Nunca tinha entrado em um trailer antes, e me surpreendi ao perceber que ele era de fato uma casa sobre rodas, tinha uma pequena cozinha, com armários, mesa e sofá. Um banheiro e um quarto com cama de casal e um guarda roupa.
- Eu praticamente não uso essa cozinha, apenas a noite se for beber um chá ou suco. A mesa eu levanto e o sofá fica maior. Dá pra deitar e ler um livro ou mexer no notebook. O meu banheiro é pequeno, mas tem uma ducha incrível. O lugar que passo mais tempo é o quarto. Tenho uma penteadeira embutida, mas quando vou me vestir para os espetáculos, faço isso no camarim, porque as roupas ocupam muito espaço. O que você achou do meu cantinho?
Perguntou sorridente.
- É muito organizado. Parece confortável também, impressionante.
Comentei.
- Você gosta de ler?
Perguntei vendo uma prateleira com livros de temas variados.
- Gosto. Leio um pouco de tudo. Sou curiosa. Pelo que vi no seu quarto você também gosta.
- Os livros são importantes para alguém como eu.
- Alguém como você?
- Sim. Gosto de ficar em casa. Então livros e os filmes são o meu lazer.
Afirmei.
- Gosto de ler vários livros ao mesmo tempo e de preferência em lugares diferentes.
Disse mostrando um pouco mais sobre sua personalidade.
- Prefiro ler um livro por vez. Só na faculdade que não tinha essa opção.
Contei enquanto olhava o trailer procurando mais referências sobre ela. Esse era um hábito meu. Sempre fazer uma análise das pessoas no detalhe, assim como quando fazia consultoria em alguma empresa. Olhando o quarto dela vi vários objetos de lugares diferente do Brasil. Norte, nordeste, sul e sudeste. Ela parecia ter conhecido todas as regiões do país.
- O que quero mostrar está em cima da minha casa. Você tem medo de altura?
- Você quer que eu suba no seu trailer?
Perguntei rindo.
- Não tem perigo. Posso ajudá-la a subir.
Com um sorriso aventureiro ela parecia ter poderes para me convencer com facilidade.
Subimos por uma escada lateral e eu fui cautelosa. Em cima do trailer havia uma esteira e algumas almofadas. Lugar que ela certamente preparou antes de me convidar. E se ela havia planejado o encontro era porque tinha um objetivo em mente.
- Queria conversar mais à vontade com você.
Afirmou sorrindo e sentou-se me convidando a fazer o mesmo.
Sentei ao seu lado e nós duas olhamos uma para a outra.
Com um sorriso no canto dos lábios ela fazia meu coração bater diferente. De repente era como se fosse o meu primeiro encontro na vida.
- No que está pensando?
Tomei iniciativa puxando assunto antes que ficássemos sem graça.
- Você tem uma postura firme e ao mesmo tempo um olhar meigo.
Seu comentário causou-me timidez. Normalmente não ouvia nada assim.
- Meu olhar certamente está refletindo o encantamento que estou sentindo.
Afirmei olhando nos olhos dela, que se aproximou de mim.
- Confesso que seu jeito me atrai. Fico querendo saber mais a seu respeito Isabel.
Sorri com seu interesse, principalmente porque nunca me achei interessante.
- Sou uma pessoa simples de entender. Sempre digo o que penso com objetividade.
- E quando você namora continua com essa firmeza?
Perguntou parecendo não querer perder tempo.
- Eu não sei. Nunca namorei. Anos atrás conheci uma moça e nós duas ficamos próximas, mas não evoluímos para um namoro. Ela morava na capital aonde fui fazer minha graduação. Depois que o curso terminou voltei pra casa a nossa relação chegou ao fim.
Com um olhar misterioso ela parecia tentar entender além das minhas palavras.
- Também quero saber mais a seu respeito Letícia Zatinni.
Declarei sorrindo.
- O que eu posso dizer? Sou mágica. Amo dançar e viver novas experiências. Nunca namorei ninguém, mas conheci algumas meninas em lugares que passei. Como minha vida não é nada convencional não tive tempo de me apaixonar e posso garantir que não deixei nenhum coração partido, porque nunca escondo minha vida como itinerante. Todos sabem que uma hora vou partir.
Sendo sincera, ela pareceu me inteirar que no final da temporada as luzes do espetáculo se apagavam, o circo ganhava a estrada e qualquer história ficava apenas registrada na lembrança. Olhando para ela não sabia se estava disposta a viver algo assim, sabendo que estávamos em uma regressiva e que em breve não nos encontraríamos mais.
