ɱɛ pɛʀɗѳɑ

2889 Words
¢hēງคr em casa depois daquela discussão foi a pior sensação que já tivera na vida, seu kwami gritava com ele sem parar, falando em como estava orgulhoso pelo soco dado naquele mimadinho que queria roubar sua garota, o parabenizando por aquilo, assim como também o xingava de todas as formas por tê-la tratado daquele jeito, insistindo em como ela não merecia aquilo. Ele sabia bem o quanto havia sido um babaca insensível, um crápula, um verme asqueroso que não merecia perdão, machucara mais uma vez a única pessoa que se importava com ele de verdade, que o amava sem nem ao menos saber seu nome, sua fama ou seu dinheiro, ela o amava simplesmente por ele estar ao seu lado e agora estragara tudo uma vez mais. Sabia muito bem que ela poderia ter exigido que ele fosse embora para nunca mais voltar, ele merecia isso, mas cumpriria o que prometeu, não descansaria até ter seu perdão, torcendo com todas as forças para que conseguisse tê-la de volta também. A chegada do dia seguinte foi um tormento para ela, não conseguiu, por mais que tenha tentado, dormir depois que expulsara seu gatinho, doía demais ter feito aquilo, mas também doía muito ter passado por aquilo, ver seu primo levando aquele soco, por mais que merecido, foi triste demais de assistir e, o que aconteceu depois, não conseguia sequer definir direito como se sentia. Era mais do que só sentir m*l, os machucados não doíam tanto quanto o quão ferida por dentro estava, ele muito mais que só seu namorado, era seu companheiro, seu confidente, alguém em quem ela sentia que podia contar, agora o frágil cristal da confiança possuía uma pequena rachadura que ela não sabia como consertar. O final de semana passou se arrastando mais que o normal, Luka havia ido passar alguns dias com a mãe, o clima ali estava pesado demais para ele permanecer ali, pelo menos por enquanto, Marinette passou aqueles dois dias sem sair do quarto e os dois dias seguintes também, não queria ver ninguém, tampouco queria que alguém a visse, queria esperar que os machucados estivessem suaves o bastante para que pelo menos não estivessem tão visíveis. Por mais que quisesse vê-la de qualquer jeito, o loiro sabia que não poderia visitá-la, não enquanto ela ainda estivesse tão magoada ao ponto de sequer deixá-lo entrar, algo que ele sabia ser uma coisa certa de acontecer, conhecia seu gênio bem o bastante para saber que ela precisava se acalmar, para ao menos ouví-lo, mesmo que depois não o quisesse ver mais. Mais alguns dias se passaram e, quando finalmente ela voltou para o colégio, ele em um primeiro momento ficou em puro êxtase, a felicidade quase fazia seu coração explodir dentro do peito, mas isso só até ela se sentar e ele se sentir muito pior que antes. Suas olheiras eram tão profundas que, mesmo com muita maquiagem, ainda era possível notá-las facilmente, seu olhar triste era de cortar seu coração, queria muito puxá-la para seus braços e dizer que tudo iria ficar bem, que se arrependia por tudo e que a amava demais para vê-la daquele jeito, mas infelizmente não poderia fazer isso, não podia fazê-la pensar que estava brincando com seus sentimentos, que a maltratava de um lado para consolá-la do outro, por isso se resignou a ficar sentado em seu lugar, vendo-a sofrer em silêncio, enquanto arquitetada planos de como reconquistá-la. Três semanas haviam se passado desde o tal jantar, onde tudo entrara em declínio mais uma vez, ele já não sabia mais o que fazer, já tentara de diversas formas falar com ela, lhe mandar um recado e flores, porém sua janela permanecia trancada, assim como seu coração, até quando Plagg fora sozinho tentar conversar, ela se recusou a ouvir. O cordão que ele lhe dera quando começaram a namorar já não se encontrava mais em seu pescoço, o que para ele era mais um sinal de que por ela não haveria mais volta, mas ele era persistente, não iria desistir, não ainda, foi difícil assumir para si mesmo a fonte real do sentimento que nutria por ela, foi literalmente necessário que quase a perdesse para enfim compreender a extensão de tudo aquilo. Não, ela era sua vida e não a deixaria partir assim, então deixou passar mais uma semana enquanto organizava seu plano, talvez fosse sua última oportunidade, precisava ser tudo perfeito. Para ela as coisas não estavam sendo fáceis também, tudo à sua volta a fazia lembrar daquele gato vadio que tocou seu coração e, sem sua permissão, se instalou ali de tal forma que era impossível, por mais que quisesse e tentasse, se livrar dele e de todo aquele sentimento. Seu quarto, antes repleto de fotos de sua paixonite, virara um ninho de amor e aconchego, cada pedacinho com uma lembrança de um beijo, um toque ou uma boa risada, fora todas as vezes em que ele fora para apenas lhe fazer companhia. Ficara tão revoltada com tudo o que houve, que depois que ele foi embora, simplesmente arrancou o cordão do pescoço e o jogou longe, quebrando seu fecho, não se importava com nada naquele momento, nem mesmo no filete de sangue que escorrera pelo corte que o movimento brusco lhe causara, apenas se jogou na cama, sem ao menos se preocupar em colocar uma roupa, só se entregou às lágrimas de frustração que escorreram copiosamente até fazê-la cair no sono. Por dois dias não saiu do quarto, por mais alguns não quis falar com ninguém, a ida de seu primo para a casa da mãe poderia ser considerada um alívio, mas não foi assim que se sentiu, sentia falta daquele irmão que sempre a protegia mas ele não estava mais ali, ele era outra pessoa, o que a fez sofrer também. Demorou algum tempo para voltar ao colégio, mas mesmo assim foi, sem aquilo que sempre levava consigo e que a fazia lembrar daquele que a fez ver o mundo de outra forma, com novas cores que nem suspeitava que existiam e que agora eram uma companhia constante de seus dias. Por diversas vezes ele tentara contato, indo pessoalmente ou mandando Plagg em seu lugar, a janela trancada não o impedia de entrar e tentar de toda as formas conversar com ela para enfim dar um fim à tudo aquilo, mas ela sempre negava aquele pedido, sempre repetindo que ainda não estava pronta para falar com ele. Na noite em que completariam um mês separados, subiu as escadas sentindo o corpo pesado de tristeza, mesmo que tentasse disfarçar aquilo para todos que a rodeavam, mas aquela noite seria diferente. Pouco depois de entrar no quarto e se arrumar para dormir, ouviu um barulho na janela, a princípio pensou que poderia ser apenas o vento, o que era normal às vezes, mas o barulho ficou mais persistente, irritante até, queria poder ignorá-lo, mas ele não parava, então acendeu o abajour e se levantou com toda boa vontade, só que não, para ver do que se tratava, para então ter uma grande surpresa. Chat- Abre pra mim princesa. Não podia acreditar no que via, por mais que ninguém além dele fosse capaz de subir em sua janela, estava tão abatido quanto ela, se não mais, os cabelos muito mais bagunçados que o normal, olhar triste e as garras tocando o vidro. Marinette- Por que eu deveria? Chat- Precisamos conversar. Marinette- Acho que já falamos tudo naquela noite. Chat- Não, você simplesmente decidiu que precisava de um tempo sozinha, como você estava nervosa, eu respeitei sua opinião, mas já se passou um mês, é tempo suficiente, não aguento mais esperar. Marinette- Pois eu ainda estou pensando. Chat- Me deixe entrar princesa, tudo o que vivemos não pode acabar assim. Marinette- Não Chat, é melhor deixar do jeito que está. Chat- Pois eu não acho. Marinette- É uma pena, porque não vou abrir, então você já pode ir. Chat- Se você não abrir, eu vou ser obrigado a dar um basta nisso e...acredito que seus pais não ficariam muito felizes em ver a janela destruída pela manhã. Marinette- Você não faria isso... Chat- Quer mesmo arriscar?- perguntou mostrando a garra sem medo. Ela ficou parada, vendo-o do outro lado, ele não seria capaz de fazer aquilo só para falar com ela, seria muita estupidez, muita ousadia, ele não iria destruir aquela janela só para isso, qualquer pessoa teria o mínimo de consciência para não se deixar levar pelos sentimentos assim e... Pera. É do Chat Noir que estamos falando, alguém que, por mais que seja um herói e tudo mais, é TOTALMENTE guiado pelos sentimentos. Assim que ela se deu conta disso, correu até a janela e a destrancou, indo o mais rápido que podia, tendo ainda o vislumbre da garra em posição, pelo jeito ele era mais louco do que ela pensava. Marinette- Pronto. Fala logo o que você quer c*****o- ordenou dando um passo para trás para que ele pudesse entrar. Chat- Caramba, eu m*l chego e você já quer falar com ele assim?