໐ tal banho e se arrumarem para descer demorou mais de uma hora e, no final, estavam quase cansados demais para descer novamente, mas os estômagos falaram mais alto, lembrando-os que ainda não haviam comido nada, então eles voltaram à cozinha e comeram, ele com muito mais fome e vontade que ela com certeza, ela podia ver o prazer com que ele comia e ficava radiante com isso.
Ela o deixou começando a limpeza e arrumação da cozinha, mesmo ela tendo a forte impressão de que ele bagunçaria mais do que arrumaria, e subiu levando algumas coisas para os pequeninos que ela não via desde a noite anterior.
Ela subiu equilibrando uma bandeja com doces e queijos, entrou pelo alçapão sem problemas, encontrando os dois ainda dormindo abraçados, ficou feliz de não ter ido junto ao seu gatinho e precisar chamar Plagg para comer, deixando de presenciar uma cena tão bonita.
Marinette- Ei dorminhocos, hora de acordar, ou não estão com fome?
Plagg- Uhaaa...prefiro continuar abraçado com a minha torrãozinha...
Tikki- Ah seu fedorento...
Marinette- Muito fofo isso, mas vocês precisam comer.
Ela os viu se levantarem com algum esforço, ambos evitando voar, indo devagar até a bandeja.
Marinette- Vocês estão bem?
Tikki- Sim, só um pouco cansados.
Plagg- Também...quem pode dormir com todo barulho que vocês fazem?
Tikki- Plagg! Isso é coisa que se fale?
Plagg- Ué...é a verdade...
Marinette- Bem...acho que não estão tão m*l assim, já que conseguem discutir entre si...
Tikki- Pode ficar tranquila, pode ir, vamos ficar bem.
Marinette- Vocês têm certeza?
Tikki- Claro, além do mais, se você demorar, seu gatinho pode vir te procurar e me ver, com certeza você não vai querer ter que explicar...
Plagg- Claro que não, eles preferem ficar fazendo outra coisa...
Tikki- Plagg!
Marinette- Não se preocupe Tikki, eu...
Adrien- Ma petite...está tudo bem?- gritou do andar de baixo.
Plagg- Tava demorando...- falou revirando os olhinhos.
Marinette- Estou indo meu bem. Já sabem, qualquer coisa é só me chamar- pegou a bandeja e desceu.
Ela foi para a cozinha, acreditando que encontraria um verdadeiro pandemônio, talvez a própria porta para o inferno estivesse aberta e os diabinhos estivessem tomando café enquanto destruíssem o restante.
Porém toda essa preocupação foi por água abaixo quando se deparou com boa parte limpa e arrumada, sendo mais fácil e divertido terminar de deixar tudo pronto e poderem se curtirem enquanto ainda estavam sozinhos, o que não durou muito...
Por mais que tentassem se controlar, sabiam que o tempo que tinham juntos era curto, por isso não perdiam um momento de demonstrarem seu amor e o desejo que sentiam um pelo outro, muito mais com gestos e carícias do que com palavras, só que as vezes perdiam a noção de tempo e de espaço...
O que era para ser um belo casal assistindo televisão enquanto esperavam os pais voltarem, se tornou um pouco mais picante e bem menos comportado no momento em que trocaram o primeiro beijo, ele sendo o estopim para incendiar aquele casal.
A blusa que ela vestia e a camiseta que ela lhe dera já estavam no chão ao lado do sofá, ele deitado entre suas pernas, o volume em sua calça bem visível e notável, a mão esquerda apertando o seio macio por cima do sutiã enquanto a outra já havia adentrado o short que ela usava, os gemidos sufocados pelos dentes que maltratavam o lábio gorducho, ambos acreditando que ainda ficariam sozinhos por tempo suficiente, mas infelizmente...
Tom- Filhinha, chegamos!
Sabine- Calma meu bem, tenho certeza que está tudo bem.
Tom- Eu sei meu bem, só fico preocupado em deixá-la sozinha por tanto tempo.
Sabine- Eu entendo meu amor, mas nossa filha é responsável e...QUE p***a É ESSA?!
Tom- O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO COM A MINHA FILHA?!
Marinette- Mamãe?! Papai?! Achei que...vocês viessem mais tarde...- gaguejou buscando a blusa, ele fazendo o mesmo.
Adrien- Eu...posso explicar...
Sabine- Acho bom mesmo os dois terem uma boa explicação.
Marinette- Nós não...estávamos fazendo nada demais, só...assistindo TV...
Sabine- Imagino o que vocês estavam assistindo...
Adrien- Eu...sinto muito, não queria ofender vocês, essa é a sua casa e...
Marinette- O Chat não é o único culpado, ele não fez nada que eu quisesse.
