Texto 8:
Orgulho
Eu tenho orgulho de você, menina
Dos seus cabelos escuros em algumas fases, illuminados em outras
Dos seus cabelos curtos em alguns momentos (raros), e longos na maior parte do tempo
Eu tenho orgulho de você, menina
Das horas que você sente uma alegria indefinida e que, por ser indefinida, logo se vai com o vento
Das suas alegrias com definições exatas e do seu jeito de extrapolar a gargalhada quando essas acontecem
Eu tenho orgulho de você, menina
Quando você se anula pelo outro porque deseja desenfreadamente o amor dele, e faz o que não gostaria, para agradar
Mas eu tenho ainda mais orgulho de você, menina
Quando se prioriza, segue seus instintos e vai embora
Eu tenho orgulho quando você sente medo e enfrenta
Mas não menos quando você se sente acuada e mostra sua vulnerabilidade
Eu vejo como você sempre dá um jeito mesmo quando pensa que não tem mais como ir adiante
Eu tenho orgulho de você, menina
Quando você alcança os objetivos que te dão na telha e que, por agoniada que é, os persegue com voracidade até conseguir
Admiro ainda mais, quando você sabe a hora de parar
Não deixo de admirar quando você não para porque, de alguma maneira, ainda faz sentido mesmo que você quebre a cara e descubra que fazia porém, só tempos depois
Eu tenho orgulho de você, menina
Quando consegue enxergar que não se enxergava
E ainda mais encanto quando você se dispõe prontamente a tentar mudar quando enfim enxerga
Eu tenho orgulho de você, menina
Quando tenta
E não sinto menos orgulho, quando desiste no caminho por não aguentar
Eu te admiro, mulher
Porque você, assim como flor, está desabrochando em seu próprio tempo.