A floresta estava diferente.
Não era mais apenas um lugar onde Mayara buscava refúgio. Agora, era parte dela. Sentia cada raiz pulsar sob seus pés, cada folha tremer com sua respiração. Desde que realizara a união dos Guardiões, algo havia mudado de forma irreversível.
Ela era a ponte entre os mundos. A esperança viva da magia ancestral.
Mas havia mais a fazer.
Os sussurros da floresta guiavam seus sonhos, e em um deles, viu a si mesma retornando às ruínas de um antigo castelo, coberto por vinhas e silêncios. Ali, seus pais tinham vivido. Ali, a primeira guerra contra os caçadores de magia havia começado. E ali, seria o recomeço.
— É hora — disse ela para Arleo naquela manhã, os olhos firmes, porém serenos. — Quero reconstruir onde tudo começou. Não quero alianças com homens que não respeitam o poder da floresta. Quero um lar para nós. Para todos os mágicos.
Arleo assentiu, segurando sua mão. — Onde você for, eu estarei com você. E onde você erguer esse reino, será minha casa também.
Mayara partiu com um grupo pequeno: os doze guardiões, Arleo, Kael — já curado, embora com uma cicatriz mágica no peito — e Milena. Sim, Milena. Agora mais calada, mais pensativa. Mas com um brilho nos olhos que antes não havia. Carregava suas sombras, mas agora... também carregava a promessa de se transformar.
Quando chegaram às ruínas, a emoção foi imediata. O castelo antigo estava quase engolido pela natureza, mas ainda havia colunas com inscrições, pedras que reconheciam seu toque, fontes que voltaram a brilhar assim que ela se aproximou.
— Eles estiveram aqui... — sussurrou Mayara, acariciando uma parede coberta de musgo. — Meu pai... minha mãe...
Naquela noite, acenderam uma fogueira sagrada no coração do antigo salão do trono. Ali, ela declarou, diante dos guardiões, da floresta e das estrelas:
— Aqui será nosso novo reino. Um lar para elfos, druidas, fadas, dragões e qualquer ser mágico que deseje viver em paz. Seremos um refúgio, uma força silenciosa que protege o equilíbrio.
Durante o ritual, as marcas nos punhos dos doze brilharam em uníssono. E nos dois punhos de Mayara, as runas se tornaram uma só, como se fundissem todas as essências.
Ela era a união.
Era o elo.
E ao final do ritual, quando se ajoelhou para agradecer à floresta, a terra sob seus joelhos se abriu como uma flor. De lá surgiu uma semente dourada, pulsante.
— O coração do reino — sussurrou Kael.
— A semente da nova era — completou Milena, com lágrimas nos olhos.
Mayara a olhou com carinho e disse:
— Você faz parte disso também, Milena.
A jovem hesitou, mas depois assentiu. E ali, no templo reconstruído de suas memórias, o novo Reino da Floresta nasceu.
Não com guerra. Mas com amor.
Com esperança.
Com luz.
E com sombra também — pois agora, as duas podiam caminhar juntas.
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