Ciúme ou posse?

3224 Words
Enquanto eu dirigia pensava que se a Letícia estava me procurando era porque tinha gostado da nossa química na noite anterior. Chegamos ao restaurante e ao descer da moto ela aproximou-se de mim e segurou em minha mão entrelaçando nossos dedos. A atitude dela novamente me surpreendeu. - Está tudo bem pra você ficarmos de mãos dadas? Perguntou me deixando totalmente desconcertada. - Eu não sei. Você gosta de ficar de mãos dadas? Questionei sem graça. - Senti vontade de ficar assim com você. Nunca fiz isso antes e você? - Nunca andei assim com ninguém. Você realmente quer andar de mãos dadas comigo? Novamente questionei e ela riu. - Eu quero. Mas só se não for deixá-la constrangida. Não era exatamente um sacrifício andar com uma mulher linda de mãos dadas, mas era estranho uma vez que nós duas não éramos um casal. Pensei um pouco e não quis estragar o momento. - Por mim tudo bem. Vamos entrar! Segurava sua mão com nervosismo. Enquanto ela parecia certa do que queria, mas o que ela queria afinal? Era mesmo apenas ficar de mãos dadas ou significava algo mais. Estava confusa e a minha mãe quando nos viu logo fitou nossas mãos e em seguida fixou seus olhos nos meus. Podia imaginar o que ela estava pensando. “Essa moça vai partir em poucos dias!”. Escolhi uma mesa e a minha mãe veio cumprimentar a Letícia, que simpática, fez questão de abraçá-la. Enquanto as duas se abraçavam, ela me olhou e fez uma expressão como se me cobrasse uma explicação. - Vão almoçar? Perguntou mantendo o olhar fixo ao meu. - Vamos sim mãe. O que a senhora fez de melhor hoje? Perguntei intimidada. - Temos uma maminha na manteiga, acompanhada por batatas rústicas, arroz e feijão tropeiro. Os clientes estão elogiando muito hoje. Posso trazer com uma salada pra vocês também. Faz muito bem pra saúde e você precisa comer direito filha! O comentário final foi seguido por uma olhada não tão discreta da minha mãe a Letícia. Ela parecia dizer que eu precisava me alimentar para dar conta da mágica gostosa. - O que você acha Letícia? Perguntei tentando disfarçar enquanto a Letícia parecia ter entendido a indireta. - Acho ótimo. Amo feijão tropeiro! Respondeu empolgada. Não sei se pela comida ou pelo comentário da minha mãe. - E pra beber vão querer qual suco? Perguntou minha mãe. - Pode escolher Letícia. Pedi a ela que sorriu. - Meu suco favorito é o de acerola. É possível? Perguntou. - Ótima escolha, suco cheio de vitaminas. Vou providenciar pra vocês! Licença. Ao nos deixar sozinha eu olhei para a Letícia sem jeito. Estava bem envergonhada. - Sua mãe é muito legal Isabel. Ela sabe o que aconteceu entre a gente ontem? - Não. Eu não converso sobre esses assuntos com ninguém. Nem com a minha irmã. - Sua irmã quis saber sobre nós? Estava totalmente sem jeito. - A Thatiane é muito inconveniente às vezes. Ela veio me fazer perguntas e disse que a nossa mãe queria saber se você e eu estamos namorando. Enfim, minha mãe não tinha perguntado nada, mas eu acreditei e mencionei seu nome no café da manhã. Tudo por conta das presepadas da Thati. Você tem irmãs então acho que me entende. Ela riu da situação e em seguida me fez uma pergunta bem tensa. - E o que você disse? Que estamos namorando? - Quê? - Você disse que somos amigas? - Eu não disse nada. Meu desconcerto parecia ser engraçado para ela. - Você seria minha namorada? Perguntou me olhando nos olhos. - Julgando pela nossa química de ontem, acho que em uma situação normal, podíamos namorar. Você é linda, atraente, talentosa. Acho que sim. - Como assim uma situação normal? Questionou-me novamente e eu me senti pressionada. - Você