Tony pegou em minha mão e me beijou na testa, eu já me sentia super protegida com ele e já nem mais ligava para os olhares curiosos. Eu estava tão entregue à aquele amor repentino, que eu não queria que nada nem ninguém estragasse o momento.
- Katty, eu vou pegando algo pra gente almoçar.
- Tudo bem, te encontro na escada? - ele fez cara de quem não estava muito afim de ficar lá, escondido.
- Certo. - concordou por fim.
Nos separamos e todo aquele calor de estar na presença do rei do colégio foi se esfriando à cada passo que eu dava pra longe dele. Os olhares começaram a me diminuir novamente. Eu não queria pensar muito no assunto. Eu queria que desse certo, eu queria continuar sendo chamada de minha por aqueles lábios carnudos, avermelhados e donos do sorriso mais lindo e sexy que já havia visto na vida. Talvez pensar no Tony tenha afastado um pouco a aflição que eu sentia quando estava sozinha, mas o conforto logo se foi completamente quando Tarlla Coubert apareceu bem na minha frente, obstruindo a passagem para as escadas. Eu olhava pro chão no momento, mas como não reconhecer aquelas pernas magrelas e bem a mostra da princesa da escola? Ao olhar seu rosto eu não fiquei nada feliz pela escolha que fiz. Ela tinha uma expressão de ódio como se pudesse me matar só com o olhar.
- Você tem muita coragem. - começou. - Vocês realmente estão juntos agora?
- E se estivermos? - questionei. - Que eu saiba vocês não têm mais nada.
- É isso que ele te disse? Nós só estamos dando um tempo. Nós estamos juntos desde crianças. Você acha mesmo que ele ia me deixar? Ele só está se divertindo com você.
Eu pensei em responder, mas Hermin apareceu descendo as escadas e percebeu a situação.
- Katty! Preciso te contar o que acabou de acontecer! - disse quase gritando e já me arrastando para longe de Tarlla.
- Obrigada, acho que mais uns minutos e ela me matava.
- Tudo bem com você? Está um pouco pálida.
- Eu acho que esse dia está sendo um pouco cansativo pra mim.
- Não, é sério Katty. Você está muito pálida. Venha, vou te levar na enfermaria.
- O que? Não! Eu estou bem. Preciso apenas sentar e comer alguma coisa.
Não satisfeita, Hermin colocou a mão em minha testa e constatou.
- Você está febril, Goldberg. É sério, vamos até a enfermaria.
- Estou esperando o Tony para o almoço.
- E você acha que ele vai querer te ver passando m*l? Se ele gosta de você, vai entender.
Ela localizou Peter e pediu que ele avisasse o Peter, caso o visse, que estava me levando até a enfermaria.
- Claro, claro. Aviso sim. Está tudo bem, Katty?
- Sim, sim.
- É cara, ela só tá se fingindo de gasparzinho. - disse Ambrose, rindo da própria piada r**m. - Melhoras Goldberg.
Ao chegar na enfermaria eu já nem aguentava minhas pernas. Lógico que fui beijar o chão e não lembro de mais nada. Só lembro de ouvir o auxiliar da enfermeira dizendo pra Hermin me segurar, mas acho que foi tarde demais. Ficou uma escuridão quentinha e confortável por um bom tempo, até eu perceber que estava deitada na cama da enfermaria com uma compressa na testa. Tony estava sentado numa cadeira ao lado da cama, mexendo no celular e apertando firme minha mão esquerda. Eu dei uma leve apertadinha em sua mão para que percebesse que eu estava desperta.
Ele abandonou o telefone e olhou para mim com uma expressão muito preocupada.
- Katty! Graças a Deus você acordou.
- Oi... que horas são? Não devia estar na aula?
- Katty, a aula já acabou. E você acha mesmo que eu voltei pra sala depois de ver um g**o na sua testa, você ardendo em febre e inconsciente? Eu avisei sua avó que te levaria para casa em segurança assim que despertasse.
Eu estava bem confusa. Nunca algo parecido havia me acontecido antes. Eu tentei me levantar e logo uma dor súbita me acometeu a cabeça.
- Ai. - reclamei, levando a mão à cabeça.
- Vai devagar, Katty. - ele me aninhou em seu abraço e me ajudou a me levantar. Ele deu uma risadinha ao ver minha cara de acabada. - Belo primeiro dia de relacionamento.
- Então estamos namorando?
- Oficialmente? Não. Ainda vou fazer o pedido formalmente para seus pais.
- O que?
- Você não esperava que eu fosse romântico, né?
- Não...?
- Eu passei tanto tempo com a Tarlla que me esqueci como era ser um cara mais atencioso, me desculpe.
- Se puder não falar sobre ela, vou agradecer.
Tony se afastou e me apoiou na cama novamente, onde eu sentei. Ele deu um leve sorriso e se ajoelhou bem na minha frente, pegando minha mão direita e dando um leve beijo sobre ela.
- Katrinna Goldberg, gostaria de ser minha namorada?
