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1143 Words
Aurora “Último trabalho” rio com o pensamento porque não consigo esquecer de como ele falou que esse derradeiro trabalho seria o suficiente para pagar toda a dívida que acumulei por ter salvado a minha vida. E muitas vezes eu me perguntei se fiz certo implorando para que me salvasse. Jogo o pente vazio de lado, escondendo meu corpo atrás da parede e antes mesmo de verificar quantos deles veem pelo corredor começo a atirar, afinal, não tem ninguém nessa propriedade que eu queira salvar. Vim até aqui com uma ordem de extermínio para a família Anderson. Não sei quem eles irritaram, mas esse foi o pedido que fizeram para a Liga Sombria. Começo a me mover, as balas de baixo calibre ricocheteando na roupa a prova de balas. Enxergo perfeitamente apesar da máscara. Usar gás para diminuir o número deles foi a melhor escolha para mim, já que o desgraçado do meu chefe não quis me deixar pedir a ajuda de ninguém. Aquele crápula. Esteve se aproveitando de mim nos últimos anos e poderia apostar que tudo o que ele mais quer é que eu morra nessa missão, assim não vai perder as minhas habilidades. É do tipo que prefere me ver em uma cova a me deixar livre, entretanto, o prazo do nosso contrato é esse. eu cumpri com todas as minhas obrigações. Paguei por cada pão de gosto r**m. Pelo treinamento desumano. Derramei muito sangue só para não ter que estar nas mãos de alguém sem que pudesse me defender de novo. Liberdade nunca foi exatamente o que eu queria. Vingança. Sim, o cheiro ferroso e meio doce da vingança é tudo que eu sempre quis, entretanto, nem com todo o meu esforço cheguei mais perto de concretizá-la, pois aquele filho da p**a que me abandonou para morrer na beira de uma estrada é muito poderoso. Então, mesmo que odeie o meu chefe, odeio ainda mais aquele sujeito. Todas as vezes que o vejo na TV sorrindo com aquela mulher do seu lado falando sobre família, bons costumes e o quanto quer que o mundo mude para melhor quero explodir o aparelho. Até já atirei em um por conta da raiva. Salto, a cabeça do sujeito fica entre as minhas coxas e nos levo para o chão. O tiro disparado ressoa alto pelo corredor. Por conta do gás que usei no início só precisei finalizar muitos dos corpos ao longo do caminho, entretanto, como uma família preparada para tudo, vários deles conseguiram sobreviver até que os efeitos dele diminuíssem. Já matei uns cinquenta deles e ainda assim sei que não foi nem a metade. A propriedade dos Anderson é grandiosa, conta com uma equipe de segurança com conhecimento militar, por conta disso, para preparar todas as minhas armadilhas e as bombas de gás, por dois meses estive infiltrada, trabalhando como uma das empregadas. Como alguém nova no ambiente não me permitiram ir para muitas partes, o que também explica porque tem tantos desses caras acordados. Me apresso, pois não demorará para que as autoridades cheguem aqui e não quero ser emboscada por eles. Só posso conseguir minha vingança se estiver livre. Livre de qualquer amarra que me faça cogitar que ficar viva é uma boa ideia. Chuto a porta do quarto, as balas cantando ao atingir o sujeito enquanto as suas batem em minha roupa e desviam. Rio, o rosto de Elijah Anderson fica distorcido de ódio diante dos meus olhos e eu não consigo conter minha alegria. Por mais que esteja o matando por dinheiro, também sei que faço uma limpeza para o mundo com minhas ações. Os Anderson não são boas pessoas. Elijah não é um homem decente. Tem uma lista extensa de crimes, incluindo vários que foram infligidos às namoradas que não queria que o deixassem. Tentou, muitas vezes, forçar que ficassem do seu lado e para conseguir faria qualquer coisa. O tiro em sua testa me faz prosseguir pelo meu caminho rápido. Só falta o irmão gêmeo mais novo, eu estarei livre desse trabalho. Um m******e como minha última tarefa em nome do meu chefe não é tão r**m. Se eu for sincera, até me divirto. Respiro profundamente, deixo o oxigênio chegar nos pulmões e verifico o medidor de gás no ambiente. Ainda não está completamente limpo. Também quero evitar que vejam o meu rosto. Fico muito melhor agindo nas sombras. Não preciso de uma recompensa além da monetária em meu bolso. Viro-me observando de esguelha como Nicolas está se encolhendo. Diferente de Elijah, apesar de ser um monstro tão perigoso quanto ele, é muito mais covarde diante de situações que tem a ver com sangue e eu não posso conter a risada quando disparo um tiro em sua perna. O seu grito é tão indecente quanto todos os seus crimes. Que engraçado. Todos nós sangramos igual, entretanto, alguns acreditam que, por conta do poder que são capazes de exercer, são melhores. No entanto, diante de uma bala, qualquer vida pode se perder. Ela não diferencia ninguém. Dou outro tiro, meu corpo se movendo ligeiro, o joelho quase tocando no chão quando me agachado disparando várias vezes na pessoa que entrou em meu campo de visão. Os olhos do sujeito começam a perder a cor. Não posso negar que todos os seguranças foram bem fieis às ordens que receberam, não permitindo que ninguém corresse apesar de ver quanto sangue começou a escorrer pelas paredes. — Nicolas, você já começou a perder a consciência pelo sangramento? — questiono, aproximo-me e verifico suas reações enfiando a arma em seu rosto. Se encolhe, treme e é divertido ver o quanto é diferente quando o poder não está em suas mãos. — Pensei que gostasse de jogar duro, visto que tentou se forçar em todas as empregadas da mansão sem parar. — Quem é você? — pergunta, a voz falha, a mente parece bagunçada demais. — Não sei quem te mandou aqui, mas eu posso pagar mais. Vou pagar mais. — Eu nunca abandono um trabalho pela metade — comento um sorriso preenchendo o meu rosto por baixo da máscara. — Isso é por todas as vezes em que puniu uma mulher só por ela não querer ir para cama com você. O sangramento fica ainda mais abundante depois que acerto o seu pulmão. — Agora, antes que apague, quero a senha da ala escondida da mansão. — Não, você não… ir lá é perigoso. — Perigoso? Você está vendo o que está acontecendo aqui? — Se você me deixar viver… — Já disse, eu nunca deixo um trabalho pela metade. Atiro em seu ombro. — Se não vai me contar, tenho apenas que explodir a entrada — digo, o tiro atravessa sua mão antes de chegar no crânio somente pela tentativa dele de correr da morte. Que desgraçado ridículo. Nem imagina quantas vezes tive a oportunidade de matá-lo.
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