Gaiola de Cristal

1315 Words
POV: Leonardo Os sons da boate preenchem minha mente, me distraindo de quase tudo, exceto da garota que estava sentada no meu colo cinco minutos atrás. Ainda sinto seu calor contra mim, o aroma maravilhoso do seu perfume e sua pele macia. Olho ao redor ansiosamente, esperando seu retorno. Eu não estava mentindo quando disse que a levaria para casa. A princípio, o plano era deixá-la ali, para que ela pagasse a dívida do pai, mas depois de ver seu corpo machucado, decidi que ela também poderia ser útil na mansão. Não se iluda pensando que sou um cara legal; muito pelo contrário. Lilian é um desafio e um quebra-cabeça que terei prazer em resolver e, no processo, pretendo aproveitá-lo ao máximo. Perco a paciência de esperar quando dez minutos se passam e Lilian não retorna. Percebo que Josh também está desaparecido, e não é difícil juntar as peças. Josh é um filho da put@ pervertido que adora forçar garotas a se submeterem pelo preço certo. Nenhum trabalho aqui é de graça; algumas garotas estão aqui porque querem, e outras para pagar dívidas, como a minha gatinha. Mas Josh tem o péssimo hábito de odiar que lhe digam não. Se ele tocar no meu passarinho, corto a mão dele. Chego ao quartinho e a porta está fechada. Ouço um grito breve lá de dentro e não penso duas vezes antes de arrombá-la. Passo por cima da porta caída e vejo Charlotte deitada ali com um hematoma no rosto. Josh está parado na entrada do banheiro, e vejo Lilian ajoelhada no chão, o corpo tremendo de medo. Caminho em direção a ela com ódio queimando em cada parte do meu ser. Somente eu posso machucar meu passarinho. Puxo o ombro de Josh antes de socá-lo no rosto. Ele cambaleia, e não lhe dou chance de se recuperar, desferindo outro e outro soco no rosto. "Não é a primeira vez que você é avisado", digo em voz baixa. "E agora você tocou no meu que é meu, grande erro." Eu o agarro pela gola da camisa enquanto sangue escorre do seu nariz agora torto. Seus olhos estão assustados, e com razão. Eu o jogo no chão e chamo meu melhot amigo para recolher esse lixo. Quando Marco leva Josh para o galpão, eu me viro para o meu passarinho. Lilian está segurando os joelhos com força, e eu evito olhar para a calcinha minúscula que ela está usando. "Ei, passarinho", eu chamo, aproximando-me calmamente. "Eu quero ir para casa", ela diz baixinho, e eu percebo que o dia acabou para ela. O choque da nova realidade dela pode ter sido extremo, mas eu precisava que ela entendesse o mundo em que vivo. Bem, uma pequena parte dele. Coloco meu terno em volta dos ombros dela e pego Lilian no colo. Saímos pelos fundos, onde meu carro já está esperando. Assim que a sento no banco, consigo ver seus hematomas com mais clareza; obviamente, foram causados ​​por espancamentos. E o melhor candidato para ter feito isso é Henk, o pai de Lilian. O desgraçado vendeu a própria filha e ainda queria um bônus. Se não fosse pelo acordo, eu voltaria lá e acabaria com a vida dele eu mesmo, mas negócios são negócios. Um gemido do meu passarinho me traz de volta à realidade. Ela estremece enquanto encosta a cabeça no banco e fecha os olhos de dor. "Você está machucada?", pergunto friamente. Não sou o tipo de pessoa que se abre facilmente, e no mundo em que vivo, é melhor assim; todo relacionamento pode ser uma facada nas costas. "Estou bem", ela mente, irritada comigo. Sorrio porque gosto de vê-la assim, com raiva e querendo lutar contra o próprio destino, contra mim. Agarro seu braço e a puxo para mim. Seu corpo cai sobre o meu, minha outra mão segura firmemente sua nuca. Sinto que ela tenta forçar a cabeça contra minha mão, mas é inútil. Minha mão