Capítulo 1 O destino ao qual fui destinada

1508 Words
Prólogo Eu já devia saber, desde o primeiro dia em que conheci a minha família, que eu sempre seria apenas uma moeda de troca. Passos no andar de baixo me alertam. Eles estão perto. Jogo roupas, joias e todas as cédulas que consigo dentro da bolsa e sigo para a porta dos fundos, que dá para o jardim abandonado. Nem mesmo a noite escura me impede de percorrer todo o caminho sem tropeçar, o vento embaraça meus cabelos com força quando me viro contra ele, em direção a casa. Olho para a mansão da minha família. A maior da cidade. E a mais vazia. - Lizzebeth! - o grito da minha mãe corta a casa como uma lâmina. - Lizzebeth, nós vamos te encontrar! Paraliso por um instante, mas continuo andando. Vai me encontrar? Boa sorte com isso. Arranco o broche com o brasão da família e o jogo sobre uma roseira morta. Ele parece afundar sobre os espinhos secos. Uma lágrima escapa, espessa demais Me dando um amargor no fundo da garganta - Ora, Lizzebeth... você nunca foi parte dessa família. Qual o motivo do choro? - digo a mim mesma. Continuo até a pequena porta no fundo do jardim, que dá para a estrada. Liberdade a um passo de distância. Então eu o vejo. Ele está me esperando. Como eu previ que faria. Ele estende o capacete na minha direção. - Eu não pedi que viesse - digo, encarando seus olhos. - Ainda assim, sou sua melhor opção. Um estrondo ecoa dentro da mansão. Eles estão mais perto. Aceito o capacete, olho pela última vez minha prisão de 20 anos - Vá Ele vai. Nós vamos. Agora não há mais volta. Sem mim, a única Legatária nível 1, eles jamais poderão manter seu império em pé. Eu estou no controle. A minha vida será sob meus termos Capítulo 1 Lizzebeth Eu tenho um segredo. Há dezenove anos eu o escondo. Um segredo que me impede de andar descalça. No meu pé esquerdo, marcado a ferro, há um trevo de três folhas. Azar. — Lizzebeth! Desça imediatamente! — a voz da minha mãe arde em meus ouvidos Fecho os olhos por um instante. Escondo o pé dentro do sapato. Desço as escadas sem pressa. Se há uma “nova resolução”, então é no escritório oculto. A porta secreta se abre atrás da biblioteca empoeirada, como se ninguém ali tivesse tempo para livros, apenas para trunfos e planos. Entro. Eles já estão sentados. Esperando. Faço uma leve reverência antes de me sentar. Hábito? Doutrina. — Aos vinte anos, você herdaria tudo — meu pai começa, esfregando as mãos — Nós a preparamos para isso. Minha mãe inclina levemente o corpo. — Mas surgiu algo… mais vantajoso. Silêncio — ela interrompe O ar fica pesado. — Uma aliança — ela continua. — Um casamento entre famílias. Meu estômago se contrai. Eu já sei. Antes mesmo de ouvirem minha resposta… eles já decidiram. — Silverstones — meu pai diz. Claro. — E Marverichs — minha mãe completa. Minha respiração trava. Mas eu não demonstro. "Finja até que acreditem" repito para mim mesma — Você se casará — meu pai finaliza, simples. Sinto um aperto forte no coração e engasgo por um segundo ao puxar o ar. Decidindo um investimento. Não uma vida, a estética dessa família não muda Me recomponho com a expressão imparcial — E, com isso, liderará ambos os impérios — minha mãe diz, observando minha reação com atenção cirúrgica. — Você não vai perder. Não pode perder. Olho para os dois. Para o plano perfeito deles. Para a vida que já foi decidida. De herdeira a noiva em... olho o relógio, 5 minutos desde o chamado para o escritório. Assinto com a cabeça e me dispensam com o olhar satisfeito. Controlo a respiração tentando não entrar em pânico novamente, de qualquer forma eu tenho um ano. Muita coisa pode acontecer em 12 meses Saio da sala e fecho a porta atrás de mim. Tenho certeza que os planos ocultos deles só estão começando, Me vejo de novo na biblioteca de madeira parecendo ser de séculos atrás e não de 50 anos. Observo inerte todos os livros, parece que não terei mais a chance de ler mais nenhum, e ainda faltam tantos. Meus olhos se estreitam quando olho para a pequena rachadura no vitral no topo da cúpula bem acima da minha cabeça. A luz do dia bate bem na prateleira à esquerda da penúltima prateleira. Me direciono