Angeline Müller (Angel) Estou no ponto de ônibus, mas não esperando o ônibus que me levaria pra casa. Hoje é o meu primeiro dia no restaurante. E, sinceramente? Meu estômago tá mais embrulhado de nervoso do que de fome. A brisa gelada toca meu rosto e olho para os lados, esperando o coletivo que vai para o centro. Não quero me atrasar. — Angel, ainda tá aí? — a voz conhecida me chama pelo telefone. — Sim, Róger. — Quer uma carona? Tô indo agora pro restaurante também. — Ah, não precisa, Róger. Eu vou de ônibus mesmo, não quero te incomodar. — Que incomodar, nada. Vem logo, linda. Entra aí. Penso por dois segundos. Confesso: não pela carona, mas porque não quero me atrasar no primeiro dia de trabalho. E o trânsito dessa cidade tem o talento de atrasar até a vida amorosa dos outros.

