Enquanto eu dirigia pensava que se a Letícia estava me procurando era porque tinha gostado da nossa química na noite anterior. Chegamos ao restaurante e ao descer da moto ela aproximou-se de mim e segurou em minha mão entrelaçando nossos dedos. A atitude dela novamente me surpreendeu.
- Está tudo bem pra você ficarmos de mãos dadas?
Perguntou me deixando totalmente desconcertada.
- Eu não sei. Você gosta de ficar de mãos dadas?
Questionei sem graça.
- Senti vontade de ficar assim com você. Nunca fiz isso antes e você?
- Nunca andei assim com ninguém. Você realmente quer andar de mãos dadas comigo?
Novamente questionei e ela riu.
- Eu quero. Mas só se não for deixá-la constrangida.
Não era exatamente um sacrifício andar com uma mulher linda de mãos dadas, mas era estranho uma vez que nós duas não éramos um casal.
Pensei um pouco e não quis estragar o momento.
- Por mim tudo bem. Vamos entrar!
Segurava sua mão com nervosismo. Enquanto ela parecia certa do que queria, mas o que ela queria afinal? Era mesmo apenas ficar de mãos dadas ou significava algo mais. Estava confusa e a minha mãe quando nos viu logo fitou nossas mãos e em seguida fixou seus olhos nos meus. Podia imaginar o que ela estava pensando. “Essa moça vai partir em poucos dias!”.
Escolhi uma mesa e a minha mãe veio cumprimentar a Letícia, que simpática, fez questão de abraçá-la. Enquanto as duas se abraçavam, ela me olhou e fez uma expressão como se me cobrasse uma explicação.
- Vão almoçar?
Perguntou mantendo o olhar fixo ao meu.
- Vamos sim mãe. O que a senhora fez de melhor hoje?
Perguntei intimidada.
- Temos uma maminha na manteiga, acompanhada por batatas rústicas, arroz e feijão tropeiro. Os clientes estão elogiando muito hoje. Posso trazer com uma salada pra vocês também. Faz muito bem pra saúde e você precisa comer direito filha!
O comentário final foi seguido por uma olhada não tão discreta da minha mãe a Letícia. Ela parecia dizer que eu precisava me alimentar para dar conta da mágica gostosa.
- O que você acha Letícia?
Perguntei tentando disfarçar enquanto a Letícia parecia ter entendido a indireta.
- Acho ótimo. Amo feijão tropeiro!
Respondeu empolgada. Não sei se pela comida ou pelo comentário da minha mãe.
- E pra beber vão querer qual suco?
Perguntou minha mãe.
- Pode escolher Letícia.
Pedi a ela que sorriu.
- Meu suco favorito é o de acerola. É possível?
Perguntou.
- Ótima escolha, suco cheio de vitaminas. Vou providenciar pra vocês! Licença.
Ao nos deixar sozinha eu olhei para a Letícia sem jeito. Estava bem envergonhada.
- Sua mãe é muito legal Isabel. Ela sabe o que aconteceu entre a gente ontem?
- Não. Eu não converso sobre esses assuntos com ninguém. Nem com a minha irmã.
- Sua irmã quis saber sobre nós?
Estava totalmente sem jeito.
- A Thatiane é muito inconveniente às vezes. Ela veio me fazer perguntas e disse que a nossa mãe queria saber se você e eu estamos namorando. Enfim, minha mãe não tinha perguntado nada, mas eu acreditei e mencionei seu nome no café da manhã. Tudo por conta das presepadas da Thati. Você tem irmãs então acho que me entende.
Ela riu da situação e em seguida me fez uma pergunta bem tensa.
- E o que você disse? Que estamos namorando?
- Quê?
- Você disse que somos amigas?
- Eu não disse nada.
Meu desconcerto parecia ser engraçado para ela.
- Você seria minha namorada?
Perguntou me olhando nos olhos.
- Julgando pela nossa química de ontem, acho que em uma situação normal, podíamos namorar. Você é linda, atraente, talentosa. Acho que sim.
- Como assim uma situação normal?
