Angeline Müller Chego do restaurante aos cacos. O corpo veio no automático, mas a alma ficou lá, jogada no chão daquele estacionamento, pisoteada pelas palavras do Henry. m*l consegui me concentrar no trabalho. Errei pedidos, misturei mesas, troquei comandas. A cabeça não ajudava — ela só repetia aquela cena. A voz dele. O olhar frio. “Foi só sexo.” Tomo um banho longo, esperando que a água leve embora a dor, o nó na garganta, a decepção que virou tatuagem na pele. Saio pingando, sem forças pra me secar direito. Pego a camisa dele. Ainda tem o cheiro. Aquele cheiro que ontem me fazia arrepiar... hoje me faz chorar. Deito com a peça no rosto, e o choro vem de um jeito que não consigo mais segurar. Me encolho, agarrada no travesseiro, molhando a fronha como se pudesse afogar nessa tris

