Quando chego em casa, cada um vai para seu quarto. Após tomar meu banho e deitar, percebo que tem mensagem de Alexei, perguntando onde tinha ido. Nem respondo, sabendo que à essa hora ele deve estar muito ocupado.
Fecho meus olhos, colocando as mãos atrás do travesseiro. Ouço a porta abrir, e passos suaves, nem preciso abrir os olhos para saber que é a Anya.
Ela levanta a coberta, deitando do meu lado.
— É impressão minha ou você ainda está bravo com o Roman?
— Só impressão sua.— Digo com sarcasmo.
— Damon.— Ela bate em meu ombro.
Viro de lado, aos poucos meus olhos se adaptam à escuridão, conseguindo ver a silhueta se seu rosto.
— Você podia ter morrido por causa dele, se ele não fosse um Wallerius já estaria morto.
— Roman não fez por m*l, ele nunca me colocaria em perigo por vontade própria.
— Isso não diminui a gravidade do erro dele. — Abraço Anya.— Eu queimaria a Rússia inteira se algo acontecesse com minha irmãzinha.
— O importante que estou bem, e isso já faz meses não precisa continuar o culpando.
Ficamos em silêncio, por um momento vem as palavras de Alexei e Luke à minha cabeça, de Roman estar interessado na Ratinha.
— Roman não está perturbando a Sophie? Fiquei sabendo que ele está afim dela.
— Está sim, hoje ele até se declarou para a Sophie, e ela o rejeitou.
— Como?— Sento na cama.— Eu não tinha falado com Roman ainda, porque corro o risco de quebrar sua cara, mas...
— Sophie disse que não gosta de homem, mais clara que isso impossível.
— Ele aceitou numa boa?— Deito novamente.
— Mais ou menos, aí disse que ia dar uns tapas nele se incomodasse a Sophie.
Essa é minha irmã.
— Desde quando você se preocupa tanto com a Sophie, Damon?
— Ela vai ficar à frente do Continental, é bom me dar bem com ela.— Dou de ombros.— Apenas isso.
— Só não assusta ela, minha cunhada não é acostumada à loucuras da nossa família.
— Estou tentando... queria saber o que aconteceu pra ela ter medo de tudo ou todos. É bem visível que qualquer coisa assusta ela.
— Deve ter sido algo antes dela ser adotada. Uma vez ela comentou que faz terapia... deve ter sido algo muito traumático.
O que será que aconteceu com ela?
Duvido que ela responda se eu perguntar.
[...]
Hoje à noite é minha luta, fiz uma pequena corrida para aquecer os músculos. Resolvo chamar minha mãe para fazer um pouco de spanking, vou até seu escritório. Abro a porta, só encontro Sophie, ele mexe em alguns documentos, enquanto está com os fones de ouvido, e cantarola a música.
"I'm in the wind,
I'm in the water
Nobody's son,
nobody's daughter
Watching the chemtrails over the country club
Suburbia, The Brentwood Market
What to do next? Baby, what of it?"
Ela está tão concentrada na música e nos papéis, que nem percebe que estou aqui.
Tenho que procurar qual música é essa...
Ela fica tão bonitinha cantando...
Até que parece que ela sente que está sendo observada, e olha para o lado. A Ratinha cora, tirando os fones.
— Está à muito tempo aí?— Dá pra ver que está envergonhada.
— Mais ou menos...— Sento ao seu lado.— Parece gostar dessa música, estava cantando animada.
— Adoro a Lana, seria um sonho ver ela cantando ao vivo.— Abre um pequeno sorriso.
— Você nunca foi no show dela?
— Não gosto de lugares lotados... me dão agonia.— Ela se retrai.
— Fácil, contrata ela para um show particular.— Sugiro.
Não é como se os D'Angelos não tivesse dinheiro para isso...
— Não posso pedir isso... Aurora e Leon já me criaram... já fizeram por mim mais que mereço.— O olhar dela perde o foco.— Eu não sou uma D'Angelo de verdade.