Questionou-me novamente e eu me senti pressionada.
- Você quer me dizer alguma coisa? Está diferente hoje. Pegou na minha mão. Agora falando de namoro. Não acha que essa situação parece apressada demais?
Questionei-a.
- Apenas estou curiosa para entendê-la melhor.
- Falei que sou fácil de entender. Mas você é bem misteriosa, difícil de imaginar no que está pensando. No motivo de tantas perguntas. Parece alguém diferente hoje.
Observei a olhando nos olhos e ela se remexeu na cadeira.
- Eu ouvi você e a sua cliente falando de um encontro no sábado. Vocês vão sair juntas?
Perguntou e eu sorri.
- É por isso que está agindo assim? Está com ciúme?
Perguntei sorrindo e ela ficou séria.
- E se estiver? Horas atrás estávamos nos amassando em minha cama.
Sorri vendo que brava ela ficava ainda mais sexy.
- No sábado, meus amigos vão se reunir em uma casa de show quem tem aqui na cidade. Embora eu não goste muito desse tipo de evento as minhas amigas me convenceram a ir.
- E essa Aline vai estar lá?
Perguntou me encarando.
- Sim, ela vai.
Respondi com sinceridade.
- Excelente. Eu vou com você!
Rindo da situação, não tentei convencê-la do contrário. Sua companhia era mais que bem vinda. A Letícia acabou se mostrando uma pessoa bem passional.
- Aqui está o almoço de vocês. Espero que o suco esteja ao seu agrado Letícia!
A minha mãe foi simpática e a Letícia fez questão de provar o suco e fazer elogios que deixaram a Dona Lúcia satisfeita.
- É o melhor suco de acerola que tomei na vida. A senhora tem um dom divino dona Lúcia!
Contente, minha mãe agradeceu e nos deixou sozinhas novamente.
- Sua mãe é um amor de pessoa Isa. Você tem essa mesma energia boa que ela tem.
- Sendo assim você também saiu aos seus pais. Principalmente ao senhor Pascoal.
- Ele não gosta de ser chamado de senhor. Sente-se quase ofendido.
- Sempre esqueço. Ele tinha mencionado isso para mim. Falando sobre nossas famílias eu pensei em uma coisa agora. Não quero que me interprete de maneira r**m, mas tem algo que quero perguntar.
- Aqui não é o lugar pra repetimos a noite de ontem, mas pode ser no seu carro ou seu quarto.
Brincou me fazendo rir. O jeito atrevido dela era fascinante e divertido.
- Não que essa sua brincadeira seja uma má ideia. Mas minha pergunta é outra, dentro do mesmo assunto. Quero saber se você costuma levar as mulheres que conhece ao seu trailer?
Olhando para mim e rindo, ela não hesitou em responder.
- Curiosamente você é a primeira que fico no meu trailer e a primeira que me viu no picadeiro. As outras mulheres que conheci foram em festas e eu sempre fiquei com elas fora do circo.
- Como seus pais iriam reagir se me vissem saindo do seu trailer de manhã?
- Acredito que iriam pensar o mesmo que a sua mãe deve estar pensando, que estamos namorando. Foi por isso que você não quis passar a noite comigo?
Sorriu como se tivesse me pego no flagra.
- Ficaria estranha se na manhã seguinte tivesse que encarar seus pais.
- Da próxima vez pode sair escondida se isso a deixar mais tranquila. Devia ter ficado comigo.
Concluiu me fazendo sentir culpada.
Mudamos de assunto durante a refeição e depois da sobremesa ela roçou a perna na minha por baixo da mesa.
- Eu queria sequestrar você e só devolver no final da tarde.
Por mais agradável que fosse à ideia, infelizmente eu tinha que trabalhar.
- A ideia é tentadora, porém o meu trabalho não vai sumir como num ato de mágica.
Brinquei com ela que riu.
- Você pode ir me ver mais tarde? No mesmo horário de ontem?
Perguntou.
- Claro. Só estava esperando um convite.
Afirmei rindo.
Acompanhei-a até a moto e antes de colocar o capacete ela me puxou pela cintura e colou seus lábios nos meus por uns segundos deliciosos.
- Mais tarde eu tenho uma surpresa pra você!
Provocou-me antes de ligar a moto e partir. A Letícia era consciente do seu poder de sedução e por isso usava-o sem medo, me deixando enlouquecida e muito ansiosa.
Voltei para o restaurante e assim que entrei no escritório minha mãe veio conversar comigo. Coisa que sabia que iria acontecer.
- De mãos dadas com a moça na frente de todos.
Chamou minha atenção e eu não gostei.
- Porque a senhora está falando desse jeito comigo? Cometi alguma infração?
Questionei com firmeza.
- Está certa. Não devia falar assim com você, mas fiquei nervosa. Você nunca chegou de mãos dadas com ninguém. Essa moça é muito linda e sorridente. Tenho medo que se empolgue.
Constatou verdadeiramente preocupada.
- Posso não conhecer muito bem a Letícia, mas sei que ela uma artista circense. Não estamos enganando uma à outra, apenas aproveitando o momento. Coisa que não costumo fazer.
Ao falar pensei que ficaria em apuros por me sentir atraída pela mágica, bela e sensual, Letícia Zatinni. Minha mãe não estava totalmente errada.
- Sei que tem boa cabeça filha. Vou deixá-la trabalhar!
Falou antes de sair da sala e eu continuei pensativa. Talvez aproveitar a companhia da mágica fosse ser a maior aventura da minha vida. E depois, quando ela partisse, meu mundo voltaria a ser o mesmo de antes.
Voltei minha atenção para o trabalho e só sai da sala quando ouvi um barulho estranho vindo da cozinha. Levantei para saber o que estava acontecendo e encontrei meus pais discutindo.
- O que está acontecendo?
Perguntei os interrompendo.
- A câmara fria está com mau funcionamento e o seu pai foi mexer, porque é teimoso, e acabou piorando a situação.
Reclamou minha mãe.
- Pai, o senhor sabe que não pode mexer nessas coisas. Sempre que tivermos um problema só precisamos ligar para assistência e solicitar um técnico.
- Na teoria é tudo muito simples Isabel, mas não podemos esperar até um técnico vir da capital.
- Vamos por etapa. Temos condição de funcionar sem a câmara?
Perguntei olhando para minha mãe.
- O que temos de carne é possível resfriar nos freezers. O problema é que amanhã é sexta-feira e aposto que só vamos conseguir a visita de um técnico na segunda. Não podemos ficar sem receber as carnes para o final de semana.
Observou minha mãe, que em parte tinha razão.
- Vou tentar resolver isso agora mesmo. E senhor guarde as ferramentas. Não mexa em mais nada, por favor!
Voltei para o escritório e liguei para a empresa responsável pela instalação da câmara. Após alguns minutos na linha uma moça transferiu minha ligação para o setor técnico. Explicar a situação a um dos engenheiros e ele garantiu que o problema estava no mau funcionamento de uma peça. Como esperado, ele disse que poderíamos receber uma peça nova na segunda-feira pela manhã.
- É impossível esperar até a segunda-feira. Temos um cronograma a seguir. Escolhemos a empresa de vocês por ser de referência, não acredito que não tenham meios de me enviar essa peça em caráter de urgência.
Questionei imaginando que a recusa se tratava de má vontade.
- Sinto muito senhorita, mas nossos carros estão todos em uso e só temos agenda na segunda-feira.
- É obrigação de vocês encontrarem uma solução.
Pressionei um pouco mais.
- A fábrica só funciona até amanhã. Precisaríamos de uma autorização especial para contratar um entregador terceirizado. Isso tudo demanda tempo.
- Tempo é algo que eu não tenho. Recebo uma carga de carnes no sábado. Não posso adiar o recebimento por diversas questões. Vamos fazer assim, eu vou buscar a peça amanhã pela manhã. Qualquer eletricista pode fazer a troca da peça?
- Sim senhorita, é algo simples. Inclusive posso orientar por telefone a instalação.
- Certo. Então amanhã vou buscar a peça, mesmo sendo uma obrigação de vocês!
Reclamei.
Acertamos os detalhes e eu pude tranquilizar meus pais. Em compensação passaria seis horas do meu dia dirigindo até a capital e depois de volta a minha cidade.
- O problema é simples de resolver, porém precisamos de uma peça específica. Vou buscá-la em Vitória e volto até o meio dia.
Avisei aos meus pais, que ficaram mais tranquilos. Com o problema resolvido, voltei ao trabalho e fiquei no escritório até o início da noite. Quando estava deixando o restaurante fui surpreendida pela minha amiga Daniela, que estava parada perto do meu carro.
- Precisa de carona Dani?
Cumprimentei-a sorrindo.
- Preciso. Você pode me deixar em casa?
- Claro que sim, mas não vai ficar m*l acostumada.
Entramos no carro e não demorou dois minutos até ela falar o real motivo de ter me procurado.
- A Jéssica me contou que você e a Aline tomaram um café hoje.
Começou falando.
- A Aline disse que uma moça bem bonita interrompeu vocês. Quem é?
Perguntou.
- Primeiro vocês falam demais sobre mim. Segundo ninguém nos interrompeu, tínhamos terminado a conversa. E por fim, você não conhece a moça e devia ser menos curiosa.
Descontente com a minha resposta ela insistiu.
- Pensei que fossemos melhores amigas.
Apelou aos meus sentimentos e eu ri.
- Somos melhores amigas e por isso mesmo conheço você Dani.
- Nossa Isa! Que grosseria. Custa falar quem é a moça?
- Vai fazer alguma coisa essa noite?
Perguntei.
- Vou ficar em casa mesmo. Quer me fazer um convite?
- Você gosta de circo?
- Claro que gosto. Você sabe que sim. Mas isso tem a ver com a moça bonita?
- Ela não é só bonita é mágica. Quer ir ver?
- Quero. Vou adorar! Você está saindo com a mágica do circo? Isso é muito ousado.
- A Aline não foi justa na descrição. A Letícia não é uma moça bonita e sim uma mulher sexy!
Comentei a fazendo rir.
- Quanta empolgação amiga. Quero conhecer essa mágica. Parece emocionante.
- Você e as meninas sempre dizem que preciso de alguma aventura.
- Finalmente nos ouviu. De que horas vamos ao circo?
- Esteja pronta às oito. E não me faça ficar esperando.
- Não se preocupe amiga, curiosa como estou vou ficar pronta meia hora antes.
Garantiu.
Deixei-a em sua casa e segui para a minha.
- Estava esperando você chegar. Vamos jantar?
Perguntou a Thati assim que eu cheguei.
- Não estou com fome, vou subir e descansar um pouco.
- Posso fazer uma pergunta?
- Pode.
- Você e a mágica estão namorando?
- O nome dela é Letícia e nós duas só estamos... Ah você sabe.
- Nossa mãe falou que vocês chegaram ao restaurante de mãos dadas.
- Isso não significa que estamos namorando. Acho que a Letícia ficou com ciúme. Vai ver ela queria marcar território. Também não entendi o comportamento dela hoje.
- Marcar território Isa? Sério que você disse isso?
A Thati riu e me fez rir também.
- Não somos namoradas. Eu precisava sair com alguém depois de tanto tempo e a Letícia é muito atraente. Onde mais conheceria alguém como ela? Enfim. Vou descansar um pouco e essa noite eu pretendo dormir fora de casa.
Afirmei sorrindo e antes que ela falasse mais alguma coisa eu subi para o meu quarto.
Deitei um pouco na cama e rapidamente relaxei.
- Isa! Isabel! Acorda!
- Dani? O que você está fazendo aqui?
Assustei-me ao vê-la.
- Você está atrasada. São oito e meia. Pensei que tivesse acontecido alguma coisa.
Levantei-me no susto.
- Nossa apaguei. Só preciso de vinte minutos.
Tomei um banho apressada e vesti uma roupa limpa. Caprichei no perfume e rapidamente saímos em direção ao circo.
- Perfumada amiga. Não vai me deixar sobrando nesse circo.