até a escada e a posiciono na prateleira, subo cerca de 20 degraus e estico o braço até alcançar o livro iluminado pela luz — O destino ao qual fui destinada Engraçado, auspicioso — É o destino — digo por fim Meu último livro da biblioteca ancestral, a despedida de uma era. Desço as escadas antes que meus pais passem pela porta e me vejam e me achem bem… ...inadequada fazendo algo inadequado. Volto para o meu quarto e arrumo as malas. Meu último ano até a qualificação total como Herdeira, será bem longe de Jakarta. Olho pela janela para a paisagem que me fez companhia durante todos esses vários anos. Coloco o livro na bolsa. E vou até minha prateleira de carros. Todos na cor vinho, a cor da família. — Algo veloz — passo o olhos pela coleção e pegou uma Porsche — E charmoso Aperto ela nas mãos — E algo confortável — digo ao pegar um Cadillac espaçoso Guardo Cadillacac na mala com cuidado dentro da capa de p******o, m*l imagino no problema se ele disparasse. Deixo a porsche em cima do uniforme. Começo a me arrumar para partir, as aias borrifam o perfume da família sob minha pele e cabelos. Rosa e jasmim para mim. Até mesmo os cheiros da família Marverich marcam território. As aias se esforçam para equilibrar toda a extensão do meu cabelo em um coque padrão. Desço até a sala de jantar para me despedir dos meus pais que parecem ainda atordoados pela aliança formada Extasiados ​Minha mãe se aproxima de mim e me segura pelos ombros e me afasta a um braço de distância e prende o broche com o brasão da família na lapela do uniforme. ​— Você bem sabe que é a pessoa de maior destaque no mundo. Você é Lizzebeth Udarach Marverich, dona da empresa mais lucrativa e importante do mundo. Tenha o cuidado de escolher adequadamente quem se aproxima de você; escolha pessoas de caráter inquestionável — ela fala em tom sério, com os olhos fixos nos meus, como se enxergasse a minha alma. ​Sinto um arrepio pela espinha; engulo seco. ​— Eu entendo, mãe. Eu não vou te decepcionar — minha voz treme e desvio o olhar. ​Ela assente e seus olhos parecem sorrir. ​— Você nunca me decepcionou — conclui ela, ajeitando meu colarinho com carinho. Saio em direção ao jardim e o atravesso até chegar na área de embarque Coloco a Porsche no chão e aciono a chave e ela se converte ao tamanho normal. Minha aia coloca a mala no porta malas. Olho para a mansão e esvazio os pulmões. Um peso se desprende dos meus ombros e meu pescoço parece relaxar assim que entro no carro. ​ ​Ao dirigir, vejo pelo retrovisor minha mãe apoiada no ombro do papai. Somos uma família convencional, importante e igual a todas as outras das vizinhança : Vil, extravagante e gananciosa. ​Me concentro na estrada e tento fazer com que minha mente mude de assunto. Nunca vi o herdeiro Silverstone, pode-se dizer que hoje é o dia em que todos os herdeiros vão se ver pela primeira vez Com certeza vou encontrar o noivo lá. Embora meus pais pareçam se amar muito, se for verdade, podemos dizer que eles tiveram a sorte de ser um par estratégico e, ao mesmo tempo, romântico. Um casamento, em primeiro lugar, é sobre aliança comercial, uma fusão de impérios. ​Antes que eu me desse conta, chego ao portal da escola. Meu carro se destaca por vibrar na cor da família Marverich. ​Percorro os olhos pelo estacionamento e não vejo nenhum carro azul no perímetro. Acho que o herdeiro Silverstone chegará somente amanhã. ​Quando desço do carro, minha aia, Gisele, está me esperando. Ela fecha a porta do carro e me direciona até um elevador vinho, cheio de entalhes dourados e letras ostentosas onde se lê "Marverich". Parece que nos acham esnobes; bem, eu não sou, mas ainda prefiro não dividir o elevador com ninguém. Gisele minha aia vai até o carro pegar minha mala. ​Aperto o botão do elevador. Mas assim que entro não é o cheiro de limpeza que invade meu nariz mas sim um cheiro intenso de limão e sândalo . Fecho os olhos e respiro fundo; um leve sorriso trai meus lábios enquanto a porta se fecha. Escuto um sussurro junto ao meu ouvido e o hálito fresco faz cócegas no meu pescoço: ​— Eu também adoro o cheiro de rosas.
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