Beatriz Acordei antes do sol. O morro ainda respirava devagar, mas eu já estava em pé, organizando papéis na mesa: cópias de ofícios, prints das mensagens anônimas, protocolos com número e data. Vesti a blusa lisa, prendi o cabelo, passei um pó leve para disfarçar a noite curta. Senti o estômago reclamar; dei a ele água e método. Hoje eu falaria pouco e certo. A Ouvidoria Interna ficava num prédio que tenta parecer neutro e não consegue. Parede bege, ar-condicionado frio demais, cadeiras pretas alinhadas como quem pede silêncio. Cheguei com a defensora ao meu lado e a pasta no colo, firme como quem segura um bebê. Cadu, da ONG, esperou do lado de fora com duas vizinhas — a mulher do lenço (agora só cabelo e coragem) e dona Nilda, a que aprende rápido a virar parede. Rato ficou na sombra,