As pupila de Sophie dobram de tamanho, o olhar dela parece assutada, conheço bem um olhar quando ele carrega medo.
Nosso momento minha mãe faz um barulho com a porta, ela se assusta, agarrando minha mão. Seus dedos apertam os meus... a mão de Sophie é tão pequena e delicada.
— Aconteceu alguma coisa aqui?— Minha mãe olha para nossas mãos.
— Só me assustei.— Sophie me solta.
— Vim procurar a senhora para me ajudar a treinar.— Olho para meus pais.
— Eu vou com você?— Meu pai diz.
Enquanto descemos para o subsolo, minha mãe e Sophie ficam ali examinando os documentos.
— Estava acontecendo algo entre você e a Sophie?— Meu pai pergunta calçando as luvas.
Começo a rir, nunca me interessaria pela irmã do meu amigo.
— Tá viajando, pai, Sophie é como se fosse minha prima.
— Aquela cena me lembrou algo dos velhos tempos.
— O que dos velhos tempos te lembrou?
— O jeito que sua mãe olhava pra mim, naquela época os olhos da Ava era um enigma para mim. Quase como tentar enfrentar uma tempestade... e você estava olhando para Sophie do jeito que Ava olhava pra mim, com um instinto protetor.
— A Ratinha é fraquinha... deve ser por isso, instinto de proteger alguém mais fraco. Igual tenho com Anya.
Porque eu machucaria uma Ratinha adorável.
Nós posicionamos para começar a treinar.
[...]
Estou aqui esperando ser chamado, minha luta é a última da noite. Até que escuto meu nome sendo anunciando, caminho pelo pequeno corredor, os gritos das pessoas ficam mais perto. Quando alcanço a multidão gritam mais ainda, subo no ringue.
Olho no camarote e vejo minha família, Sophie está lá também, achei que ela na viria. Seu rosto já está pálido depois de assistir as cenas de violência das outras lutas.
Meu adversário sobe no ringue, eu e ele temos quase a mesma estrutura corporal. Percebo que ele tem um anel na mão direita, essa lutas nada é proibido. Não é a primeira vez que usam o truquisinho sujo do anel, pois sabem que ninguém vai pedir para tirar.
— Pra quem é o melhor lutador dos Wallerius, você tem uma carinha muito bonita.— O homem de moicano me provoca.— Vou ter prazer em estragar essa carinha bonita.
O cara que organiza as lutas do Tribunal pediu para mim prolongar essa luta, ele disse que termino com meus oponentes muito rápido, assim não gera apostas. Então, é pra mim fingir que ele pode me vencer.
Por isso apenas ignoro o que ele fala.
Apitam o início da luta, meu oponente parte para o ataque, ele executa uma sequência de socos, desvio de todos.
— Ao invés de Serpente deviam te chamar de rato.— Volta a provocar.— Para de fugir.
— Pra quem não acertou nenhum soco, você fala demais.
Ele continua me atacando, até que vou defender um chute me distraiu e ele acerta um cruzado de esquerda. p***a* daquele anel corta meu supercílio. O sangue começa a jorrar pelo meu rosto.
Acabou a brincadeira.
— Gostou disso bonitinho... você luta igual uma mulherzinha, devia dar lugar para sua irmã.
— Pode ter certeza que até minha irmã esfregava sua cara no ringue.— Digo com deboche.
Meu adversário ataca novamente, só que agora não estou afim de prolongar a luta. Bloqueio seu primeiro golpe, partindo para cima, no segundo soco derrubo ele no chão. Subo encima dele, acertando um soco atrás do outros. Até minhas mãos estarem cobertas de sangue e ele desacordado, ou morto, tanto faz.
O juiz declara minha vitória.
Ergo meus braços comemorando, a cara de todos é que já esperavam esse resultado. Ainda que deixei ele me acertar e até me machucar um pouco.
Agora chegou a parte boa, hora de comemorar.
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