Boas novas
Tenho mania de sempre escrever sobre as dores, sobre aqueles assuntos que nos atravessam e trazem algum pesar, uma angústia aqui e ali. Reflexões que emergem de um labirinto de devaneios; profundos ou rasos. Eu gosto de falar da caminhada, das percepções como um todo. É importante também falar das boas percepções. Jesus trazia boas novas e eu, que Nele me inspiro, sabendo que sou só gota diante do oceano de quem Ele é, queria trazer as minhas boas novas.
Eu ainda me lembro da época em que ser amada por alguém, um outro ser humano, um outro, do gênero masculino, era uma ânsia, um objetivo claro e muito específico, que eu buscava atropelando todos os riscos, todos os maus sinais. Me atropelando. Me atropelava porque não me reconhecia.
Era como olhar no espelho e ver um borrão: você não se reconhece e, por não reconhecer-se, não há como criar um vínculo com essa figura disforme.
Hoje eu me descreveria como atenta. Atenta e forte, como aconselharia Gal. Ao que me cerca, às chegadas e as partidas, ao que me traz fascínio, mas que pode brilhar só de longe. Agradeço ao tempo. A Deus. Ao meu processo. Agradeço a mim, por não ter desistido, mesmo tendo cogitado tantas vezes.
Por ter me implicado tão arduamente em minhas inúmeras análises pessoais. Análises do mundo e de mim.
Do mundo de fora e o de dentro. Hoje, ambos dançam juntos, em um ritmo leve e envolvente. E eu aprecio a música e a dança; sentindo-as como espectadora, enquanto escrevo essas palavras. Também sentindo-as como atriz/dançarina protagonista, em minha atuação que sempre se transforma.