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1353 Words
A mão de Dante queimava meu pulso como brasa viva. Seus olhos âmbar - *os mesmos de Ana* - fixos no meu rosto com uma intensidade que fez o ar faltar nos meus pulmões. — *Onde. Está. Ela. Cada palavra saiu arrastada, rouca por dois anos de silêncio, mas o poder por trás delas era inegável. *Ainda era ele.* Ainda o homem que me dominara naquela cabana. — Sua mãe a levou — respondi, lutando para não tremer. Algo *perigoso* passou por seus olhos. Os monitores cardíacos dispararam quando ele tentou se sentar. — *Deitado!* — o médico ordenou, mas Dante ignorou, seus músculos atrofiados tremendo com o esforço. — Ricardo! — ele chamou, reconhecendo o irmão na porta. Ricardo avançou, mas Dona Catarina bloqueou seu caminho. — *Você traiu a família* — ela cuspiu. Dante riu, um som áspero e quebrado. — *Você atirou em seu próprio filho, mãe.* O quarto de hospital parecia ter virado um campo de batalha silencioso. Enfermeiros recuaram. O médico hesitou. *Até o ar parou de circular.* Dona Catarina segurava Ana como um troféu, seus dedos finos demais para uma avó afetuosa. — Ela é uma Valente — declarou, como se isso resolvesse tudo. — *Ela é MINHA!* — gritei, arrancando meu pulso da mão de Dante. Para meu choque, ele *apoiou* minha afirmação com um simples aceno para Ricardo. Em um movimento fluido, Ricardo sacou uma arma e apontou para *sua própria mãe*. — Você não vai levar outra criança nossa, *mãe*. Não depois do que fez com Luisa. *Luisa?* Dante cerrou os maxilares. — *Ainda não, Ricardo.* Dona Catarina sorriu, *tranquila demais*. — Você realmente acha que viria sem proteção? Um som de *dez armas* sendo engatilhadas ecoou do corredor. Dante se moveu *antes* que qualquer um pudesse piscar. Com a agonia clara em cada músculo, ele *arrancou* o cateter IV do braço e usou o leito hospitalar como apoio para ficar em pé. — *Você tem três segundos para devolver minha filha.* Dona Catarina riu. — Você m*l pode ficar em pé, menino. Ele não discutiu. Apenas começou a contar: — *Um.* Os homens no corredor avançaram. — *Dois.* Ana começou a chorar, esticando os bracinhos para mim. — *Três.* *Tudo aconteceu ao mesmo tempo.* Ricardo disparou *para o teto*. Os capangas de Dona Catarina invadiram o quarto. Dante *puxou* o monitor cardíaco e o arremessou contra o primeiro homem. E eu... *Eu saltei para pegar Ana.* Dona Catarina tentou me esquivar, mas dois anos cuidando de uma criança me tornaram *rápida*. Meus dedos arranharam o vestido de seda dela enquanto arrancava Ana de seus braços. — *p**a insolente!* — ela gritou, as unhas cravando no meu braço. Um tiro ecoou. *Sangue quente respingou no meu rosto.* O capanga mais próximo caiu, um buraco entre os olhos. *Mas quem atirou?* Dante estava desarmado. Ricardo abaixava sua arma, confuso. A resposta veio da janela. *Clara.* Minha melhor amiga - que eu *achava* ser apenas uma designer gráfica - estava no parapeito com um rifle de precisão. — Ninguém move um músculo — ela ordenou, *voz de comandante*. Dante olhou para mim, *impressionado*. — *Você contratou uma mercenária para ser sua babá?* — Eu... não sabia — admiti, apertando Ana contra o peito. Clara saltou para dentro, mantendo todos na mira. — Chamei reforços. Temos dois minutos até a SWAT chegar. Dona Catarina *riuuu*, um som que fez Ana chorar mais alto. — *Tão previsível.* Ela ligou para o *pai* de Dante. *O sangue gelou nas minhas veias.* Dante olhou para a mãe, *horrorizado*. — *Ele está morto.* — *Nunca esteve* — Dona Catarina ajustou seu colar, *sorrindo*. — E ele está *muito* ansioso para conhecer a neta. O quarto ficou *silencioso* demais. Até Clara baixou a arma alguns centímetros. Dante parecia *nauseado*. — Você mentiu... *sobre tudo.* — Protegi você! — Dona Catarina avançou. — Ele queria *você* como herdeiro, não Ricardo! Queria te treinar desde criança, fazer de você um *monstro* como ele! Ricardo pareceu *ferido*. — E eu? — Você era *perfeito* — ela acariciou seu rosto. — *Inocente.* Dante soltou um riso *amargo*. — Por isso você me drogou por dois anos. *Tudo começou a fazer sentido.* O coma. O testamento. *A obsessão por Ana.* Ela não queria apenas uma herdeira... *Queria uma substituta para Dante.* — Vamos embora — gritei para Dante, segurando Ana. Dona Catarina bloqueou a porta. — *Você não vai levar minha neta para longe de mim!* Clara recarregou a arma. — Escolha suas próximas palavras com cuidado, *senhora Valente*. Foi quando *Dante caiu de joelhos.* Seus músculos *traíram* o esforço. Sua respiração vinha em gemidos roucos. Mas quando levantou o olhar para a mãe, havia *fogo* ali. — Você vai nos deixar ir — ele ordenou, *voz de chefe da máfia*. — Ou eu conto ao *seu marido* sobre o filho que você *escondeu* dele. *...O quê?* Dona Catarina *empalideceu*. Ricardo olhou entre eles. — *Que filho?* Dante sorriu, *sanguinário*. — Aquele que ela teve com *seu motorista*. O que ela *te fez acreditar* que era seu meio-irmão. *Meu Deus.* O silêncio foi *cortante*. Ricardo olhou para a mãe, *pedaços do passado se encaixando*. — *Luisa?* Dona Catarina *gritou* de raiva, avançando contra Dante. — *EU TE CRIEI!* — *E EU TE DESTRUO!* — ele rugiu de volta. Foi quando os vidros *explodiram*. *Gás lacrimogêneo.* A SWAT invadindo. *Confusão.* Dante *rastejou* até mim no chão, protegendo Ana com seu corpo. — *Saída traseira* — ele grunhiu no meu ouvido. Mas quando viramos... *Ele estava lá.* *O homem que devia estar morto.* *O verdadeiro d***o Valente.* Ele era *Dante, mas não*. Mais velho. Mais c***l. *Com os mesmos olhos âmbar.* — *Filho* — cumprimentou, como se encontrassem no café da manhã. Dante *tremeu* contra mim, *traumatizado*. — *Você...* — ...estive ocupado — o homem completou, olhando *Ana* com *interesse*. — Mas parece que você também. Meu instinto *urrou* para protegê-la. — *Não toque nela.* Os olhos do homem piscaram para mim, *divertidos*. — Ah, *a noiva abandonada*. Minha esposa contou *tudo* sobre você. Dante tentou se levantar, *fracassando*. — *Ela não é dela.* — Tudo na *minha* família é meu — o homem corrigiu, *suave*. — Incluindo essa criança. Ana *chorou*, escondendo o rosto no meu pescoço. *E então...* *Dante fez algo inesperado.* Ele *sorriu*. Lento. *Calculista.* — Tudo bem, pai. Leve ela. *...O QUÊ?* O homem - *pai de Dante* - hesitou, *desconfiado*. Dante se apoiou na parede para ficar de pé. — Você está certo. *Tudo na família Valente é seu.* — Estendeu as mãos para Ana. — *Posso dizer adeus?* Meu coração *parou*. *Ele estava mentindo.* *Ele tinha que estar.* Mas quando peguei seus olhos, vi *o plano* lá. *E entendi.* Com *extrema* relutância, entreguei Ana a Dante. Ele a segurou *como se soubesse* exatamente como fazer - *o que era impossível*. — *Olha só pra você* — ele murmurou para ela, *tão baixo que só eu ouvi*. — *Tão corajosa. Como sua mãe.* Ana parou de chorar. *E olhou para ele.* *Reconhecendo.* O coração do *pai de Dante* derreteu. — Ela tem seus olhos — ele comentou, *ganancioso*. Dante concordou, *fingindo* relutância. — Ela tem *nossa* teimosia também. E então... *Ele jogou Ana no ar.* *O mundo desacelerou.* O grito do pai de Dante. Meu pulo instintivo. *Clara pegando Ana no ar* com um movimento fluido, *já esperando*. E Dante... *Dante sacando uma arma da cintura de Ricardo* e atirando *três vezes* no próprio pai. *Ombro.* *Joelho.* *Mão direita.* *Precisão cirúrgica.* — *Ninguém* toca na minha filha — ele rosnou, *o verdadeiro Lobão Valente* finalmente acordado. O caos que se seguiu foi *arte*. Clara desapareceu com Ana pelos dutos de ventilação (quando *merda* ela aprendera aquilo?). Os policiais levaram o *pai de Dante* - agora um *suspeito de sequestro* - sob custódia. Dona Catarina *desmaiou* quando viu o marido sangrar. E Dante... *Dante desabou* nos meus braços, *sorrindo*. — *Achei que você tinha me esquecido* — ele murmurou, febril. Minhas lágrimas *molharam* seu rosto. — *Idiota.* Como *poderia*? Ele levantou uma mão trêmula para meu rosto. — *Você ainda é minha.* E então... *Desmaiou.*
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