo.
Porque quanto mais ela tentava entender aquele homem…
Mais ela queria se aproximar dele.
E isso…
podia destruir completamente sua vida.