Alec narrando.
A olho atentamente, sentindo meu estômago esfriar de nervosismo, minha pele formiga animada e sinto a eletricidade por todo o meu corpo. Seguro em seu braço com medo dela fugir e se afastar de mim; demorei tanto para encontrá-la e não quero perdê-la novamente. Aprecio seu perfume, sentindo o aroma mais perfeito. Sorrio bobo, admirando seu vestido bonito; ela parece estar diferente da última vez que a vi, mais bonita talvez.
— Se você não soltar meu braço, eu juro que arranco sua mão com meus dentes — ela fala, sorrindo e tentando me assustar.
— Desculpa, me excedi — disfarço meu sorriso e afrouxo minha mão nela.
Meu coração me trai, ficando totalmente acelerado, e tento não demonstrar minha excitação por vê-la. Acho que nunca fiquei tão feliz e animado por ver alguém. Julia, seu nome é tão perfeito e doce, doce demais para minha fera animada. Minha mãe me contou um pouco sobre ela ontem e eu não fazia ideia de que seria ela... a mulher em que eu tanto pensei. E hoje, quando fui falar com meu irmão e conhecer minha cunhada, eu a vi. Para minha surpresa, ela será minha secretária. O destino é maravilhoso comigo.
Meu pai disse antes que ele e minha mãe têm um grande carinho pela Júlia, e para melhorar, acabo de descobrir que ela também é
amiga da minha cunhada. Está melhor do que qualquer coisa que eu imaginei.
Abro a porta do meu quarto e ela retira sua pele do meu toque, me deixando com um vazio e ansiedade para tocá-la novamente.
— Nunca mais encoste em mim, seu surtado — ela manda e eu ignoro.
— Eu nunca imaginaria que você seria minha secretária — digo, fazendo uma cara sedutora.
— Vai me acusar de golpe de novo? — ela pergunta, irônica. — Porque eu já trabalho para seu pai há anos, e nunca imaginei que
você, o gostosinho da balada, seria filho dele.
Gostosinho? Eu sou gostosão, como ela ousa me chamar apenas de gostosinho?
— O que quer saber, senhor Alec? Eu tenho pressa e qualquer assunto profissional pode ser tratado na empresa, depois — ela fala
séria, mas pelos seus dedos que tremem, vejo sua ansiedade.
— Eu achei que nunca mais ia te encontrar — sorrio, me apoiando em meu cômodo, e ela troca o seu peso para a outra perna.
— O que quer dizer com isso?
— Que eu pensei em você todo esse tempo. E você? Foi apenas uma noite, mas... — ela ri, cortando minha fala.
— Bem falado, foi apenas uma noite. Eu espero que você não me demita por isso, porque se não... — a corto, começando a falar
sério. — Por que você tem tanta raiva de mim?
— Eu jamais faria isso. Olha, toda essa sua recepção à minha pessoa é por aquilo que eu falei do golpe quando a camisinha rasgou?
Eu nem te conheço e assumo que fui errado. Me... — sinto meu orgulho chorar, mas minha vontade de tê-la por perto é maior. — Me
desculpa, Julia.
— Só vamos ignorar tudo isso, Alec Russo. Agora sou apenas sua secretária — ela anda em direção à porta com raiva, mas seguro
em seu pulso, fazendo-a parar. Me levanto, ficando atrás dela, passo a ponta dos meus dedos pela sua pele exposta dos braços e
seguro em sua cintura.
— Você não pensou em mim em nenhum momento? — falo baixo, perto de seu ouvido, e pelo espelho a vejo sorrir.
— Não, estive ocupada pensando em outra pessoa — sinto meu tapete ser completamente puxado.
— Você... tem alguém?
— Tenho. Você não foi nada comparado à importância dessa pessoa. Foi apenas uma noite.
— Você gosta dessa pessoa? — sinto meu sangue ferver e tiro as mãos dela, fechando em punho.