- Eu gosto de ficar aqui em cima quando quero pensar na vida. Amo olhar as estrelas e pensar que independente do lugar que esteja posso admirá-las.
Comentou deitando-se e eu sorri olhando para ela.
- Nesse momento você é a única estrela que quero admirar.
Falei contendo o desejo de beijá-la. Sentia tanta vontade que a minha boca aguava e o coração acelerava. Enquanto isso meu lado ponderado soava um alerta sobre os riscos de me envolver. A Letícia era diferente de qualquer pessoa que havia conhecido e isso me fascinava de um jeito que eu sequer conseguia entender o que significava.
- No que está pensando me olhando assim?
Ela perguntou e eu sorri.
- Estou pensando em beijar você. Só não sei se devo arriscar.
Fui sincera e ela sorriu aproximando-se de mim e lambendo os próprios lábios em provocação.
- O que ainda está esperando?
Seu questionamento foi respondido com uma atitude. Olhei nos seus olhos, que sorriam maliciosos. Aproximei meu rosto do dela, respirando pausadamente, quase perdendo o ar. Encostei nossos lábios sem pressa e tomei sua boca com delicadeza. Imediatamente senti uma energia correr meu corpo ao mesmo passo em que meu coração ficou acelerado. Nossas línguas se tocarem e milhares de sensações invadiram meu corpo por todas as partes possíveis. Segurei-a pela nuca, entrelaçando meus dedos em seu cabelo e os puxei levemente, ato que lhe arrancou um sorriso sensual.
Estava enlouquecida com a intensidade do nosso encontro. Era difícil sair do beijo, eu queria mais, queria ir além, todos os meus impulsos, que sempre foram contidos pareceram acordar ao mesmo tempo e me fazer agir. Deitei meu corpo sobre o dela na esteira. Seus lábios eram tão deliciosos que me deleitava com eles e com o roçar assanhado das nossas línguas. Nós duas nos beijávamos sem timidez.
Excitada, percorri minha mão em seu corpo e apertei a coxa dela. As pernas dela eram belíssimas e em pensamentos eu estava ansiosa para percorrê-las com minha língua. Continuamos em um beijo libertino, cheio de vontade. O calor entre nós duas só aumentava, estávamos inflamadas pelo desejo e por um momento eu pensei que passaríamos dos limites.
- Acho que devemos ir com calma.
Ponderei me afastando de seus lábios e ela me puxou de volta e continuamos o beijo.
De repente me perdi e encontrei nos lábios dela. O beijo mais intenso da minha vida, que parecia ser capaz de me devorar.
Ousada, a mágica colocou as mãos por baixo da minha blusa, fazendo meu corpo arrepiar com seu toque. Esqueci-me de onde estávamos e passei minha mão por baixo da blusa dela indo até seus p****s e os apalpando.
- Queria continuar essa loucura aqui mesmo. Mas isso seria ousado demais até para mim.
Desta vez foi ela quem ponderou e eu concordei.
- Antes preciso dizer uma coisa.
Chamei a atenção dela que me olhou curiosa.
- Você é muito gostosa Letícia!
Afirmei rindo e ela achou graça.
- E você tem um beijo muito audacioso para uma menina certinha.
Tive que rir do seu comentário.
- Não sou uma menina e sim uma mulher. Posso até ser certinha, mas também sou objetiva demais pra fazer qualquer coisa sem colocar toda minha vontade.
Afirmei a provocando.
- Vamos logo lá pra baixo e você me mostra toda sua competência. Quem sabe posso mostrar alguns dos meus truques favoritos.
Instigou-me com malícia. E ela ficava ainda mais sexy desse jeito.
- Eu não imaginava que você era travessa assim Letícia.
Chamei sua atenção e ela riu.
- Você não me conhece, mas quer conhecer. Estou certa?
Concordei sorrindo e sentindo uma empolgação com a ideia de conhecê-la em detalhes.
Entramos no trailer e assim que a Letícia fechou a porta agarrou-se a mim e puxou-me para um beijo. Ela tomou iniciativa e começou a tirar minha jaqueta e blusa. Inflamada pelo desejo, fiz o mesmo e a deixei apenas de sutiã na parte superior. Senti suas mãos acariciando minha pele e passando as unhas pelas minhas costas e braços. Meu corpo reagiu ao seu toque arrepiando-se por completo. Todas essas sensações surgiram sem que nos afastássemos de um beijo intenso com nossas línguas se procurando e provocando.
Desatei seu sutiã e o tirei jogando-o em cima da mesa. Estávamos na cozinha do trailer. Afastei-me do beijo e olhei seus p****s, eram lindos e estavam rígidos e excitados. Sorri para ela, que assistia minha reação diante do seu corpo. Senti-me ainda mais atraída e sem pressa os acariciei com as mãos enquanto ela me observava mordendo os lábios. Eu os tocava com delicadeza e eles atraiam meus lábios. Desejosa, abocanhei um de cada vez e os senti atiçados com o roçar da minha língua em volta dos m*****s.
Com os dedos entre os meus cabelos, puxando-os levemente, a Letícia gemeu pela primeira vez. Um gemido sôfrego seguido por sua respiração acentuada. Poderia ficar me deliciando em seus p****s por horas, porém todo corpo dela merecia atenção.
- São deliciosos!
Sussurrei com o rosto próximo ao dela, que sorriu vaidosa.
- Gostaram da sua boca!
Respondeu provocativa.
Habilidosa, ela abriu meu sutiã e encarou meus p****s. Sorri para ela. Embora não fossem tão fartos quanto os seus, me orgulhava deles por serem firmes. Suas mãos macias os acariciaram com uma força na medida certa. Deixei-me levar pelo seu toque, entreguei-me fechando os olhos e senti sua língua provocá-los antes de sugá-los com apetite.
- Você é bem gostosa!
Declarou me apertando pela cintura e voltando a tomar meus lábios em um beijo nervoso, tão intenso e apressado que me senti levada as alturas. Pensamentos deliciosos invadiam minha mente e em todos nós duas estávamos em uma entrega libidinosa.
Sem parar o beijo, ela me guiou até o quarto e me atirou na cama. Sorrindo e me olhando começou a se despir diante dos meus olhos. Observei seu corpo ficando maravilhada. Ela parecia conhecer meus pensamentos mais salientes e por isso se exibiu ao tirar a calça e ficar apenas usando uma calcinha fio dental preta. Sem dúvida uma visão tentadora.
- O que me diz?
Perguntou me provocando.
- Você é maravilhosa Letícia!
Elogiei, e para deixar-me ainda mais enlouquecida ela deu uma voltinha, lentamente, exibindo seu bumbum durinho e perfeito.
- Assim você vai me matar do coração!
Comentei a fazendo rir.
- Eu acho que você está vestida demais. Posso resolver esse problema!
Brincou e eu entendi bem sua dica. Deixei que ela abrisse o botão da minha calça e o zíper. Em seguida me despi ficando apenas de calcinha Box preta.
- Gostei! Você é sexy Isabel! Tem jeito de quem gosta de mandar. Quero obedecê-la!
Provocou sorrindo e sendo deliciosamente safada.
Com as mãos em seu cabelo, o sentindo entre meus dedos puxando levemente para trás, percorri seu pescoço com meus lábios lhe dando mordidas e chupões que a deixaram arrepiada. Senti uma de suas mãos ousarem por dentro da minha calcinha e ouvi seu sorriso ao constatar meu estado molhado.
- Não tem como negar que estou extremamente excitada por sua causa!
Afirmei sussurrando ao seu ouvido.
Coloquei-me por cima do seu corpo e segurei seus pulsos contra a cama. Dando-lhe diversos beijos pelo pescoço, ombro, s***s, barriga. Olhei sua calcinha e fiquei ansiosa para tirá-la de uma vez. Soltei seus pulsos e terminei de despi-la olhando sedenta para seu sexo com pelos bem cortados, sexy como tudo no corpo dela. Apreciei suas coxas e finalmente pude beijá-las, mordê-las, lamber da virilha ao seu sexo quente, úmido e delicado que pedia para ser acariciado. Obedecendo apenas meu desejo, coloquei-me entre suas pernas e brinquei com minha língua em seu sexo a fazendo gemer, sorrir, puxar os lençóis da cama, segurar-se neles e em meus cabelos, arranhar meus ombros e contorcesse até atingir o orgasmo.
Meu corpo estava quente e o dela suado. Ofegante ela se recuperava e eu olhei-a satisfeita. Sentia meu coração bater forte e quando ela me encarou com aqueles olhos cor de mel, sorri com um contentamento incomum. Havia algo neles que me prendiam e isso era assustador.
- Você me olha de um jeito intenso. No que está pensando?
Perguntou ainda ofegante e eu disfarcei.
- Estou pensando que nós duas nos empolgamos bastante.
Brinquei e ela riu antes de me puxar e voltar a beijar.
- Vamos deixar a conversa pra depois. Esse momento é mágico. Vamos aproveitar!
