Joel Temporal não pede licença para entrar na cadeia. O primeiro trovão veio como marreta no teto. A luz piscou, resistiu um segundo, apagou inteira. O gerador tossiu, acendeu um corredor sim, outro não, e morreu. O bloco virou rumor e sombra. Concreto molhado tem cheiro de ferrugem triste. O ar ficou mais curto, como se a noite tivesse posto a mão na nossa boca. — Sem pânico! — gritou Caveira, mais para ele do que para nós. — Procedimento de contingência. Procedimento nenhum segura medo quando a luz some. Teco riu, invisível, riso de rato. Magrão arrastou o chinelo calculando geografia. Pastor começou um salmo baixo, costurando o escuro com palavras. Neto chegou perto, sem encostar. — Vai dar r**m — sussurrou. — Ouvi “lição” no corredor. “Lição”. A palavra é velha: encurralar no escu