quer me dizer alguma coisa? Está diferente hoje. Pegou na minha mão. Agora falando de namoro. Não acha que essa situação parece apressada demais? Questionei-a. - Apenas estou curiosa para entendê-la melhor. - Falei que sou fácil de entender. Mas você é bem misteriosa, difícil de imaginar no que está pensando. No motivo de tantas perguntas. Parece alguém diferente hoje. Observei a olhando nos olhos e ela se remexeu na cadeira. - Eu ouvi você e a sua cliente falando de um encontro no sábado. Vocês vão sair juntas? Perguntou e eu sorri. - É por isso que está agindo assim? Está com ciúme? Perguntei sorrindo e ela ficou séria. - E se estiver? Horas atrás estávamos nos amassando em minha cama. Sorri vendo que brava ela ficava ainda mais sexy. - No sábado, meus amigos vão se reunir em uma casa de show quem tem aqui na cidade. Embora eu não goste muito desse tipo de evento as minhas amigas me convenceram a ir. - E essa Aline vai estar lá? Perguntou me encarando. - Sim, ela vai. Respondi com sinceridade. - Excelente. Eu vou com você! Rindo da situação, não tentei convencê-la do contrário. Sua companhia era mais que bem vinda. A Letícia acabou se mostrando uma pessoa bem passional. - Aqui está o almoço de vocês. Espero que o suco esteja ao seu agrado Letícia! A minha mãe foi simpática e a Letícia fez questão de provar o suco e fazer elogios que deixaram a Dona Lúcia satisfeita. - É o melhor suco de acerola que tomei na vida. A senhora tem um dom divino dona Lúcia! Contente, minha mãe agradeceu e nos deixou sozinhas novamente. - Sua mãe é um amor de pessoa Isa. Você tem essa mesma energia boa que ela tem. - Sendo assim você também saiu aos seus pais. Principalmente ao senhor Pascoal. - Ele não gosta de ser chamado de senhor. Sente-se quase ofendido. - Sempre esqueço. Ele tinha mencionado isso para mim. Falando sobre nossas famílias eu pensei em uma coisa agora. Não quero que me interprete de maneira r**m, mas tem algo que quero perguntar. - Aqui não é o lugar pra repetimos a noite de ontem, mas pode ser no seu carro ou seu quarto. Brincou me fazendo rir. O jeito atrevido dela era fascinante e divertido. - Não que essa sua brincadeira seja uma má ideia. Mas minha pergunta é outra, dentro do mesmo assunto. Quero saber se você costuma levar as mulheres que conhece ao seu trailer? Olhando para mim e rindo, ela não hesitou em responder. - Curiosamente você é a primeira que fico no meu trailer e a primeira que me viu no picadeiro. As outras mulheres que conheci foram em festas e eu sempre fiquei com elas fora do circo. - Como seus pais iriam reagir se me vissem saindo do seu trailer de manhã? - Acredito que iriam pensar o mesmo que a sua mãe deve estar pensando, que estamos namorando. Foi por isso que você não quis passar a noite comigo? Sorriu como se tivesse me pego no flagra. - Ficaria estranha se na manhã seguinte tivesse que encarar seus pais. - Da próxima vez pode sair escondida se isso a deixar mais tranquila. Devia ter ficado comigo. Concluiu me fazendo sentir culpada. Mudamos de assunto durante a refeição e depois da sobremesa ela roçou a perna na minha por baixo da mesa. - Eu queria sequestrar você e só devolver no final da tarde. Por mais agradável que fosse à ideia, infelizmente eu tinha que trabalhar. - A ideia é tentadora, porém o meu trabalho não vai sumir como num ato de mágica. Brinquei com ela que riu. - Você pode ir me ver mais tarde? No mesmo horário de ontem? Perguntou. - Claro. Só estava esperando um convite. Afirmei rindo. Acompanhei-a até a moto e antes de colocar o capacete ela me puxou pela cintura e colou seus lábios nos meus por uns segundos