Tom- Chat Noir?! Não, mas ele...- ele tentou continuar, mas levou um belo beliscão perto de sua costela- Ai!
Marinette- É o Chat sim papai, ele só não está transformado...
Sabine- Claro que é ele, meu bem, mas...voltando ao que os dois estavam fazendo...
Adrien- A culpa foi toda minha, estou completamente envergonhado de ter me empolgado e ofendido vocês.
Marinette- A culpa é de nós dois, por favor não fiquem bravos, prometo que não vai se repetir.
Sabine- Tudo bem, vamos esquecer que isso aconteceu. Agora eu vou pra cozinha tentar adiantar o almoço, isso se a bagunça não estiver muito grande.
Adrien- A senhora não precisa se preocupar, deixamos tudo arrumado depois do café.
Sabine- Limparam a cozinha depois do café não é? Interessante...
Marinette conhecia sua mãe bem demais para saber que aquilo não estava resolvido tão fácil assim, tinha certeza que voltariam naquele assunto mais tarde, já imaginando o constrangimento, mesmo sabendo que não haveria escapatória.
Não demorou muito para Sabine ir para a cozinha, levando sua filha consigo, deixando os rapazes sozinhos na sala, em um clima um pouco desconfortável para o loiro, ele não sabia o que fazer ou falar, apenas se ajeitou no sofá e abaixou a cabeça ouvindo o pai de sua amada tamborilando os dedos gigantes na coxa igualmente grande.
O gatinho só queria estar transformado, não para atacá-lo ou se defender, não, apenas para poder fugir por uma das janelas, o silêncio reinava como algo sufocante, Tom o olhando com a cabeça abaixada, calado, alguma coisa precisava ser feita, antes que o rapaz tivesse um treco bem ali na sua frente.
Tom se levantou sem nenhuma palavra e andou pela sala, o que fez o garoto se arrepiar, sem nem ao menos saber porquê, já estava acostumado a ficar sozinho e ao silêncio mas, ali, naquele momento era aterrorizante.
Tom- Bem...então você gosta de ficar sozinho com minha filha...
Adrien- Sim, eu...quero dizer não...
Tom- Então não gosta?
Adrien- Sinceramente não sei o que dizer...- respondeu abaixando ainda mais a cabeça e colocando-a entre as mãos em completo desespero.
Tom- Bem, se você gosta tanto assim de ficar com ela, vou ser obrigado a ver o quão bom você é...
O rapaz conseguia ouví-lo mexer em algumas coisas pela sala, mas não tinha coragem de olhar, tremeu mais uma vez ao sentí-lo se aproximar e colocar a mão em seu ombro, foi difícil mas, ele se forçou a abrir os olhos e olhar para o mais velho, ele tendo uma surpresa sem tamanho ao ver um grande sorriso em seu rosto e um controle na outra mão.
Ele sorriu de volta, sentindo um grande alívio e o peito muito mais leve, olhou para a televisão e só então pôde ver a logo na tela, Ultimate Meck Strike, aquele jogo lhe trazia boas lembranças, a disputa com sua pequena, que havia perdido todas as vezes, quando ganhou o amuleto que guardava consigo até hoje, também da parceria com sua lady em que tiveram que combater Max quando ele foi akumatizado.
Os dois jogavam rindo e gritando alto, o que não demorou para chamar a atenção de uma certa jovem muito curiosa.
Adrien- Wow...ganhei de novo!
Tom- Foi sorte de principiante...
Adrien- Cinco vezes seguidas?
Tom- Isso acontece, eu tropecei...
Adrien- Sei...
Marinette- O que meus meninos estão aprontando?
Tom- Estou levando uma surra mais uma vez e dessa vez não é de você...
Marinette- Ah papai, isso nem é tão difícil...
Tom- Eu adoraria tirar esse sorrisinho do seu rosto...
Marinette- Papai...você sabe bem que a aluna superou o mestre há muito tempo...
Tom- Eu sei mas...agora tem alguém que pode tirar sua coroa...- ele puxou o gatuno para perto de si em um grande e verdadeiro abraço de urso.
Adrien- E-eu?!
Tom- Claro que sim, ninguém melhor para desbancar essa pequenina arrogante...
Adrien- Não sei se...
Marinette- O que foi? Será que o gatinho está com medo de uma simples ratinha? Acho que estou te vendo tremer...- falou batendo o indicador em seu nariz
Tom- Eu não deixaria isso barato...
Ele sabia que aquilo não terminaria bem, sabia que a surra que levaria seria épica, lembrava direitinho como foi quando disputaram pela vaga na batalha entre colégios e como ela também o havia destruído enquanto treinavam mas, seu orgulho não o deixou dizer não.