toca delicadamente sua cabeça e encontra um longo corte em seu couro cabeludo. "Quem fez isso, passarinho?" Meu tom é mais frio do que eu gostaria. Lilian estremece, e eu solto sua nuca, puxando seu queixo para que ela me olhe nos olhos. "Não é nada", ela tenta mudar de assunto, e isso só me deixa mais irritado. "Responda à porr@ da pergunta", eu digo asperamente. Ela precisa aprender como as coisas vão funcionar. Seus olhos me estudam; vejo medo, mas também há fogo ali. "Eu disse que não é nada", ela repete com ódio, e eu sorrio para ela como um predador. O carro para em frente à mansão assim que ela termina a frase. "É assim que você quer brincar?", pergunto com um sorriso no rosto, e a vejo engolir em seco. Abro a porta do carro e dou a volta para abrir a dela. Agarro-a pelo braço e a arrasto para dentro de casa. Percebo que ela está tremendo de frio e lutando contra mim. Suas unhas arranham minha mão, mas não me importo. "Passarinho, vou te mostrar uma coisa e te dar duas opções", digo, passando pela entrada sem nem cumprimentar Carmen, que está parada perto da entrada para me receber. Ela não se surpreende ao me ver arrastando Lilian para dentro. Desço com ela até o porão. O lugar cheira a umidade e mofo, a lâmpada que ilumina o corredor da cela tremula, contribuindo para o medo de Lilian. Paro em frente à última cela, onde quase não há luz, e a jogo para dentro. "Este pode ser seu novo lar; você só verá a luz do sol no dia do seu funeral", ameaço com uma voz sombria. Vejo Lilian conter um arrepio; ela olha para a cela com visível medo. "Ou você pode se comportar, passarinho, e eu prometo que a gaiola onde vou te manter será muito mais luxuosa do que este lugar fétido", digo, observando-a pensar. Lilian é uma garota inteligente, e eu sei que ela está pensando em sua fuga e que presa neste lugar, ela não chegará a lugar nenhum. "Desculpe", suas palavras saem fracas, e eu me aproximo das grades. "Eu não ouvi, passarinho", digo, olhando-a diretamente nos olhos. "Eu disse que sinto muito", ela fala com raiva, e isso me faz sorrir. "Ainda não é o tom certo, mas serve por enquanto", digo, e abro a cela. "Siga-me, vou apresentá-la à Carmen." Eu me viro e saio. Sei que ela está me seguindo porque ouço seus passos hesitantes. Vou para o meu escritório, onde encontro Marco sentado em frente à minha mesa com um tablet na mão. Percebo que ele está observando as câmeras do depósito, especificamente a sala onde Josh está sendo interrogado. Marco olha para cima quando entro e vejo sua testa franzir ao notar Lilian atrás de mim. "Chame Carmen", ordeno, e ele sai rapidamente da sala. Olho para minha passarinha, e ela está suja, com frio e com dor. Demora cerca de um minuto para Marco entrar no meu escritório com Carmen. "Lilian, esta é Carmen. Ela é a governanta e será responsável por você", digo, sentando-me na cadeira de couro e me recostando para olhar para todos. Lilian observa Carmen, que ainda me encara, esperando que eu termine. "Lilian é uma convidada. Ela está aqui para tratar de negócios com a máfia, e posso delegar tarefas a ela em algum momento", explico a Carmen, que apenas escuta, como sempre. "O que exatamente eu vou fazer?", a pergunta sai baixinho da boca da minha passarinha. "O que eu quiser que você faça, passarinho, mas o primeiro passo é tomar um banho e descansar", digo, torcendo o nariz para o estado dela. Ela se irrita e abre a boca para reclamar, mas um simples olhar meu é suficiente para lembrá-la do quarto reservado para ela no porão. "Você está dispensada", digo, acenando com a mão. "Tenha uma boa noite, você vai precisar."
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD