Aquela manhã estava fria e limpa, e eu me sentei sozinha na varanda com uma caneca de café fumegante entre as mãos. Quinze dias se passaram desde o nosso jantar interrompido, e o silêncio entre nós cresceu como gelo nas paredes desse castelo. Lucas não ficava mais sozinho comigo; as refeições eram sempre com nosso filho, como se a presença de uma criança fosse a única forma segura de nos manter à distância. Eu sabia que o havia desapontado. Traí a confiança que ele me deu quando me escolheu diante da deusa, e algo dentro dele se quebrou — eu sinto isso cada vez que os seus olhos passam por mim e não pousam. Lucas acorda antes do sol e desce com nosso filho para treinar com os betas. Ouço o choque dos bastões, o ritmo dos passos, o comando firme que faz o ar vibrar no pátio interno. À tard

