O toque de Mayara em Milena foi como um raio cortando um céu carregado. Por um instante, tudo pareceu silenciar — o campo de batalha, os guardiões, até mesmo a escuridão. Foi nesse exato momento que a magia dentro de Milena tentou escapar. Fugir. Correr.
Era como se o toque de Mayara tivesse ativado uma força ancestral, e a magia n***a, sentindo-se ameaçada, começou a se contorcer violentamente no corpo de Milena, tentando escapar por onde fosse possível. Os olhos da jovem escureceram ainda mais, e seu corpo começou a levitar de leve, como se estivesse sendo puxado para longe dali, por mãos invisíveis feitas de trevas.
Mayara sentiu a energia pulsar contra seus próprios dedos. Não era só magia. Era dor, angústia, ódio condensado ao longo de anos. Mas ela não se afastou. Em vez disso, lembrou-se de uma antiga lição, um ensinamento que tivera com Aurora em uma de suas noites de aprendizado. Uma magia seladora. Uma que não destruía... mas contia.
— Magia que se contorce, se esconde e se alastra... eu te vejo. Eu te reconheço. E agora, eu te contenho, murmurou Mayara, firmando os pés no chão.
Com as mãos em posição, ela traçou no ar um antigo símbolo de selamento: três círculos entrelaçados com um fio de luz dourada. Do centro do símbolo, surgiu um pequeno vórtice translúcido, e ali, com um movimento cuidadoso, Mayara canalizou parte da escuridão que emergia do peito de Milena. A magia resistiu, guinchou como um bicho ferido, mas não teve escolha. Ela foi sugada para dentro daquele espaço brilhante, que logo tomou a forma de um pequeno recipiente feito de cristal mágico, pulsando em roxo e n***o.
Era como um pote de essência. Um fragmento vivo da escuridão de Milena, agora separado do todo. Contido. Estudável.
Mayara caiu de joelhos logo após o feitiço se completar. Estava ofegante. Exaurida. Mas com os olhos cheios de convicção. Sabia que aquele gesto podia ter salvado Milena... ou, ao menos, dado uma chance.
— Isso vai nos ajudar... a entender o que há por trás dessa escuridão, sussurrou para si mesma, olhando para o frasco encantado.
Milena, ainda inconsciente, caiu ao chão como uma folha em outono. Suas feições agora estavam menos tensas, menos sombrias. Mas a batalha estava longe de terminar. As criaturas sombrias que ela havia conjurado antes ainda lutavam contra os doze guardiões — e um novo rugido ecoou ao longe, mais profundo, mais antigo.
Mayara levantou-se devagar, escondendo o frasco dentro de sua capa. Havia muito a descobrir sobre aquela magia, e talvez, mais do que nunca, ela precisasse entender de onde vinham as trevas... para então derrotá-las