deliciosos. - Mais tarde eu tenho uma surpresa pra você! Provocou-me antes de ligar a moto e partir. A Letícia era consciente do seu poder de sedução e por isso usava-o sem medo, me deixando enlouquecida e muito ansiosa. Voltei para o restaurante e assim que entrei no escritório minha mãe veio conversar comigo. Coisa que sabia que iria acontecer. - De mãos dadas com a moça na frente de todos. Chamou minha atenção e eu não gostei. - Porque a senhora está falando desse jeito comigo? Cometi alguma infração? Questionei com firmeza. - Está certa. Não devia falar assim com você, mas fiquei nervosa. Você nunca chegou de mãos dadas com ninguém. Essa moça é muito linda e sorridente. Tenho medo que se empolgue. Constatou verdadeiramente preocupada. - Posso não conhecer muito bem a Letícia, mas sei que ela uma artista circense. Não estamos enganando uma à outra, apenas aproveitando o momento. Coisa que não costumo fazer. Ao falar pensei que ficaria em apuros por me sentir atraída pela mágica, bela e sensual, Letícia Zatinni. Minha mãe não estava totalmente errada. - Sei que tem boa cabeça filha. Vou deixá-la trabalhar! Falou antes de sair da sala e eu continuei pensativa. Talvez aproveitar a companhia da mágica fosse ser a maior aventura da minha vida. E depois, quando ela partisse, meu mundo voltaria a ser o mesmo de antes. Voltei minha atenção para o trabalho e só sai da sala quando ouvi um barulho estranho vindo da cozinha. Levantei para saber o que estava acontecendo e encontrei meus pais discutindo. - O que está acontecendo? Perguntei os interrompendo. - A câmara fria está com mau funcionamento e o seu pai foi mexer, porque é teimoso, e acabou piorando a situação. Reclamou minha mãe. - Pai, o senhor sabe que não pode mexer nessas coisas. Sempre que tivermos um problema só precisamos ligar para assistência e solicitar um técnico. - Na teoria é tudo muito simples Isabel, mas não podemos esperar até um técnico vir da capital. - Vamos por etapa. Temos condição de funcionar sem a câmara? Perguntei olhando para minha mãe. - O que temos de carne é possível resfriar nos freezers. O problema é que amanhã é sexta-feira e aposto que só vamos conseguir a visita de um técnico na segunda. Não podemos ficar sem receber as carnes para o final de semana. Observou minha mãe, que em parte tinha razão. - Vou tentar resolver isso agora mesmo. E senhor guarde as ferramentas. Não mexa em mais nada, por favor! Voltei para o escritório e liguei para a empresa responsável pela instalação da câmara. Após alguns minutos na linha uma moça transferiu minha ligação para o setor técnico. Explicar a situação a um dos engenheiros e ele garantiu que o problema estava no mau funcionamento de uma peça. Como esperado, ele disse que poderíamos receber uma peça nova na segunda-feira pela manhã. - É impossível esperar até a segunda-feira. Temos um cronograma a seguir. Escolhemos a empresa de vocês por ser de referência, não acredito que não tenham meios de me enviar essa peça em caráter de urgência. Questionei imaginando que a recusa se tratava de má vontade. - Sinto muito senhorita, mas nossos carros estão todos em uso e só temos agenda na segunda-feira. - É obrigação de vocês encontrarem uma solução. Pressionei um pouco mais. - A fábrica só funciona até amanhã. Precisaríamos de uma autorização especial para contratar um entregador terceirizado. Isso tudo demanda tempo. - Tempo é algo que eu não tenho. Recebo uma carga de carnes no sábado. Não posso adiar o recebimento por diversas questões. Vamos fazer assim, eu vou buscar a peça amanhã pela manhã. Qualquer eletricista pode fazer a troca da peça? - Sim