02

1157 Words
Aurora — Um pouquinho mais de trabalho para matar minha curiosidade não é um problema — murmuro ajustando os explosivos na entrada. Todos os membros da família Anderson estão mortos, o que significa que o meu trabalho foi finalizado, contudo, em todo o período que estive aqui não pude adentrar nessa área, nem consegui uma brecha para invadir sem que me notasse, por conta disso, o mínimo é sanar minhas dúvidas sobre o que guardam aqui. Verifico o relógio. O tempo que meu chefe disse que conseguiria enganar a polícia para mim está prestes a acabar, contudo, é o suficiente para dar uma espiadinha e escapar. pelas minhas contas matei todos que estariam na propriedade hoje. Me pediram por um m******e e foi o que fiz. Afasto-me do raio de alcance dos explosivos e aperto no botão ligeiro. Como um recurso do plano B plantei muitos deles na propriedade, entretanto, não foi necessário usá-los o que foi melhor, porque desse jeito a polícia não poderia dizer que a bagunça foi muito diferente do acordo. Não quero o maldito do meu chefe reclamando do quanto sou bagunceira. Balanço a mão afastando a poeira que subiu por conta dos destroços e passo por cima deles com calma. Apesar da explosão, as luzes ainda se acendem no automático deixando um grande corredor à vista. Embora tenha uma área de vigia, não tem ninguém dentro do ambiente. Devem ter saído para agir como reforço assim que começou a correr a informação de que todos estavam sendo mortos sem dó ou piedade. Não é o meu estilo. Se tentaram me matar é claro que devolverei na mesma moeda. É o mínimo que posso fazer. Observo o painel que há na parede. É esquisito que tenha apenas um corredor longo de paredes brancas e um painel aqui, no entanto, vi tantas informações esquisitas dos crimes feitos pelos Anderson que esse não é realmente o maior problema aqui. Se eu tentar ligar para obter informações de como resolver esse enigma só vou perder tempo, então, vamos ver o que acontece se eu apenas destruir tudo. Dou três tiros no painel. Um som alto acontece, as luzes se apagam. Posso ouvir o som dos fios queimando nas conexões que se partiram. As luzes acendem de novo e uma das paredes do corredor extenso se abre mostrando várias janelas. Um sorriso esquisito se instala no meu rosto assim que vejo os rostos observando o espaço que foi exposto. Cada um deles está preso por cada um dos membros. tem grilhões nas pernas, nos braços, no pescoço. Entendi. É aqui que eles esconderam os cães de caça dos Anderson. Esses bichinhos adestrados foram o porquê de eu ter ido em primeiro lugar, atrás da cabeça de Ronald Anderson. Segundo os boatos que correm no submundo, ele pegou um grupo de crianças desde jovens, os tratou como animais e os treinou para que obedecessem apenas as suas ordens. Por conta do adestramento feito de modo perfeito, eles não são nada além de monstros que matam e morrem pelo seu dono. Contudo, todo mundo achava que eles tinham morrido, já que no último conflito envolvendo a família o homem não os usou, apesar de suas habilidades. Também explica a reação de Nicolas quando perguntei dessa ala. O que imaginava encontrar aqui era bem diferente, dado que os Anderson negociavam vendendo pessoas para tarefas múltiplas, sejam inteiras ou em pedaços. Alimentam boa parte do submundo com aqueles que capturam. Não posso deixar esses caras vivos, já que ninguém pode controlá-los. Eles sequer se mexem para tentar escapar apesar de me verem, só ergueram a cabeça. Os corpos nus estão marcados por sinais de abusos e cicatrizes. Ando um pouco para verificar qual é o melhor meio de matá-los sem correr o risco de abrir as correntes que prendem eles. Tem um novo painel na parede e ele parece tão pouco intuitivo quanto o último. Contudo, isso não é o que me faz parar. Meu punho acerta o vidro com força. O sujeito inclina a cabeça de lado como se não pudesse entender o que está acontecendo, entretanto, esse rosto… Não era para ter outro Anderson aqui. Por mais que não seja identico aos outros dois, é inegavel que tem semelhanças nele e não sou i****a, quando investiguei a familia soube que tres filhos nasceram nessa geração, mas para o publico, o mais jovem tinha morrido. O tom de verde de seus olhos é igual ao dos outros. Se estiver certa, o meu trabalho não terminou. Ou terminou, já que ele, tecnicamente, está morto? Acerto o vidro reforçado de novo. Acredito que as balas não atravessaram e usar explosivos mais uma vez pode ser mais chamativo do que eu quero. Também tem o tempo correndo. Os lábios dele se mexem e eu movo para o lado apertando o botão verde. — Quem é você? — a pergunta dele se espalha pelo corredor grande. Os outros continuam sem mostrar qualquer interesse pelo que está acontecendo, mas ele não. — Sou quem matou toda a sua família. — Uau, então, você é meu anjo. — Diria que sou mais como uma ceifadora — profiro, a sua risada espalhando-se de novo. — Minha missão é matar todos os Anderson. — Ah, entendi. Quer dizer que eu preciso morrer, por mais que não seja um filho legítimo. O que? Ele não é um filho legítimo? Nas notícias diz que ele morreu pouco depois de fazer um mês de vida e considerando que a esposa do pai dele estava grávida ninguém cogitou que a criança não seria dela. — Você parece um pouco confusa. — Não importa, afinal, minha missão é matar você. — Sim, eu entendo. — Vai me dizer como eu abro essa cela? — Sim, é melhor do que ficar aqui e morrer de fome — profere e me sinto irritada por algum motivo, talvez por ter essa sonoridade de quem aceitou a morte em sua voz. Eu já estive em uma situação muito semelhante. Cheguei tão perto da morte que ouvi a sua risada. — Aperte esses botões em sequência. A porta se abrirá. Faço como guia e ela de fato, abre-se. — É igual para as outras? — questiono e ele confirma, faço a mesma sequência mudando apenas o número da cela no final e avanço para cada uma delas. Os homens não reagem de forma alguma. Me enxergam, mas não se importam. Uso uma bala para cada um deles, pois esse com certeza é um fim mais adequado do que continuar vivendo como um animal sem dono. Também exporá o tipo de coisa escondida pelos Anderson. Depois que mato todos, caminho até a cela do único capaz de falar. — É minha vez? Ergo a arma, mantenho a mira no centro da sua cabeça. Só um tiro e eu estarei livre dos meus contratos. Sim, apenas um. Ponho o dedo em cima do gatilho e respiro. Esse é o momento.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD