O que faz Aqui?

1303 Words
Um mês e alguns dias depois… Alec narrando. Bebo minha água desejando que fosse um whisky; é impossível aguentar essas reuniões sóbrio. Tudo bem que minha especialidade na empresa é negociação e isso exige muitas reuniões, enquanto meu irmão do meio, o Antoni, é responsável por receber os sócios e as reuniões do financeiro. Já meu irmão mais velho, o Andrew, cuida dos nossos modelos e é ele quem gosta de criar coisas bobas com nossos equipamentos. Mas, fala sério, eu não aguento mais ter que ficar aqui. Eu iria finalmente trabalhar com meus irmãos na empresa, ia comprar uma casa para ficar permanentemente lá, e não vejo a hora de voltar. E eu também preciso achar alguém, uma pessoa com quem não consigo parar de pensar há mais de um mês. Ela está completamente na minha mente: seu corpo, seus olhos, ah, sua boca, ela é absurdamente perfeita. Mas o pior de tudo é que eu não sei seu nome e, assim, não consegui arranjar nenhuma informação sobre ela. Eu até fui um pouco grosso quando vi a camisinha rasgada, mas isso ela supera; eu quero conhecê-la, quero a levar para jantar propriamente, a conehcer de verdade, ouvir sua voz direito, ver seu olhar atrevido mais uma vez. — O senhor Álvares exige uma publicação sobre a ajuda dele na construção das lojas Russo em seu país — diz seu tradutor, e eu seguro a risada. Ah pronto, o velho me levou para conhecer alguns lotes vazios e acha que devo publicar sobre isso. Ele fez o trabalho que um corretor ou taxista faria, e nem foi de graça, porque eu tive que pagar por esse tour m*l feito, eu posso ser muito legal e bonzinho, mas i****a eu não sou, nem burro para cair em golpes assim, ainda mais não pensados. — Desculpe, mas não vamos publicar nada disso. Eu sou grato por ter sido apresentado a esses lugares, mas isso não foi um contrato, apenas um favor — sou claro, e o tradutor repassa. — Obrigada por tudo e até a próxima — me levanto oferecendo minha mão para o senhor, que mesmo com cara feia, se levanta e aperta a minha. Eu não quero passar mais uma noite nesse país; tem muitas coisas me esperando. Mando mensagem para a equipe do jato da minha família. Tudo bem que eles viriam amanhã mesmo, mas quero ir embora logo. [...] Coloco as malas no chão sorrindo e estranho não ter ninguém. Eu avisei que viria hoje; cadê minha festa surpresa? — MÃEEEEE — grito e escuto um vaso quebrar. Corro na direção do barulho e vejo minha mamãe. — Filho? O que está fazendo aqui? — ignoro sua falta de educação e a levanto em um abraço. Ela ri, e dou vários beijos nela. — Não estava com saudades de mim? Eu vou embora então — ameaço, e ela pega uma flor e me bate. — Não fala isso, eu estava arrumando tudo para você chegar amanhã, meu bebê — ela me olha com cuidado e reprova minha barba rala. — Não vai fazer isso não, mas era para você estar vindo amanhã. Comprei coisas para fazer seu bolo favorito, íamos fazer um evento e apresentar você para nossos sócios e colaboradores. — Nós podemos fazer esse bolo agora? — peço, e ela me olha animada. — Quando você diz "nós", quer dizer eu fazer e você lamber a cobertura? — assinto com a cabeça, e minha mãe ri. Ela é um amor de pessoa e sabe que eu não tenho talento na cozinha. Pela diferença de idade, minha mãe me criou de forma diferente. Tenho 25 anos e meus irmãos têm 30 e 35. Ela não me ensinou a cozinhar como ensinou a eles porque queria que eu fosse menos maluco que eles. Não sei por que, mas parecia que eles faziam competição ou algo do tipo. Além disso, ela não me deixava ver TV nem ficar lendo revistinhas; graças àqueles babacas, fui podado. — Vou tomar banho e já volto — falo e me viro, mas piso nos cacos de vidro. Ergo minha mãe, fazendo-a rir, e a coloco em cima da pia. — O que está fazendo? — ela pergunta. — Indo limpar o chão. Você pode se machucar, então fica quietinha — respondo. Ela resmunga, mas ignoro, pegando a vassoura e varrendo os microvidros. Me abaixo com a pá e jogo tudo em uma caixa de papelão pequena para ninguém se cortar. Pego um pano e produto de limpeza, passando apenas para garantir. — Você sabia que eu podia ter chamado a empregada ou eu mesma ter limpado, né? — ela pergunta brava, pulando da pia, e dou risada assentindo. — Estava com saudade de fazer algo. Aliás, preciso da sua ajuda, mãe. Quero achar alguma casa ou apartamento para mim; não posso ficar na sua casa para sempre. — Pode sim — ela fala triste, e n**o saindo da cozinha. Pego minhas malas e subo correndo. Abro a porta do meu quarto, sentindo o cheirinho de produto de limpeza. Eu amo ver tudo limpo e o cheirinho bom dos produtos. [...] Pego a espátula com calda de chocolate e, antes de colocar na boca, escuto a porta da frente ser aberta. — VOVÓÓÓÓ — minha sobrinha Olivia grita, e corro para a sala para vê-la. Ela arregala os olhos e corre até mim, me abraçando. — Que saudade, pequena humana — falo, e ela ri. Olho para meu irmão mais velho, que vem até mim me abraçando e batendo forte em minhas costas. — Ai, cassete — reclamo. — O que está fazendo aqui, maninho? — ele pergunta, e pego minha sobrinha no colo enquanto andamos para a cozinha. — Cansei de esperar e vim um dia mais cedo. E você, o que faz aqui? — A Olivia queria ver nossa mãe — ele diz, e minha sobrinha pula do meu colo, indo abraçar a avó. — Está fazendo bolo, mãe? — o Andrew pergunta, abraçando-a. — Sim, de cenoura com chocolate — respondo por ela, e quando vou pegar minha espátula com cobertura, meu irmão pega antes e lambe. — É meu! — Agora é meu — antes que eu brigue, nossa mãe pega outra espátula passando na cobertura pronta e me entrega. — Mimados — a Olivia fala, e mostro a língua para ela. — Vovó, olha seu filho — digo, e ela me puxa para o escritório do nosso pai antes que ele responda. Abro a porta, deixando-o entrar primeiro antes de fechá-la. — O que você quer? — Hipoteticamente, se eu quisesse achar alguém que só sei como é, mas não sei o nome e nenhuma informação, como eu poderia fazer? — Pegar imagem de alguma câmera do lugar que estava ou das ruas e procurar seu rosto na internet, mas só funciona com famosos ou criminosos que têm ficha na polícia. — Merda — me jogo na poltrona, e ele ri de mim. — Quer achar quem? — Uma mulher, não paro de pensar nela. — Olha o transtorno obsessivo aí. Se liga — ele fala me zoando, e jogo um livro nele, que desvia. — Pelo menos só tenho um transtorno diferente de você, que tem dois. — Tenho mesmo — ele dá de ombros, mas se senta à minha frente, ficando sério. — Você acha que realmente quer essa mulher? Tipo, não só para uma noite, igual o Antoni fez com a mulher dele. Você tem que conhecê-la. A Jade é muito legal. — Não sei, mas não paro de pensar nela há um mês. Conheci-a aqui na cidade em uma balada. — Tenta ir para lá. Quem sabe você a acha? — Hoje não, mas eu vou achá-la. Ela era linda, talvez seja modelo ou algo do tipo.
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