senhorita, é algo simples. Inclusive posso orientar por telefone a instalação. - Certo. Então amanhã vou buscar a peça, mesmo sendo uma obrigação de vocês! Reclamei. Acertamos os detalhes e eu pude tranquilizar meus pais. Em compensação passaria seis horas do meu dia dirigindo até a capital e depois de volta a minha cidade. - O problema é simples de resolver, porém precisamos de uma peça específica. Vou buscá-la em Vitória e volto até o meio dia. Avisei aos meus pais, que ficaram mais tranquilos. Com o problema resolvido, voltei ao trabalho e fiquei no escritório até o início da noite. Quando estava deixando o restaurante fui surpreendida pela minha amiga Daniela, que estava parada perto do meu carro. - Precisa de carona Dani? Cumprimentei-a sorrindo. - Preciso. Você pode me deixar em casa? - Claro que sim, mas não vai ficar m*l acostumada. Entramos no carro e não demorou dois minutos até ela falar o real motivo de ter me procurado. - A Jéssica me contou que você e a Aline tomaram um café hoje. Começou falando. - A Aline disse que uma moça bem bonita interrompeu vocês. Quem é? Perguntou. - Primeiro vocês falam demais sobre mim. Segundo ninguém nos interrompeu, tínhamos terminado a conversa. E por fim, você não conhece a moça e devia ser menos curiosa. Descontente com a minha resposta ela insistiu. - Pensei que fossemos melhores amigas. Apelou aos meus sentimentos e eu ri. - Somos melhores amigas e por isso mesmo conheço você Dani. - Nossa Isa! Que grosseria. Custa falar quem é a moça? - Vai fazer alguma coisa essa noite? Perguntei. - Vou ficar em casa mesmo. Quer me fazer um convite? - Você gosta de circo? - Claro que gosto. Você sabe que sim. Mas isso tem a ver com a moça bonita? - Ela não é só bonita é mágica. Quer ir ver? - Quero. Vou adorar! Você está saindo com a mágica do circo? Isso é muito ousado. - A Aline não foi justa na descrição. A Letícia não é uma moça bonita e sim uma mulher sexy! Comentei a fazendo rir. - Quanta empolgação amiga. Quero conhecer essa mágica. Parece emocionante. - Você e as meninas sempre dizem que preciso de alguma aventura. - Finalmente nos ouviu. De que horas vamos ao circo? - Esteja pronta às oito. E não me faça ficar esperando. - Não se preocupe amiga, curiosa como estou vou ficar pronta meia hora antes. Garantiu. Deixei-a em sua casa e segui para a minha. - Estava esperando você chegar. Vamos jantar? Perguntou a Thati assim que eu cheguei. - Não estou com fome, vou subir e descansar um pouco. - Posso fazer uma pergunta? - Pode. - Você e a mágica estão namorando? - O nome dela é Letícia e nós duas só estamos... Ah você sabe. - Nossa mãe falou que vocês chegaram ao restaurante de mãos dadas. - Isso não significa que estamos namorando. Acho que a Letícia ficou com ciúme. Vai ver ela queria marcar território. Também não entendi o comportamento dela hoje. - Marcar território Isa? Sério que você disse isso? A Thati riu e me fez rir também. - Não somos namoradas. Eu precisava sair com alguém depois de tanto tempo e a Letícia é muito atraente. Onde mais conheceria alguém como ela? Enfim. Vou descansar um pouco e essa noite eu pretendo dormir fora de casa. Afirmei sorrindo e antes que ela falasse mais alguma coisa eu subi para o meu quarto. Deitei um pouco na cama e rapidamente relaxei. - Isa! Isabel! Acorda! - Dani? O que você está fazendo aqui? Assustei-me ao vê-la. - Você está atrasada. São oito e meia. Pensei que tivesse acontecido alguma coisa. Levantei-me no susto. - Nossa apaguei. Só preciso de vinte minutos. Tomei um banho apressada e vesti uma roupa limpa. Caprichei no perfume e rapidamente saímos em direção ao