Adrien- Tá certo, bora começar.
Ela se sentou ao seu lado e pegou o controle, sempre com um sorriso convencido no rosto, o que o desestabilizou um pouco mas, ele iria fazer o possível e o impossível para tirá-lo...
Já havia passado mais de uma hora, ele estava suando muito, por mais que se esforçasse não conseguia chegar nem perto de superá-la, ela era ainda melhor do que ele lembrava...
A mãe da azulada já havia ido para a sala,Tom fez um sinal para ela não falar nada, então ela se sentou ao seu lado, observando a batalha entre os dois jovens, sorrindo calada, não sabendo para quem torcer mas ansiosa para ver o final do embate.
Ele já não sabia o que fazer, ela dominava completamente o jogo e ele já estava cansado, quase desistindo porém, ainda havia uma chance, mínima, com certeza considerada inclusive uma atitude desleal mas...ele não iria desistir tão fácil...
Ela comemorava sua notória vitória, algo já certo ali, quando ele meio que esqueceu do jogo, ao menos era o que ela acreditava, até entender seu plano maquiavélico...o momento em que ela teve um instante de distração foi sua ruína completa, ele se aproximou de seu rosto, o nariz ficando entre seu rosto e pescoço, indo direto para sua orelha, aspirando seu perfume, fazendo-a se arrepiar, quase soltando o controle.
Ele percebeu que até ali tinha algum efeito sobre ela, mesmo sem saber se, por medo ou algo mais, então resolveu investir, o nariz continuando a atormentá-la, logo notando um leve tremor em seu corpo e um vacilo em suas mãos, era o momento exato para avançar, um leve movimento da língua em sua orelha, pouco antes de tomar seu lóbulo entre os dentes foi o suficiente para fazê-la largar o controle o tempo exato para ele dar o golpe certeiro e acabar a partida.
Adrien- Uhuu! Bem na sua cara!
Tom- Isso aí! Esse é o meu garoto!- gritou puxando-o para um abraço tão apertado que era difícil até respirar, mas não se importava, era bom fazer parte de uma família- Eu tinha certeza que você conseguiria!
Marinette- Eu...você...você roubou!- brigou jogando o controle no sofá.
Tom- Aprenda a perder, grande rainha dos games, seu reinado acabou, temos um novo rei agora!
A- Não fica assim ratinha...se quiser te dou uma revanche...- falou acariciando seu rosto, ela fazendo beicinho com os braços cruzados.
Sabine- Podem fazer o que quiserem, mas depois, eu vim justamente chamar todos para almoçar.
Marinette- Mas mamãe...
Sabine- Sem mas, vamos.
Adrien- Podem ir na frente, só vou lá em cima rapidinho.
Ele esperou eles saírem para ir até as escadas e subir até o quarto de sua pequena, ele sabia o que queria e onde procurar, já que havia encontrado na noite anterior enquanto ela dormia, foi fácil e rápido abrir a gaveta e encontrar a caixinha de veludo, um sorriso surgiu em seus lábios, mesmo que inconscientemente, pensou por alguns segundos e pôs a caixinha no bolso da bermuda que usava.
Desceu rapidamente, a ansiedade consumindo-o ao entrar na cozinha, um aroma ainda mais delicioso vindo da mesa posta, tudo em seu devido lugar, os três sentados ao redor da mesa pequena, um lugar já separado para ele, a mesa pequena não o incomodava, ao contrário, era gostoso demais aquela união e cumplicidade entre eles, o que o fazia lembrar do tão pouco disso tinha em casa e o quanto era realidade a frase que dizia que dinheiro não traz felicidade.
Dizer que o almoço estava delicioso era quase uma blasfêmia, era muito, muito mais que isso e a sobremesa então...era algo celestial, saber que havia sido feita por sua princesa a tornava ainda mais especial.
O clima gostoso continuou durante e depois da refeição, fazendo-o se sentir parte daquela linda família, um clima acolhedor tão bom que chegava dar aquele quentinho gostoso no coração, diversas vezes sua mão "escorregou" da mesa para a coxa da pequenina, fazendo-a se assustar e engasgar com a comida, ele agia como se nada tivesse acontecido, apesar da ameaça de morte que ele via em seu olhar.
Ao final, eles estavam conversando e saboreando aquela mousse divina, quando ele se levantou, puxando sua princesa consigo.
Marinette- O que você está fazendo?
Adrien- Quietinha meu amor- falou puxando levemente sua mão e se ajoelhando à sua frente, retirando a caixinha do bolso, sentindo-a tremer levemente e puxar o ar com força.
Marinette- Minou...
