Sim, o ódio servia. Eu sentia a vibração dele no ar condicionado do carro, via no modo como ela olhava para a janela, recusando-se a encarar o homem que acabara de chantagear sua carreira. O ódio era quente. O ódio era apaixonado. Eu só não sabia que ele serviria muito bem para encerrar a noite. O elevador se abriu e entramos na cobertura. Lara saiu disparada, os saltos batendo no mármore em um ritmo furioso. Ela andou a passos apressados até o corredor do quarto de hóspedes, certamente para evitar olhar na minha cara e para arrancar do corpo aquele vestido vermelho que ela já devia estar odiando, simplesmente porque fui eu quem escolheu. Ao passar pelo sofá, ela levou a mão ao pescoço. O colar de diamantes e rubis voou da mão dela e aterrissou nas almofadas de veludo. Ela o jogou como

