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1056 Words
Aurora — Coloca o cinto — mando, enfio as mãos por baixo da máscara a puxando e consigo sentir o lado do meu rosto queimando enquanto me encara. Será que é tão surpreendente assim? É possível que não visse tantas pessoas presas naquele lugar. Sei bem como é. O tipo de coisa que podem fazer só para ter certeza de arrancar toda a sua dignidade. É por conta disso que geralmente eu não me importo com p***a nenhuma enquanto estou trabalhando, muito menos salvo alguém que deveria morrer. Dou a partida no carro rápido, pois tenho que pegar uma rota que não entre no caminho das autoridades despachadas para essa área. Dirigir velozmente não é o problema e sim se tiver algo no caminho. Espero que não tenha nada do tipo. Nem devo ter sorte para usar em uma situação como essa. — Para onde nós vamos? — pergunta e fica em silêncio em seguida, afinal, não preciso dar mais esclarecimentos para ele, salvei a sua vida, isso não é suficiente? Nem estou pedindo nada em troca. Ainda. Se soubesse todo o tipo de coisa que eu tive que prometer só para me manter viva, as atitudes que precisei tomar. Todo aquele fingimento e desgraça… no fim ainda fiquei sem nada. Porque estou o comparando comigo? É só uma arma que posso usar em algum momento, nada mais. — Ninguém sabe de você? — Com todos aqueles corpos… duvido que alguém que sabe que existo esteja vivo. — Ótimo, você nunca deve falar que é um Anderson ou não será apenas você que morrerá. Entende? — Sim, eu compreendo, minha dona. — Aurora — falo ligeiro antes que o desejo de puxar minha arma se sobressaia. — Aurora — repete, de novo o meu perfil queima embaixo dos seus olhos. — É um nome bem bonito, minha dona. Pelo visto terei que usar muitas técnicas para adestrar esse cachorrinho. Depois que sairmos dessa área e eu dormir por algumas horas. — E você? Não tem um nome? — Ridley — o modo como fala… o seu desprezo é muito nítido. Imagino que o seu pai tenha sido aquele a dar o nome, por conta disso fica tão desgostoso. — Mas prefiro que me chame de Cachorrinho. “Sua cabeça realmente está estragada” cogito dizer, entretanto, não sou muito melhor que ele e estou colocando o meu pescoço a prêmio por alguém que nunca vi na vida só por conta de uma maldita lembrança e a vaga possibilidade dele conseguir me ajudar na minha vingança. Eu não tenho aliados, não tive tempo para construir nada desse tipo. Só tenho desejo por sangue e as habilidades que construí com muito esforço. Nada mais. Todo o trajeto acaba sendo feito com muita facilidade, o que eu agradeço. Agora só tenho que entrar no avião que vai me tirar desse estado maldito. — Me segue — mando já saindo do veículo e o homem me encara preparando-se para reclamar. — Eu vou pagar pelo peso extra, então nem começa. Ridley fica parado do meu lado. Em seguida dá um passo para trás ficando atrás de mim. Será que está desconfiado do piloto? B om, não é como se eu confiasse nele, no entanto, sei que se pagar o suficiente manterá a sua boca fechada. Sua ganância é o que comanda suas ações. — Tudo pronto? — Sim, Monteri — fala, ergue um braço quando me movo para subir os degraus para entrada. — O peso extra tem que pagar o dobro — me avisa, ajeita a boina na sua cabeça. Enfia a mão no bolso pegando o maço de cigarro e me oferece um. — Te dou o triplo se calar a boca, p***a — pego o cigarro e o isqueiro dele seguindo para o jatinho antes que decida que pilotar esse troço sozinha vai ser muito melhor. — Do outro lado, Cachorrinho. Ele senta na fileira que fica do lado da minha. Os olhos atentos para verificar o interior da aeronave. É nítido que é alguém com capacidade elevada de analisar os ambientes. O piloto entra, nos cumprimenta e segue para a cabine. Logo avisa de que a decolagem começará e trago o cigarro rápido antes de o esfregar no meu traje até que apague. Que dia do c*****o. Último dia de trabalho uma ova. Todo o meu corpo está latejando. Precisarei entrar em uma banheira cheia de gelo rápido. — Dona, vou te proteger, se quiser dormir — me avisa, os olhos encontrando os meus com facilidade. — Que bichinho bonzinho. Pisca, fixa a sua atenção em mim. — Não mate o piloto, ou eu terei que acordar. — Como quiser. Fecho os olhos e respiro fundo. Não vou dormir, mas pelo menos posso contar quantas vezes o meu corpo lateja. Eu deveria ter cobrado muito mais por esse trabalho. Só o tempo que passei infiltrada na propriedade drenou muitos dos meus anos de vida e eu ainda precisei fazer mais. Abro um dos olhos e vejo como Ridley está virado para mim, de fato como um cachorro vigilante, pronto para impedir quem quiser chegar na sua dona. Sei que eu sempre quis que meus pais me liberassem para ter um cachorrinho, mas não imaginei que seria desse jeito. Duvido que ele seja mais fácil de cuidar do que um. mas esse é um problema para Aurora de algumas horas no futuro resolver, depois de eu receber aquele contrato com o selo de que cumpri o trabalho. — Você não consegue dormir. O silêncio do ambiente é preenchido pela sua voz. — Eu geralmente não durmo bem. — Eu também. — E quais são os seus pesadelos? — pergunto, porque pessoas como nós só não conseguem dormir porque são assombradas por coisas bem mais perigosas do que somos em nossas mentes. — Esse mundo. Ele é o inferno, não acha? Dou um sorriso, abro apenas um dos olhos de novo. — Sim, ele é. — E os seus? — O choro de uma criança. Porque estou sendo tão sincera com esse cara? Ridley nunca saberá toda a história. Não, na verdade, se souber, pode ter mais interesse em me ajudar, entretanto, não será hoje que vou falar sobre quantas vezes eu andei sobre cacos de vidros. — Vamos andar no inferno juntos, Cachorrinho. — Sim, minha dona.
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