Correndo na Chuva

1288 Words
Julia narrando. Me sento cansada de ter que ficar buscando coisas em outros andares, pego minha garrafa, bebo água e escuto o Alec me gritar em sua sala: — JULIAAAAAA, VEM LOGO — Olho para Jade, que de sua mesa olha preocupada, mas tenta disfarçar. — Você já pensou em usar o telefone? — pergunto, abrindo a porta, e ele sorri. — Eu prefiro usar minha bela voz. Pode pegar aquela pasta para mim? — ele pergunta, apontando para a estante em sua própria sala, e reviro os olhos. — Você tem duas pernas e duas mãos, conseguiria ter pego. — falo, mas retiro a pasta e entrego-a mesmo assim. — Pode ir — ele fala sem me olhar, e piso com raiva. Ele é insuportável. E o pior é que eu terei que aguentar ele fora da empresa também. Ainda não sei como contar sobre a gravidez, não consigo imaginar sua reação. Tenho que saber como lidar com a situação primeiro. Eu nem consigo me entender de tanto hormônio da bipolaridade que a gravidez me deu, e ainda vou ter que fazê-lo entender como tudo rolou. Me dá preguiça só de imaginar. — Amiga, você tem algo de comer aí? — pergunto para a Jade, que olha para sua gaveta. — JULIAAAAA — meu chefe odiado me grita novamente, e bato a caneta na mesa levantando. Abro a porta dele com raiva dessa vez e sorrio falsamente: — O que foi, chefinho? — Vamos almoçar, agora — ele diz se levantando. — Mas eu vou almoçar com a Jade e o Antoni — aviso, e ele n**a com a cabeça. — Agora eu sou seu chefe. Vamos, minha Juli — ele tenta segurar minha mão, mas bato na sua, me afastando. Odeio que me chamem de Juli, e é bom ele parar; apenas deixo meu pai me chamar assim. Pego minha bolsa, marchando com raiva até o elevador, e pelo reflexo do espelho o vejo todo sorridente, um sorriso muito lindo para receber um soco. Passo a mão na barriga sentindo um friozinho; espero que pelo menos o olho azul do bonitão seja herdado pelo meu bebê. A idiotice eu não vou aguentar se esse bebê tiver: — Minha dama primeiro — ele fala, segurando a porta do elevador, e entro resmungando. — Eu não sou sua dama, senhor Alec. — Pode me chamar apenas pelo meu nome, Juli. — Você pode me chamar de senhorita Julia mesmo, obrigada — falo, não olhando para ele, que se apoia na parede de metal, me encarando. — Tudo bem, minha Juli. — Maluco — sussurro e escuto sua risada. — Melhor do que senhor. Pode me chamar assim se quiser. As portas do elevador se abrem no térreo e ele agarra minha mão, me levando até a saída. Vejo seus seguranças levantarem a postos. Sorrio percebendo como o tempo está antes mesmo de sairmos. Acho que finalmente o destino está a meu favor: — Que pena, maluquinho, está chovendo. Acho que vou ter que voltar para minha mesa — falo, me virando, mas ele me segura no lugar. — Não foge. Ele mais pede do que manda e começa a tirar seu blazer, me olhando. O que ele quer fazer? — Vamos para o restaurante do outro lado da rua. Toma — ele coloca o blazer em minha cabeça e dou risada, mostrando meus saltos. — Com esses bonitões aqui eu não vou correr no molhado não. Gosto muito dos meus ossos inteiros para me arriscar. Ele olha para os dois lados e se aproxima devagar, me fazendo recuar para trás. — O que está fazendo, senhor maluco? — Criando uma aventura — ele diz, sorrindo, e me levanta pelas pernas, me fazendo gritar. Esperneio o mandando me soltar e ele corre para fora. Sinto a chuva me encharcar no instante em que saímos do prédio. — Me solta agora, Alec, não estou brincando — falo brava, e ele ri contra minha cintura, atravessando a rua correndo. — Mas eu estou brincando — ele fala, me deixando furiosa. Seus seguranças param os carros quase fazendo-os bater. Sou finalmente posta no chão e ele me empurra para dentro do restaurante. Tento distribuir tapas nele, que segura meus pulsos sorrindo: — Antes de você bater, saiba que sou sadomasoquista e vou me apaixonar — ele diz, me deixando sem graça e um pouco excitada. Porque eu tinha que ser tão maluca? Isso nem foi um flerte decente e senti meu coração bater mais rápido. Ele lambe os lábios e pisco forte, voltando minha concentração para o mundo real: — Eu me molhei toda — falo, e ele levanta os braços, dando uma voltinha. — Eu também me molhei, mas valeu a pena. Vamos sentar — ele coloca a mão na minha cintura e tento tirar, mas seu aperto é resistente. — Alec — chamo sua atenção, puxando seus dedos que não descolam. — Juli? Aqui, querida — ele puxa a cadeira para mim e me sento com pressa no instante em que ele me solta. — Vão querer o quê? — uma senhora japonesa pergunta, não muito simpática, e ele sorri. — Minha senhora linda, vamos querer dois yakissobas mistos e dois sucos de laranja — ele fala, simpático, para ela, que abre um sorriso deixando seus olhos mais pequenos. — Na verdade, um suco de maracujá, por favor, e mais dois temakis, grelhados e com cebolinha — peço com vontade, e ela passa a mão em meu ombro antes de sair. Nunca tinha visto essa senhora ser tão gentil; acho que o Alec a conquistou em segundos. — Podemos nos conhecer? — o Russo mais novo me assusta com sua pergunta. — Conhecer? — coloco o cabelo atrás da orelha nervosa e ele assente, pegando minha mão por cima da mesa. Tento puxar de volta, mas ele a prende, entrelaçando-a com a dele. — Sim, vamos trabalhar muito tempo juntos, e — ele olha em volta antes de se aproximar mais e falar em tom super baixo — eu posso conhecer o seu corpo maravilhosamente. Conheço seu interior quente e macio, mas quero conhecer seu intelecto e pensamentos hoje. Engulo em seco, sentindo minha boca secar e minha v****a molhar. Não posso ser tarada nesse momento. Tem muita coisa em jogo. Puxo minha mão dele com força e pego os talheres, brincando com eles nervosa: — O que quer saber de mim? — Aonde você mora? — Em uma casa — respondo, sorrindo, e ele revira os olhos. — Tá legal, eu vacilei nessa pergunta... Qual sua série favorita? — Grey's Anatomy. — A que tem pregação no hospital e todo mundo morre? — assinto, olhando em volta, e ele tosse, chamando minha atenção. — Qual sua comida favorita? — Hambúrguer, com muito queijo e molho — falo, e ele sorri em transe, parece que está em outro lugar junto com seus pensamentos. — Aqui, bonitão — a senhora fala, trazendo nossos pedidos, e vejo o suco do Alec com um canudo de coração. — Obrigada, minha linda — ela sorri para ele antes de se retirar. — Tim-tim. Ele bate nossos sucos, bebendo, e pego um temaki, sorrindo boba. Fecho meus olhos saboreando; que delícia. Acho que um temaki nunca foi tão gostoso como agora. — Bom mesmo — ele fala, me trazendo de volta para a realidade. — Isso é meu — tento pegar meu outro temaki de volta, mas o Alec se afasta comendo e bloqueia minhas mãos com seu braço. — Larga de ser egoísta. Um temaki só, mulher. Parece que passa fome. Não aguento ficar brava e começo a rir dele: — Você é surtada e bipolar — ele constata, pensativo. — Gostei de você.
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