— Eu amo. Até a empresa, senhor Alec, hoje não sou sua funcionária ainda.
— Você ficou com outro logo após a gente?
— Não existiu a gente, foi apenas sexo de uma noite, bebê, e tive um grande cardápio depois daquela noite — ela fala e fecho os
olhos, balançando a cabeça, não querendo imaginar a cena.
Ela sai e não tento impedi-la. Me sento na cama, desnorteado. Como pude querer tanto alguém que não pode ser minha? Foi apenas
um mês que eu fiquei fora e ela já ama outro? E dormiu com outros também, pela sua expressão. Não consigo entender. Tudo bem
que eu, há meses atrás, também tinha uma vida s****l agitada, mas... como pode ser possível eu ter sentido falta e pensado tanto nela
se parece que nem a abalei?
Soco meu colchão com raiva e me levanto, saindo do quarto. Isso não vai ficar assim. Eu quero saber quem é. Ela vai ter que me
provar que ele é melhor que eu. Que ele pode fazer ela gozar mais fortemente. Eu não estou nem planejando um casamento ou algo
do tipo com ela, só quero uma chance, nem que seja um jantar com ela.
Quando chego na escada, vejo ela limpando uma lágrima e estranho todos estarem em silêncio, mas ignoro, indo atrás da Julia.
— Juli — a chamo e ela corre para perto do meu irmão e da minha cunhada.
Tento ir junto, mas meu pai me segura.
— Filho, vem aqui — ele sorri disfarçando e olho para a Julia, não querendo perdê-la de vista. — Vai falar com os convidados agora.
Fizemos essa festinha para você conhecê-los.
— Agora não, preciso falar com a Julia — digo e tento ir, mas ele me segura pelo pescoço.
— O que pode ser tão importante para deixar de falar com os outros?
— Ela é a mulher que te contei, pai, que eu pensei durante todo esse tempo. Eu tentei falar com ela, mas ela disse amar outro, e pelo
que falou, eu nem fui importante.
— E o que você pretende fazer agora?
— Eu quero que ela me dê uma chance. Ninguém pode ser melhor do que eu em apenas um mês. Eu quero provar isso para ela.
— Errado, pelo jeito nenhum dos meus filhos veio igual a mim.
— Tirando a loucura, o que aconteceu? — minha mãe pergunta e pego a taça dela, bebendo, enquanto meu pai a interage sobre o
assunto.
— Então, agora posso largar os convidados para ir falar com ela?
— Nem pensar, vai estragar tudo assim. Você tem que tratá-la bem nos outros dias na empresa, ir conquistando-a aos poucos e
mostrar que é o cara certo. Enquanto isso, eu descubro quem é esse tal homem que ela citou, isso se existe mesmo — minha mãe fala
e bato o pé no chão.
— Mas aí vai demorar, mãe — fico emburrado e ela dá de ombros.
— Então faz ela te odiar. Aí vocês se pegam, que eu não vou dar detalhes, e depois ficam apaixonados e felizes. Se ela te bater ou
esfaquear, pode ter certeza que dura para sempre — minha mãe fala e eu sorrio, tendo ideias.
— Não — minha mãe bate em nossas cabeças, me fazendo resmungar.
— Essa p***a dói — ela me belisca pelo palavrão e xingo mentalmente.
— Vocês sejam normais uma vez na vida. Agora vão procurar o que fazer e falar com esse povo todo — ela manda e meu pai
obedece, saindo, p*u mandando.
— Mas mãe — ela faz sinal de boca fechada e suspiro, batendo o pé no chão. Tento fazer carinha pidonha e ela cede um pouco,
segurando o sorriso.
— Tudo bem, eu vou tentar descobrir algo com ela e depois te falo — a abraço, rindo e beijando seu rosto.
— Te amooo, mamãe.
— Interesseiro.
Ela me acusa, rindo, mas não reclama dos beijos que dou em sua bochecha.