circo. - Perfumada amiga. Não vai me deixar sobrando nesse circo. - Sossega e se comporta. Tem que prometer que vai tomar cuidado com seus comentários. Pedi e ela concordou rindo. Infelizmente não dava pra confiar em sua promessa. Chegamos ao final da primeira parte do circo e eu levei a Dani para comer os pastéis da senhora Zatinni. E depois assistimos a segunda parte do espetáculo eu peguei a Dani pela mão e sai procurando pela Letícia, que me surpreendeu e chegou fazendo perguntas. - Boa noite Isabel! Está com outra cliente? Perguntou me fazendo rir. - Boa noite! Essa é a Daniela, minha melhor amiga. Dani essa é a mágica. Quis dizer que essa é a Letícia Zatinni. Apresentei-as. - Tem razão ela não é uma moça bonita é sexy! O comentário da Dani fez a Letícia sorrir. Ela certamente gostou. - Você não consegue ser discreta Dani. Reclamei com ela que olhava para a Letícia maravilhada. - Isabel, você por aqui! A Patrícia me cumprimentou com um beijo no rosto e a Letícia a olhou atravessado. - Trouxe a minha amiga pra conhecer vocês. Dani essa é a Patrícia. - Isso é demais. Vocês duas são lindas! A admiração da Dani deixou a Patrícia constrangida e a Letícia continuou sorrindo. Senti vontade de beliscar a Dani para ela se comportar. - Quer conhecer minhas outras irmãs? Perguntou a Patrícia e imediatamente a Dani aceitou, deixando a mim e a Letícia sozinhas. - Então você disse a sua amiga que eu sou sexy? Perguntou me abraçando pela cintura e eu apenas sorri para ela. - Disse sim. Mas você sabe é que sexy! Afirmei. - Tenho uma surpresinha pra você essa noite. Dessa vez vai ficar e dormir comigo? Perguntou e logo lembrei que precisava pegar a estrada cedo. - Eu poderia ficar, mas tenho que sair da cidade amanhã cedo. Vou à Vitória buscar uma peça. Preciso descansar bem essa noite. Estou exausta, deitei um pouco pra relaxar e acabei dormindo e perdendo o espetáculo. Acho melhor deixarmos nossa noite para outro momento. - Que horas você tem que viajar? - Pretendo sair umas seis horas da manhã e chegar à Vitória às nove horas. Será uma viagem bate e volta. Três horas para ir e três para voltar. - Se eu for com você podemos dividir a direção e ainda lhe faço companhia. A sugestão foi bem interessante. - Sério que você quer passar seis horas na estrada comigo? Perguntei para confirmar. - Quero sim. E em troca, você fica aqui comigo essa noite. Eu até fiz compras pra tomarmos um café bem gostoso amanhã. Falou baixando o tom de voz e quase sussurrando perto dos meus lábios. Ela era convincente. - Eu só preciso ir buscar uma roupa em casa. - Ótimo. Enquanto isso eu vou terminar de preparar sua surpresa. Despedimo-nos temporariamente e eu fui levar a Dani em casa. No caminho ela só falou das irmãs Zatinni e contou que havia convidado as meninas para o evento de sábado no casarão. - Vai ser muito divertido! Finalizou empolgada. Depois de deixá-la, passei em casa e peguei uma roupa para dormir e outra para viajar no dia seguinte. Avisei ao meu pai que iria dormir fora e com ele não tive que responder nenhuma pergunta. Dirigi de volta ao circo e um tanto sem graça caminhei até o trailer da Letícia, batendo na porta assim que cheguei. - Sou eu. Posso entrar? Avisei. - Entre e feche a porta! Ao entrar encontrei-a vestindo um conjunto de lingerie com meia e sinta liga preta. E ainda usando o casaco sobretudo e a cartola de mágica. - Preparei um número especial para você! Disse me provocando e imediatamente eu senti meu corpo ferver. Notas da autora: A personagem da Dani (melhor amiga da Isabel), é inspirada na atriz Lily James.
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