- Sossega e se comporta. Tem que prometer que vai tomar cuidado com seus comentários.
Pedi e ela concordou rindo. Infelizmente não dava pra confiar em sua promessa.
Chegamos ao final da primeira parte do circo e eu levei a Dani para comer os pastéis da senhora Zatinni. E depois assistimos a segunda parte do espetáculo eu peguei a Dani pela mão e sai procurando pela Letícia, que me surpreendeu e chegou fazendo perguntas.
- Boa noite Isabel! Está com outra cliente?
Perguntou me fazendo rir.
- Boa noite! Essa é a Daniela, minha melhor amiga. Dani essa é a mágica. Quis dizer que essa é a Letícia Zatinni.
Apresentei-as.
- Tem razão ela não é uma moça bonita é sexy!
O comentário da Dani fez a Letícia sorrir. Ela certamente gostou.
- Você não consegue ser discreta Dani.
Reclamei com ela que olhava para a Letícia maravilhada.
- Isabel, você por aqui!
A Patrícia me cumprimentou com um beijo no rosto e a Letícia a olhou atravessado.
- Trouxe a minha amiga pra conhecer vocês. Dani essa é a Patrícia.
- Isso é demais. Vocês duas são lindas!
A admiração da Dani deixou a Patrícia constrangida e a Letícia continuou sorrindo. Senti vontade de beliscar a Dani para ela se comportar.
- Quer conhecer minhas outras irmãs?
Perguntou a Patrícia e imediatamente a Dani aceitou, deixando a mim e a Letícia sozinhas.
- Então você disse a sua amiga que eu sou sexy?
Perguntou me abraçando pela cintura e eu apenas sorri para ela.
- Disse sim. Mas você sabe é que sexy!
Afirmei.
- Tenho uma surpresinha pra você essa noite. Dessa vez vai ficar e dormir comigo?
Perguntou e logo lembrei que precisava pegar a estrada cedo.
- Eu poderia ficar, mas tenho que sair da cidade amanhã cedo. Vou à Vitória buscar uma peça. Preciso descansar bem essa noite. Estou exausta, deitei um pouco pra relaxar e acabei dormindo e perdendo o espetáculo. Acho melhor deixarmos nossa noite para outro momento.
- Que horas você tem que viajar?
- Pretendo sair umas seis horas da manhã e chegar à Vitória às nove horas. Será uma viagem bate e volta. Três horas para ir e três para voltar.
- Se eu for com você podemos dividir a direção e ainda lhe faço companhia.
A sugestão foi bem interessante.
- Sério que você quer passar seis horas na estrada comigo?
Perguntei para confirmar.
- Quero sim. E em troca, você fica aqui comigo essa noite. Eu até fiz compras pra tomarmos um café bem gostoso amanhã.
Falou baixando o tom de voz e quase sussurrando perto dos meus lábios. Ela era convincente.
- Eu só preciso ir buscar uma roupa em casa.
- Ótimo. Enquanto isso eu vou terminar de preparar sua surpresa.
Despedimo-nos temporariamente e eu fui levar a Dani em casa. No caminho ela só falou das irmãs Zatinni e contou que havia convidado as meninas para o evento de sábado no casarão.
- Vai ser muito divertido!
Finalizou empolgada.
Depois de deixá-la, passei em casa e peguei uma roupa para dormir e outra para viajar no dia seguinte. Avisei ao meu pai que iria dormir fora e com ele não tive que responder nenhuma pergunta. Dirigi de volta ao circo e um tanto sem graça caminhei até o trailer da Letícia, batendo na porta assim que cheguei.
- Sou eu. Posso entrar?
Avisei.
- Entre e feche a porta!
Ao entrar encontrei-a vestindo um conjunto de lingerie com meia e sinta liga preta. E ainda usando o casaco sobretudo e a cartola de mágica.
- Preparei um número especial para você!
Disse me provocando e imediatamente eu senti meu corpo ferver.
Notas da autora: A personagem da Dani (melhor amiga da Isabel), é inspirada na atriz Lily James.