Propôs maliciosa e eu concordei.
Tínhamos tanta chama que nossos beijos logo evoluíam. Com os corpos despidos, roçávamos uma na outra, entrelaçando nossas pernas, pressionando os joelhos em nossos sexos, que molhados entregavam o quanto desejávamos por mais.
Entre coxas, em um sarro intenso, provocávamos cada vez mais excitação uma na outra. Meu sexo sensível com tanto estímulo, latejava, pulsava. Abraçadas, suadas, excitadas, quase sem ar, não nos desgrudávamos. Jamais senti tamanha atração e ligação com outro corpo.
Sorrindo, ela me segurou pelos pulsos e olhou intensamente em meus olhos. Queria saber no que ela pensava, mas não era o momento de fazer perguntas. Voltando a me beijar ela desceu por meu corpo com os lábios, até encaixar sua boca em meu sexo. Só em sentir o toque da sua língua eu gemi por estar excitada demais. Delicadamente ela começou a lamber e sugar ao massageá-lo com a língua, enquanto eu me contorcia com tantas sensações agarrando-me ao lençol. Há tanto tempo não recebia um oral e a boca da Letícia era tão gostosa que me devorava e estimulava com maestria. Entre gemidos e espasmos, gozei com vontade. Cheguei a perder o fôlego e as forças. Tanta excitação era novidade para mim. Além de linda a Letícia era muito habilidosa.
O cheiro do corpo dela estava em mim, eu o sentia ao respirar. Deitando-se ao meu lado, ela pareceu satisfeita. Olhamo-nos e rimos uma da outra como duas bobas.
- Somos duas loucas não é mesmo?
Ela questionou e eu concordei. Éramos duas loucas, suadas, cansadas e satisfeitas.
Por mais gostoso que fosse o momento estava tarde para continuarmos.
- Letícia, eu não quero estragar o clima, mas preciso voltar para casa.
- Pensei que fosse passar a noite aqui. Está tão bom!
Disse quase me fazendo mudar de ideia, mas eu não queria ter que acordar e me deparar com alguém da família dela, me sentiria desconfortável.
- Está muito bom. Só que eu não costumo dormir fora de casa e meus pais podem estranhar.
- Você é bem crescida Isabel, mas eu entendo que prefira ir.
Concluiu sorrindo e me olhando.
Vestimo-nos e ela me levou de volta para casa.
- Nos vemos mais tarde?
Perguntei ao lhe entregar o capacete.
- Claro que sim. Pode me ligar se sentir minha falta.
- Não tenho seu número ainda.
Constatei e ela riu.
- Coloquei meu cartão no bolso da sua jaqueta. Pode me ligar se desejar.
- É impossível não a desejar!
Brinquei lhe dando um último e demorado beijo.
- Boa noite Letícia! Vai com cuidado!
Ela riu.
- Até logo Isabel! Sonhe comigo!
Desejou antes de colocar o capacete e ir embora.
Era madrugada quando voltei para casa e entrei com todo cuidado para não acordar ninguém. Estava mexida com tudo que tinha acontecido e ao deitar na cama e olhar para o teto fiquei sorrindo e relembrando os momentos deliciosos que há pouco havia me deleitado.
- Isa! Posso entrar?
A Thati sussurrou perto da porta para não fazer barulho e eu abri pra que ela entrasse.
- Três horas da madrugada Isabel Vilela! Que bonito!
Brincou me fazendo rir. Estava contente e leve demais.
- Perdi a noção do tempo. O pai e a mãe perguntaram por mim?
- O único questionamento da mãe foi se você e a moça do circo estavam namorando. Estão?
- Ela perguntou isso mesmo ou você está de brincadeira comigo?
- Ela realmente levantou essa questão, mas agora sou eu que quero saber. O que está rolando? Porque está óbvio que rolou muitas coisas essa noite. Você está até corada.
Observou me deixando sem jeito.
- Se quer mesmo saber eu vou dizer. Está tarde e eu tenho um compromisso de trabalho pela manhã. Preciso descansar.
Falei a empurrando para fora do quarto e expulsando-a sem cerimônia.
- Certo. Você não conta as coisas pra mim. Eu só sou sua única irmã. Mas fazer o quê?
Apelou ao drama e eu apenas ri.
- Boa noite Thatiane!
Desejei antes de fechar a porta e ficar novamente sozinha.
Estava curtindo o momento após a noite maravilhosa com a Letícia e depois de tomar um banho deitei-me para dormir com um sorriso nos lábios.
