Capítulo 4 - Sophie D'Angelo

1470 Words
Bastou apenas olhar para a píton no vivário que fica na sala da família Wallerius, para que arrepender de vir. Esse bicho pode engolir uma pessoa. Os Wallerius tem um fascínio por cobras, vai desde o brasão da família, com a serpente com as pressas para fora, até a tatuagem que carregam em seus corpos. E pra fechar com chave de ouro, a píton albina que tem no meio da sala de visitas. Já estive aqui mais vezes do que posso contar, só que ainda dá medo. Nunca irei me acostumar com isso. Saber que tia Ava quer que eu fique à frente do Continental me pegou de surpresa. Tinha ouvido que ela gostava de deixar alguém apenas administrando ele, sem ter o nome Wallerius envolvido. Só que é responsabilidade demais, isso me assusta. Será que consigo? Hoje passei o dia todo com isso martelando minha cabeça, tanto que nem os remédios foram suficientes para mim dormir. Depois de rolar na cama, levanto para tomar um ar. A mansão Wallerius é muito antiga, chuto quase duzentos anos. Sei que eles e a família que chefia a Bratva são as mais antigas da máfia. Passo pelo corredor dos quadros da família, tendo as gerações. Paro diante do último quadro, de tia Ava com sua família. Ela como é o Dom está sentada numa cadeira dourada, parecida com um trono, tio Sávio está ao seu lado direito. Seus filhos, Anya e Damon, atrás da cadeira à sua esquerda. Os gêmeos são a imagem de sua mãe. O mais incrível de tudo é eles terem herdado a heterocromia dela, com um olho marrom e outro verde azulado. Damon ainda tem um pouco dos pai nas feições, mas a cor do cabelo, olhos, tom da pele são exatamente os da tia Ava. — O retrato ficou bom mesmo. Tomo um susto tão grande que quase bato na parede. — Calma, Sophie.— Damon se aproxima. — Não precisa de tudo isso. — Como você chega sem avisar... não fez barulho.— Coloco a mão no meu coração, ele bate acelerado. — Eu te chamei, mas você estava distraída.— Um sorriso debochado nasce em seu rosto.— Sou tão feio assim para você quase infartar? Feio é a última coisa que você é. — Se uma pessoa falasse atrás de você do nada, também iria se assustar. — Ninguém chega perto de mim sem eu perceber. Meu pai também é assim, parece que tem um radar para sentir as pessoas. Uma vez ele disse que era instinto de assassino. — O que faz à essa hora aqui?— Completa. — Estava sem sono e vim tomar um ar. Percebo que Damon está apenas com uma calça, o susto tinha sido tão grande que nem tinha percebido. Viro meu rosto para o lado. — Também estava sem sono, por isso treinava pra relaxar. Isso explica as roupas. — Já estava voltando para o quarto.— Viro de costas. — Não quer tomar um suco comigo? Estava preparando uma desculpa para me afastar dele. — Sei que você não gosta de mim, mas já está de pé mesmo.— Se não o conhecesse diria que está magoado. É a segunda vez que Damon fala que não gosto dele. Sinto um pouco de culpa, ele não fez nada, o problema sou eu, e as coisas do meu passado que quero esquecer. — Vamos sim.— Digo tomando coragem. Ele abre um pequeno sorriso de canto. Caminhamos para a cozinha, parece que nossos passo ecoam pela casa inteira. Quando chegamos, ele enche os dois copos com suco de laranja, me entregando um. — Obrigado.— Digo pegando o copo. Noto que Damon começa a me observar, isso me deixa nervosa, tenho que segurar o copo com força, para evitar que ele caia. — Eu queria falar com você, Ratinha.— Ele chega mais perto. — Po-pode falar. — Você tá quase derrubando isso.— Ele pega o copo das minhas mãos.— Sei que por você teria um continente inteiro nos separando, mas queria melhorar minha relação com você. Afinal, quando você assumir o Continental e eu for o Dom teremos que nos ver muito. — Desculpa... eu sou muito medrosa. — Eu te acho muito corajosa, Ratinha.— Diz tomando um gole de suco. — Você só pode estar zombando de mim. — Dou uma risada sarcástica. — Ser corajoso não significa não ter medo de nada.— Ele me encara bem nos olhos.