Adrien- Ma petite souris...eu já te disse inúmeras vezes mas...não me canso de dizer o quanto você foi, é e por todo sempre será a pessoa mais importante em minha vida, você trouxe o sol que ilumina meus dias, o calor que aquece meu coração e me dá a cada dia um novo sentido para estar vivo, algo que eu nem acreditava que seria capaz de encontrar um dia.
Ela não conseguia controlar as lágrimas que insistiam em cair sem parar, seus pais assistindo a tudo calados.
Adrien- Sei que posso estar parecendo piegas, careta ou algo do tipo mas não me importo,você é tudo que me interessa, o resto...é apenas resto, é seu meu coração, até o fim de nossas vidas. Então...sem mais delongas, eu quero, mais uma vez, agora juntamente com a benção de seus pais, perguntar se você aceita, depois que nos formarmos, se tornar minha esposa e fazer este, o gato vadio mais feliz de todo o mundo...- declarou abrindo a caixinha e mostrando-a a todos.
Marinette- Gatinho, eu...
Sabine- Se você não aceitar, minha filha, pode ter certeza que eu direi sim!
Tom- Meu amor...
Sabine- Ué...quem manda você não ser tão romântico como ele? Ele sim é um partido perfeito...
Tom- Mulheres...vá se acostumando Chat Noir...
Adrien- Sim senhor. Princesa?
Marinette- Você sabe que a minha resposta é sim, não tem como dizer outra coisa- parou um instante para retomar o fôlego, a voz embargada pela emoção- Você também é tudo isso e muito mais pra mim, a pessoa que o meu coração escolheu e nada vai mudar isso.
A emoção era algo quase palpável naquele momento, todos os quatro chorando enquanto ele se levantava e colocava mais uma vez a aliança em sua mão direita, puxando-a em seguida para um abraço e um beijo tão longo que só se separaram quando o ar lhes fez falta, Tom envolvendo os dois em mais abraço de urso e tirando-os do chão como se não pesassem mais que duas plumas.
O resto do dia foi passado em família, repleto de brincadeiras, jogos e muitos, muitos doces e lanches, Marinette ficando emburrada quando seu gatinho trapaceava para ganhar dela, ele logo fazendo algo para animá-la mais uma vez, diversão com direito de verem Tom quase derrubando a casa ao jogarem Just Dance e cair por cima deles ao jogarem Twister, o gatinho chegou dizer que conseguiu ouvir os anjos vindo buscá-lo.
O clima era tão bom que sequer repararam no cair da noite, não poderia abusar da hospitalidade, nem forçar nada além do que já tinha...
Adrien- Bem...não quero ser inconveniente, nem dar uma de cachorro magro e sair pouco depois da refeição, espetacular como sempre mas...
Sabine- Mas...?
Adrien- Eu acho que...já é a hora de ir...
Sabine- Por quê?
M- Oi?!
Sabine- Minha filha, vocês querem mesmo que eu acredite que, ele chegou aqui cedo o bastante para tomarem café juntos? Meus amores...pode parecer que sim mas, não nasci ontem...
Adrien- Senhora...
Sabine- Meu querido, não há necessidade de tantas formalidades, já nos conhecemos há algum tempo, você vai se casar com nossa filha e...com certeza não é a primeira vez que irá dormir aqui.
Adrien- Eu...
Sabine- Como eu disse, não nasci ontem e...já desconfiava disso desde o dia dos namorados, aquelas marcas não poderiam ter sido feitas por um simples tombo, mas...está tudo bem, não iremos discutir nem nada do tipo, vocês são bem crescidinhos para saberem o que fazem e confiamos em vocês. Só não façam muito barulho por favor e...se precisarem de alguma coisa tipo...camisinha, algemas, viagra...
Marinette- Mamãe!
Sabine- Ok, bons sonhos crianças.
Apesar dos jovens terem ficado um pouco desconfortáveis por terem sido "descobertos", ele seguiram para o quarto da azulada, era bom saberem que tinham o apoio de Sabine, mesmo isso sendo um pouco estranho...
Enquanto isso no quarto dos pais...
Tom- Você não vai se deitar meu bem?
Sabine- Já vou, amor- respondeu de pé, olhando pela janela aberta.
Tom- Aconteceu alguma coisa?
Sabine- É que...lembra daqueles sonhos estranhos que eu tenho tido?
Tom- Sim.
Sabine- Então...não sei bem se eram apenas sonhos...- falou olhando para uma foto de sua juventude, a sombra vinha tomando forma aos poucos nos últimos dias, o que trazia lembranças há muito esquecidas...
Quando ela foi fechar a janela, um pequenino inseto vermelho com pintas pretas adentrou o cômodo, pousando sobre a foto em sua mão.