Capítulo 4

1140 Words
Aquilo chamou a atenção dela. Não gostava de homem que fumava. Deduziu que alguém que frequentasse academia teria mais pique para satisfazê-la. E, no fundo, Nadira começou a admitir para si mesma que estava adorando a ideia de viver aquela experiência diferente. Os dois continuaram bebendo, falando besteira e jantando. Em meio às risadas, Fael correspondeu ao match do perfil fake de Nadira, criado com o nome Naná Aventureira. Na descrição do perfil dela dizia que não tinha vícios, que era uma mulher madura, vaidosa, bem cuidada. Havia fotos dela de costas, de biquíni. Fotos reais, mas que o marido havia alterado a cor do biquíni e o fundo, para que, caso algum conhecido visse, não a associasse a Nadira. Até porque ela não postava fotos sensuais nas redes sociais; apenas tirava e guardava para si. Depois que deu match com Fael, ela mandou um “oi”. Ele respondeu: — Oi, boa noite. Tudo bem? Ela começou a conversar, e Brenon ficou assistindo, rindo. O aplicativo estava no celular dele. Nadira ia digitando enquanto Brenon observava cada mensagem, divertido. Fael foi se apresentando. Disse a idade, contou que era jovem, que trabalhava, que não era muito de estudar, mas que era bastante desenrolado, comunicativo. Falou que não tinha feito curso superior, mas que tinha alguns cursos e que, quando ia trabalhar com alguma coisa, mesmo em um tipo de emprego diferente do que já tinha feito, gostava de dar o seu melhor. Disse que nunca falava “não sei fazer”, sempre dizia “vou aprender a fazer”. Aquilo cativou Nadira de primeira. Ela adorou a postura dele, o jeito direto, prático, porque ela também era assim: desenrolada, de ir, fazer, resolver. E gostou disso nele. De madrugada, Nadira e Brenon terminaram de jantar, deram uma arrumada na bagunça e foram para casa. Ela avisou Fael que iria dormir. Quando chegaram em casa, entraram se beijando e pararam no sofá da sala. Brenon sentou e a colocou no colo. Nadira se encaixou nele e começou a se movimentar lentamente, provocando, acabando com ele. Ele já estava exausto, não aguentava nem pensar em tran.sar direito, mas estava adorando. Percebeu que ela estava diferente. Depois de toda a conversa, das brincadeiras, do jantar romântico, eles trans.aram a noite inteira. Ficaram um dentro do outro, se beijando, trocando carinho, mesmo sem conversar tanto. Permaneceram unidos por muito tempo. Curtiram intensamente o aniversário de casamento. No dia seguinte, Brenon ganhou de presente um capacete e um macacão esportivo para andar de moto, que era a paixão dele. Ele tinha uma moto de alta cilindrada. Para comemorar, já saíram para passear. Tiraram o dia de folga, foram para outra cidade, ficaram em um hotel, almoçaram fora, se divertiram muito. À noite, no dia seguinte, quando começaram a se preparar para dormir, revisando agendas e compromissos, Nadira pegou o celular de Brenon e voltou ao aplicativo. Viu várias mensagens de Fael puxando assunto. Fael dizia que era difícil encontrar mulheres mais velhas como ela, que geralmente mulheres mais velhas queriam apenas bater papo. Perguntou diretamente se ela era carente. Nadira se acabou de rir e respondeu: — Eu não sou carente. E só para você saber, eu também não sou solteira. Estou buscando só uma coisinha casual, um aperitivozinho para me distrair. Porque eu não passo fome na minha casa, se é que você entende. Estou sempre muito bem alimentada. Fael ficou intrigado, mas deduziu que ela era apenas uma mulher casada querendo pular a cerca. Muito simpático, como sempre foi, respondeu dizendo que então poderia ser um aperitivo, mas um dos bons, coisa de primeira mão. Nadira ria sozinha com o jeitinho dele. O marido observava, em silêncio, gostando da desenvoltura. Brenon se deitou para dormir, estava cansado por causa da viagem e no dia seguinte tinha compromisso cedo, ele foi descansar e a deixou mexendo no celular, trocando mensagens. Então, por conta própria, Nadira marcou um encontro com Fael em um apartamento que era do casal, que eles usavam para receber visitas. Um apartamento mobiliado, que já haviam alugado para amigos e conhecidos, mas que naquele momento estava vazio. Ela marcou o encontro no prédio, mas não informou o número do apartamento. Primeiro queria vê-lo pessoalmente, sentir se havia alguma química. Disse a ele que não tinha o hábito de comer nenhum petisco fora de casa e que precisava ter certeza de que aquilo seria interessante para ela. Perguntou se não havia problema em se encontrarem apenas para ver o que rolava, sem garantir que aconteceria alguma coisa. Muito gentil, Fael disse que pensava do mesmo jeito. Que só de conhecê-la, bater um papo legal, tomar alguma coisa, já estaria ótimo para ele. Que estava tudo bem. Ela adorou o jeito compreensivo, gentil e divertido dele. Marcaram o encontro. Ele passou o número do celular, mas ela ainda não salvou. Na manhã seguinte, Brenon estava agitado com os compromissos de trabalho, compras que precisava fazer, e acabou não vendo as conversas. Levantou, se despediu como de costume, afetuoso, e saiu para trabalhar, resolver sua vida. Nadira estava ansiosa e pensativa. Ainda assim, levantou contente, como quase sempre fazia, de bem com a vida, mantendo aquela aparência serena que ela cultivava há anos. Por dentro, porém, a cabeça não parava. Quando foi preparar o café da manhã, percebeu que havia esquecido de salvar o contato de Fael. Aquilo a incomodou mais do que deveria. Pensou que só poderia voltar a falar com ele quando Brenon chegasse em casa, já que o aplicativo estava no celular do marido. Com a xícara nas mãos, encostada na bancada da cozinha, ficou alguns minutos distraída, encarando o nada. Então, usando as poucas informações que tinha sobre ele, resolveu procurar nas redes sociais. Digitou o nome, cruzou dados, clicou em alguns perfis até encontrá-lo em uma das plataformas. Reconheceu o sorriso, o olhar confiante, as tatuagens aparecendo discretamente em algumas fotos. Nadira ficou apenas observando. Não pediu para seguir, não enviou solicitação, não fez contato algum. Apenas olhou, em silêncio, sentindo uma curiosidade nova, quase devassa, que não sentia havia muito tempo. Ao longo do dia, aquela sensação não foi embora. Entre um compromisso e outro, começou a pensar na lingerie que iria usar, na roupa que escolheria para o encontro. Queria causar uma boa impressão. Mais do que isso: queria ir diferente do que era no dia a dia. Queria se sentir empoderada, sensual, chamativa, algo que ela não costumava ser fora da i********e. No cotidiano, seu estilo era elegante, clássico e discreto. Nadira não usava roupas muito justas. Preferia peças de alfaiataria, cores neutras. Tudo muito chique, muito bem pensado. Aquela imagem de mulher segura, sofisticada, quase intocável. Mas, naquela ocasião que se aproximava, ela queria outra versão de si mesma. E só de pensar nisso, sentiu um arrepio leve percorrer o corpo.
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