- Eu espero esse pedido desde o primeiro dia neste colégio, sim!
Ele não aguentou de animação e se jogou em cima de mim, fazendo peso e me deitando na cama. Ele me beijava tão ardentemente que eu perdia o fôlego com facilidade. Suas mãos percorriam o meu corpo com certa insistência e eu automaticamente apresentava resistência.
- Tony, calma. Por favor. - eu tentava me desvencilhar, mas ele me apertava mais forte. - Tony! - berrei.
Ele se afastou, um pouco zonzo e se sentou ao meu lado.
- Perdão. Eu estou há mais de um mês sem, desde que terminei com a Tarlla. Me desculpe. Sei que está machucada, foi idiotice minha...
- Não é isso, Tony... eu ainda... sou virgem.
Acho que aquelas palavras deixaram ele pior do que ele já estava. Em um pulo ele se afastou de mim e foi, sem dizer nada, respirar do lado de fora da enfermaria.
Eu me levantei com dificuldade e fui procurar minhas coisas. Minha mochila estava no canto da sala, apoiada em uma cadeira bem velha, onde a Enfermeira as vezes cochilava. Peguei meu celular e quase soltei um palavrão ao perceber o quão tarde já era. É claro que a aula já havia terminado. Já passavam das nove e meia da noite!
- Mas que droga, Tony. Custava me dar uns empurrões para eu acordar? - reclamei baixinho.
Colocando a mochila nas costas e respirando bem fundo, sai da enfermaria pisando fundo, mesmo meu corpo e minha mente estando bem pesados. Tony estava na janela ao lado da sala, fumando. Ao me ver já pronta para partir, rapidamente apagou o cigarro e engoliu em seco.
- Katty, eu...
- Está tudo bem, Tony. Eu não quero falar sobre isso agora. Eu preciso ir embora.
Ele era do tipo de garoto que sabia entender uma mulher, ele não questionava e se calava nas horas certas. E a cada vez, era eu a loucamente apaixonada. É claro que eu parecia furiosa, ele queria falar, mas nada disse. Me levou em completo silêncio até o carro e abriu a porta do carona.
A viagem parecia ter levado horas, cada um em seu canto do carro, sem se olhar ou falar. Ele dirigia medianamente devagar, mas eu não queria apressá-lo e pressioná-lo ainda mais. Ele tinha uma feição triste, como se alguém tivesse dito algo que realmente o havia magoado. Eu queria dizer que não era aquilo que me deixava furiosa ou chateada, e sim o horário tardio em que eu estava indo para casa. Mas, assim como ele, eu nada disse. O silêncio era amedrontador. Quando ele finalmente parou o carro, sua mão tremeu ao encostar na porta. Ele parecia muito pensativo e isso lhe custou alguns minutos com o pavor estampado em sua face e a mão trêmula sem abrir a porta. Eu pensei várias vezes em apenas abrir minha própria porta e ir embora, mas o esperei se recompor.
- Desculpa por hoje, Katty. Sei que foi culpa minha tudo o que aconteceu. - ele parou pra respirar fundo e me enviar um olhar bem tristonho. - No nosso primeiro dia juntos e foi tudo uma merda.
Eu me aproximei de seu rosto e lhe dei um beijo suave na bochecha. Ele ficou um pouco confuso e não soube reagir àquilo.
- Está terminando comigo?
- Claro que não, seu bobo.
- Então pode me dar uma nova chance?
- Por que uma nova se nem terminou a primeira ainda? - eu dei um sorriso bem brincalhão. - Claro que não vai se livrar tão fácil de m...
Ele não desperdiçou um segundo sequer. No meio de minha frase ele me agarrou forte e me beijou loucamente novamente, como da primeira vez, só que com mais urgência em seus lábios. Eu rapidamente retribuí todo o ardor e suas mãos começaram a caminhar por todo o meu corpo, me deixando arrepiada. Quando ele começou a dar atenção ao meu pescoço e dar beijinhos que me deixavam anestesiada, eu abri meus olhos e vi a visão do fim da minha vida.
Meu pai. Na porta de casa. De braços cruzados. Olhando para nós.
- Tony... acho melhor eu ir embora agora. - eu sinalizei com os olhos para a minha casa, quando ele juntou as sobrancelhas querendo protestar. - Você vem me buscar amanhã, ou te encontro no colégio?
- Eu sem dúvidas virei te buscar. - ele me deu um último beijo e se ajeitou rapidamente. - Ele não pode nos ver aqui dentro. - eu me ajeitei também e abri minha porta. - Ei, eu ia fazer isso!
- Agora é tarde, Tony. Tchau!
- Tchau. - disse ele. Ele suspirou e ligou o carro novamente, abaixando o vidro, ele acenou para meu pai. - Boa noite, senhor Goldberg.
- Boa noite, rapaz. - respondeu rispidamente. Ele descruzou os braços e abriu a porta da frente ao me ver chegar. - Entre.
- Pai, eu...
- Entre.