Acordei cedo e como de costume nadei um pouco e depois de me vestir para o trabalho, juntei-me a minha família para fazer a primeira refeição do dia.
- Bom dia Família!
Os cumprimentei sorrindo e logo me sentei pegando uma fatia de bolo e copo de suco.
- Bom dia filha. Chegou tarde? Estava com a moça do circo?
Perguntou minha mãe. Ela nunca perdia tempo.
- Estava sim, mas antes que a senhora pergunte, não estamos namorando.
Antecipei-me.
- Eu não pensava em perguntar.
Ela respondeu e a Thati começou a rir.
- Não sei como ainda acredito em você Thatiane!
Reclamei com ela, sem perder o humor.
- Não gosto de me meter na vida de vocês duas, mas espero que você não se envolva demais com essa moça.
Disse a minha mãe.
- O nome dela é Letícia mãe. E por qual motivo à senhora está me dizendo isso?
Perguntei sem entender. De fato, a Dona Lúcia não costumava fazer observações assim.
- Preocupação de mãe. Essa moça é uma artista itinerante. Logo vai partir e eu não quero que você fique sofrendo.
A preocupação dela me pareceu exagerada. Nunca fui de sofrer por alguém, muito menos por uma pessoa que eu acabei de conhecer.
- Eu sei que ela não veio para ficar mãe. Não se preocupe, não temos nada sério.
Afirmei um pouco incomodada.
Terminei o café da manhã e em seguida sai de casa para ir ao banco. Após uma conversa com o gerente que cuidava das contas e investimentos da família, eu liguei para a Aline e confirmei o nosso encontro em uma cafeteria no centro, mas antes passei no restaurante para imprimir alguns papéis e atualizar algumas notas no sistema.
Era quase dez e meia quando encontrei com a Aline. Sorrindo, ela levantou-se e me cumprimentou com um beijo no rosto.
- Como vai? Demorei muito?
Perguntei ao me sentar e logo tirei um bloco de papel e uma caneta da minha bolsa.
- Cheguei há pouco. Tomei a liberdade de pedi dois expressos. Sei que você gosta.
Afirmou.
- E como você sabe?
Perguntei a deixando vermelha.
- A minha prima disse que você gosta de café, especialmente expresso, puro e mais forte.
- E você está abrindo uma clínica ou uma cafeteria?
Questionei rindo e ela ficou sem graça.
- Estou abrindo uma clínica e tenho um sócio. Um médico mais experiente que vai investir o dinheiro para montar todo o consultório. Porém, quem vai cuidar de tudo e administrar sou eu. Por isso preciso de orientação com a gestão. Eu preciso de você!
Afirmou sorrindo e me olhando fixamente.
- Vamos por partes...
Continuei a conversa de maneira formal para entender no quê ela precisava de orientação. O trabalho era simples, portanto, poderia ajudá-la. Após lhe falar sobre o custo do meu serviço, encerramos a conversa com um segundo café.
- Você vai ao Casarão no sábado?
Perguntou como se não soubesse a resposta.
- Prometi a Dani que iria. Ela foi muito insistente.
- Espero que possamos conversar melhor no sábado. Sem questões de trabalho.
Declarou sorrindo e segurando minha mão.
- Finalmente encontrei você Isabel!
A Letícia se aproximou da mesa e me surpreendendo.
- Estava me procurando?
Perguntei no impulso e ela riu de mim.
- Claro. Fiquei esperando que me ligasse pra desejar bom dia.
Falou antes de olhar para a Aline.
- Desculpa, estou atrapalhando?
Perguntou e eu respondi apressada.
- Você não atrapalha. Terminamos por hoje, não é verdade Aline?
- Sim, claro.
Ela concordou novamente sem graça.
- Pensei que podíamos almoçar juntas.
A Letícia sugeriu e eu concordei.
Despedi-me da Aline com um aperto de mão e percebi que as duas se olharam estranho.
- Essa moça é sua amiga?
Questionou a Letícia.
- É prima de uma amiga minha e agora uma cliente.
Afirmei sob seu olhar duvidoso.
- Ela deixou uma marca de batom no seu rosto.
Passei a mão me limpando.
- A sua cliente tem segundas intenções. Essa marca está bem perto dos seus lábios.
Fiquei sem graça com o comentário e ela mudou de assunto.
- Onde vamos almoçar?
Perguntou me olhando.
- Vamos para o restaurante dos meus pais. Tudo bem pra você?
- Claro que sim. Estou faminta. Vou seguindo você de moto.
Ela colocou a mão em minha nuca e me deu um beijo colado.
Gesto que me surpreendeu.