- perguntou apontando para a própria calça- Pensei que fosse me oferecer um vinho antes ou algo do tipo mas...por mim tudo bem. Ela pôde vê-lo levar as garras até o cinto, com o intuito de soltá-lo, sua respiração ficou presa na garganta com aquela possibilidade, pensou em como ele não seria capaz daquilo mas...ainda estávamos falando do mesmo gatinho s*******o de antes, sabia que ele seria capaz daquilo e de muito mais. Marinette- Hahaha, sem graça isso. Chat- Antes você ria das minhas piadas... Marinette- Isso foi antes. ANTES DE VOCÊ ME FAZER SOFRER COMO EU NÃO TINHA SOFRIDO ANTES, NEM MESMO QUANDO ACONTECEU TUDO AQUILO COM O MODELINHO e******o, COMO VOCÊ MESMO O CHAMA! VOCÊ TEM IDÉIA DO QUE ME FEZ?! VOCÊ DIZIA QUE ME AMAVA E MESMO ASSIM FEZ AQUILO TUDO COMIGO, FEZ EU ME SENTIR SUJA, USADA COMO UM MERO BRINQUEDO!- gritou empurrando-o até colocá-lo literalmente contra a parede batendo com força em seu peito. Chat- Mas eu te amo... Marinette- NÃO FOI O QUE PARECEU! VOCÊ ERA A PESSOA QUE EU MAIS CONFIAVA, MAIS AMAVA, MAS CONSEGUIU DESTRUIR TUDO ISSO COM CIÚMES! Chat- Princesa... Marinette- PRINCESA É O c*****o! EU NÃO SOU E NÃO VOU DEIXAR VOCÊ ME TRANSFORMAR EM UM BRINQUEDINHO QUE USA PRA EXTRAVASAR QUANDO FICA PUTINHO! EU SOU UMA MULHER COM SENTIMENTOS, NÃO UMA BONECA QUE VOCÊ PODE USAR COMO BEM ENTENDER! AMOR É MUITO MAIS QUE ISSO! Chat- Eu sei disso tudo, sei que sou um basta mas tô arrependido. Marinette- ARREPENDIDO?! AGORA É FÁCIL FALAR! EU DEVIA TE EXPULSAR À VASSOURADAS! DEVIA... Chat- DEVIA O QUÊ?! FALA!- gritou quando conseguiu se mover e inverter as posições, deixando-a com as costas contra a parede, ambas as mãos seguras acima da cabeça- SE VOCÊ QUISER MESMO QUE EU VÁ É SÓ DIZER, MAS ANTES VAI ME DEIXAR EXPLICAR TUDO! Ambos estavam exaltados demais, ele podia ver o medo em seus olhos, os mesmos olhos que ele amava ver brilhando pelo amor que partilhavam, estava tudo errado, não era para ser assim, se aquilo continuasse desse jeito tudo que ele pensou em fazer teria sido em vão. Abaixou a cabeça, não queria ter chegado àquele ponto, não havia mais volta se continuasse assim. Chat- Eu...sei que fiz muita merda, estou fazendo de novo p***a, mas...eu só queria poder falar com você. Marinette- Fala o que você quer, tenho mais o que fazer. Chat- Mais importante que falar com o seu gatinho?- perguntou se aproximando lentamente, as garras puxando-a para si pela cintura, sentindo-a tremer levemente, talvez...nem tudo estivesse perdido. Marinette- Eu... Chat- Não se preocupe princesa, não vou fazer nada que você não queira- falou soltando-a e olhando em seus olhos- Só quero te levar daqui e te mostrar uma coisa. Ela ficou calada por longos segundos, deixando ocorrer uma pequena aproximação dele, os olhos ainda nos seus, a garra erguendo seu queixo, seus lábios entreabertos, o perfume que ela tanto amava invadindo suas narinas. Era muita tentação de uma vez só, não poderia se deixar levar tão fácil assim, por mais que sentisse seu coração bambear um pouco. Marinette- E se eu disser não? Se eu não quiser te acompanhar?- perguntou se afastando com muito esforço. Chat- Vou ficar bem triste mas, é SUA escolha, você decide vir ou não. Mais uma vez ela ficou calada, não sabia o que fazer, seu coração dava cambalhotas em seu peito enquanto a mente trabalhava a todo vapor, não tinha certeza de mais nada, ele notou sua indecisão e se preparou para ir embora, não iria forçá-la a nada, se ela quisesse mais tempo, não iria mais insistir, deixaria que ela tomasse as próprias decisões. Porém, quando deu alguns passos para se afastar, foi surpreendido pela mão delicada segurando sua garra. Marinette Espera. Chat- Fala princesa. Marinette- Eu...quero ver o que você quer me mostrar. Aquela resposta fez com que ele quase saltasse de tanta felicidade, não havia coisa melhor para ouvir naquela noite, pelo menos por enquanto. Chat- Então é só fechar os olhos e confiar em mim. Você ainda confia?