— A pessoa mais corajosa é a que tem medo e enfrenta eles... e você morre de medo de mim, mesmo assim está aqui.— Aquele maldito sorriso volta para sua boca. Os sorrisos de Damon sempre variam entre sarcasmo, deboche, malícia e zombaria, é difícil indentificar qual ele está usando agora. Começo a enrolar uma mecha de cabelo no meu dedo. — São palavras da grande Ava Wallerius, e você sabe que ela sempre tem razão em tudo. — Dona Aurora também sempre sabe de tudo.— Sorrio. — Sei que não tenho boa fama, só tem uma parte de mim que elogiam... — Qual parte?— Junto as sobrancelhas. — Acho melhor não te dizer.— Ele sorri olhando para baixo. Sigo seu olhar, sinto meu rosto esquentar quando entendo do que ele estava falando. Ele começa a rir, dessa vez sei que sua risada é de deboche. — Como estava dizendo não precisa ter medo de mim.— Ele fala sério agora.— Então o que acha de sermos amigos, D'Angelo? Ele estende a mão esquerda, meus olhos acompanham a cobra que se enrola em seu braço, até parar encima da mão. Levanto meus olhos, tenho que engolir em seco, seus olhos me fitam com tanta intensidade que me dá calafrios. — Amigos, Wallerius.— Aperto sua mão. Eu tinha que me livrar das amarras do medo. [...] Venho com Anya para um academia que os Wallerius usam para praticar, pelo que entendi em alguns dias Damon vai lutar. Tem um lugar onde acontece lutas ilegais, chamam de o Tribunal, eu nunca fui mais já ouvi falar. Sei que rola muito dinheiro, não tem regras, e que os Wallerius participam para reafirmar sua supremacia. Vejo Damon no ringue sozinho, ele parece estar se aquecendo, seus golpes são rápidos. Conforme ele se movimenta, gotículas de suar voam de seu corpo. Damon tem um corpo definido, nunca tinha reparado em como seus músculos são bonitos. Sophie, você nem gosta de homem. — Não perco isso.— Luke para do meu lado. — Ele vai lutar com alguém?— Pergunto. — Com a tia Ava.— Luke responde. — Melhor, vai apanhar da tia.— Roman para do meu outro lado. Damon para seus movimentos, e mostra o dedo do meio para Roman. — Vamos terminar logo com isso.— Tia Ava surge na companhia de Anya. Ela sobe no ringue, tirando o casaco, fica com um short e top esportivo. Tia Ava tem mais de cinquenta anos, mas ainda tem um corpo de dar inveja, seus músculos ainda são definidos e torneados. — Pode deixar que vou pegar leve com a senhora.— Damon provoca. — Está falando demais, pirralho, espero que esteja a altura de suas provocações. Os dois ficam em postura de luta, Damon é o primeiro a ir para cima. Ele ataca sem parar, sua mãe apenas desvia de cada investida, como se previsse cada movimento. — Ainda atacando como uma animal furioso sem pensar, vai precisar de mais que isso pra me vencer.— Tia Ava diz. Damon continua com seus golpes, mas nada muda. Ali se nota que mesmo com sua força e agilidade, ele não era pariu para os anos de experiência que ela tinha. Até que chega o momento que não sei o que acabou se foi a disposição ou paciência da tia. Ela agarra o braço de Damon torcendo para trás do corpo, é tudo muito rápido, uma perna aplica uma rasteira. Em momentos Damon está nos chão com os braços imobilizados atrás do corpo. — Muito bem Damon, isso seria o suficiente para derrotar muitas pessoas, menos eu.— Ela apoia seu joelho nas costas dele, fazendo-o parar de se debater.— Já te falei que nem tudo se resolve com força, pense antes de atacar. Ela o solta. Damon saí furioso do ringue. — Espera aí...— Tia Ava desce do ringue.— Se apanhar pra aquele fracote que vai ser seu rival na luta, depois vai apanhar de mim. Você é bem mais capaz do que me mostrou hoje. Wallerius tem um jeito esquisito de demostrar carinho e preocupação. Porque era isso que essa palavras significavam. Damon sabia disso, tanto que sua expressão suavizou e ele parecia mais determinado. *Não esqueçam de comentar e doar bilhetes. Me siga no i********:* @ange.pontes
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