Capítulo 11– Chamado das Raízes

529 Words
Novo Arco – O Coração da Tempestade O retorno do templo foi silencioso. Cada passo de volta parecia mais pesado, como se os pés carregassem não só os corpos, mas também as verdades recém-descobertas. A floresta, viva e antiga, sussurrava de forma diferente agora — não mais como um lar que acolhe, mas como um campo que se prepara para resistir. Mayara sentia sua conexão com as árvores intensificada. Em cada galho, ela escutava vozes. Em cada raiz, sentia o pulsar da terra. Era como se o templo tivesse acordado uma parte ainda dormente dentro dela: a capacidade de ouvir a floresta como uma mãe, uma irmã, uma aliada. Na clareira dos doze, o grupo se reuniu novamente. Havia mais do que apenas determinação nos rostos — havia urgência. — Vi o inimigo — disse Mayara, de pé diante da fogueira central. — Não sei seu nome, mas ele é mais antigo do que a guerra. E ele quer nos apagar. Leia apertou os lábios. — Como podemos lutar contra algo assim? Arleo, ao lado de Mayara, respondeu: — Começamos pela união. E pela preparação. Foi então que Elowen propôs: — Devemos formar os três círculos de defesa. Cada um de nós ensinará algo: combate, magia, estratégia. Vamos treinar não apenas entre nós, mas também aqueles que quiserem lutar ao nosso lado. Nos dias seguintes, a clareira transformou-se. Barracas foram erguidas, trilhas marcadas, e pequenos campos de treino surgiram entre as árvores. A Floresta Velha, outrora reservada apenas aos mais antigos, agora se tornava escola e bastião. Mayara passava seus dias entre aulas de conjuração e longas meditações com Theren. Ele a ajudava a controlar o fluxo mágico que corria em suas veias. Já não bastava sentir — ela precisava comandar. As marcas douradas em seus braços agora se estendiam para os ombros e parte do pescoço, parecendo raízes luminosas que dançavam com seus movimentos. Quando canalizava energia, suas unhas gotejavam pequenas centelhas douradas. A cada vez, a transformação se tornava mais bela... e mais temida. Arleo, por sua vez, treinava um grupo de jovens guerreiros. Com sua espada marcada pela promessa, ele era um símbolo — o Guardião da Filha da Floresta. Mas à noite, quando todos dormiam, era apenas Arleo, sentado ao lado de Mayara, trocando palavras baixas e beijos suaves sob as estrelas. Enquanto isso, em uma cabana afastada, Milena caminhava de um lado para o outro. Kael a observava, paciente. — Você está tentando ignorar o que sente por ele? Ou por mim? — ele perguntou. Milena parou. Seus olhos, ainda marcados pela escuridão, agora brilhavam com outra luz. — Eu estou tentando entender quem eu sou sem precisar odiar alguém. Kael sorriu. — Esse é o primeiro passo. Naquela noite, Milena olhou para a floresta pela primeira vez sem desejar destruí-la. E pela primeira vez, a floresta não a temeu. Mas enquanto o acampamento crescia e a força dos aliados se consolidava, uma presença antiga se movia nas profundezas do norte. O ser de olhos brancos, cuja existência era feita de esquecimento e silêncio, erguia seus servos com o sangue de reis antigos. Seu exército caminhava. E ele sussurrava um único nome: — Mayara...
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