- perguntou ao pegá-la nos braços. Marinette- Confio. A viagem não foi muito longa, pelo menos não para ele, estava gostando de tê-la mais uma vez em seus braços que ainda demorou um pouco para soltá-la quando chegaram, sentindo muito frio ao não ter mais os braços em volta de seu pescoço. Chat- Espere aqui- pediu colocando-a com cuidado no chão frio, indo terminar os últimos detalhes antes de deixá-la sair de onde a colocara. Ele agiu o mais rápido que podia enquanto ela o aguardava, tudo precisava estar perfeito, nada menos do que isso era aceitável, não podia se dar ao luxo de não agradá-la do jeito certo nessa tentativa de demonstrar o tamanho de seu amor e da falta que ela lhe fazia. Depois de longos minutos, tão longos que ela estava a ponto de bater os pés impaciente, mas se segurou e não demonstrou nada, ele se aproximou, pegando sua mão com incrível delicadeza, guiando-a por um caminho tão perfumado como na noite em que ele a pedira em namoro. Ela sentiu as garras ajudando-a a se sentar em algo deveras macio, uma leve melodia fazendo um plano de fundo perfeito, tudo muito aconchegante, quase com um sonho, a voz macia perto de seu ouvido a levando à loucura quando a pediu para abrir os olhos e viu algo que nem em seus sonhos poderia imaginar. Marinette- O que...é tudo isso? Era muita coisa para definir em palavras, estavam no topo da torre Eiffel, tudo exatamente como naquela mesma noite, como se o tempo não tivesse passado, tudo decorado nos mínimos detalhes como na noite em que entregou seu coração para aquele gato vagabundo, ele mais uma vez sentado ao seu lado sobre as mesmas almofadas coloridas, a única coisa se diferenciando por diversas fotos deles dois, as mesmas fotos que ele lhe pedira, agora todas ampliadas e espalhadas ao redor. Chat- Eu pensei que...como tudo começou, de verdade, aqui, seria bom se eu te mostrasse tudo pelo que passamos até finalmente eu tomar vergonha na cara e te pedir formalmente para ser minha. Minha melhor amiga. Minha namorada. A companheira que eu escolhi pro resto da vida. Ela não falava nada, apenas o ouvia atentamente, a doçura novamente presente naquele olhar que ele tanto amava, com certeza aquilo era um ponto a favor, o que o deixou esperançoso, acreditando que, por mais que tudo tivesse começado m*l, talvez conseguisse ter sua princesa de volta. Chat- Deixa eu te mostrar tudo- falou antes de se levantar muito empolgado- Essa é nossa primeira foto, naquela festa do pijama em que você me fez de refém. Marinette- Até parece que foi tão r**m, você ficou uma gracinha com aquelas maria-chiquinhas e a maquiagem- declarou com um pequeno sorriso. Chat- Como se alguma coisa não ficasse bem em mim...- rebateu se sentindo um pouco mais confiante. Ele mostrava uma a uma as fotos, contando um pouco da experiência que tiveram, mostrando as lembranças que ele guardava de cada uma e como todas eram importantes, até o embrulho do primeiro macaron que ela lhe dera ainda estava guardado, cada uma amolecendo um pouco mais o coração já balançado põe tudo o que ele se dispusera a fazer. Chat- Bem...e essa é a última lembrança que eu...levei comigo- falou entregando-lhe um um pequeno embrulho de tecido que ela rapidamente desenrolou e teve mais uma grande surpresa. Marinette- Pera...essa é...a minha calcinha?! Chat- Para ser mais exato, a calcinha que você usou naquele passeio que fizemos no parque. Aquela foi a primeira vez que não precisei me preocupar em me destransformar, pudemos ser nós mesmos e o tempo estava ao nosso favor, como eu espero que também esteja agora- levou uma das garras até o rosto delicado e a tocou, temendo demais ser rejeitado- Sei que sou todo errado, que não me encaixo nos sonhos de ninguém, mas...eu só queria que você me deixasse provar que eu não sou desse jeito, pelo menos não todo dia. Minha vida não tem sentido sem você. Eu sei que...você merece alguém muito melhor que um gato vadio como eu, mas foi VOCÊ que o meu coração escolheu e eu não quero mais ninguém na minha vida. Isso se você ainda me quiser...
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