Eu não conseguia desviar o olhar.
Era hipnótico. A mão dele, grande e bronzeada, movendo-se sobre aquela... escultura. O ritmo era lento, deliberado, feito para que eu visse cada centímetro do que ele tinha.
Minha mente gritava para eu correr. Gritava que aquele homem era um criminoso, um manipulador, o "Monstro de São Pietro" que eu acabara de criar. Mas meu corpo não ouvia. Meu corpo tinha vontade própria.
Minhas mãos se moveram antes que eu pudesse impedir.
Estendi os dedos, trêmulos, e toquei o dorso da mão dele, pedindo silenciosamente para assumir o controle.
Juan parou. Ele soltou o ar pesadamente, inclinando a cabeça para trás, o pescoço exposto, os olhos verdes se fechando como se estivesse sentindo dor e prazer ao mesmo tempo. Ele retirou a mão dele, deixando-me livre.
Eu o segurei.
Apertei meus dedos ao redor da base, sentindo a dureza implacável, o calor absurdo que emanava dele. Era... irreal.
Usei a outra mão. Envolvi o topo, deslizando para baixo até encontrar a primeira.
Eu olhei, fascinada. Minhas duas mãos estavam fechadas ao redor dele, e ainda assim... ainda sobrava espaço. Haveria lugar para uma terceira mão, se eu a tivesse.
Era grosso, pesado, pulsando contra as minhas palmas com uma vitalidade assustadora.
Uma onda de indignação misturada com desejo puro me atingiu. Era injusto demais.
Não bastava ele ser lindo? Não bastava ter o rosto de um anjo caído e o dinheiro para comprar a cidade inteira? Ele tinha que ser dotado daquele jeito?
Era como se a genética, ou alguma deusa perversa, tivesse gasto todo o orçamento nele e deixado o resto dos homens com as sobras.
Eu comecei a mover as mãos, devagar.
Juan soltou um rosnado baixo, profundo, que vibrou no peito dele e ecoou no meu. O quadril dele se moveu para frente, buscando meu toque, forçando-se contra mim.
Aquele som... aquele som de rendição masculina foi o que me trouxe de volta.
A realidade caiu sobre mim como um balde de gelo.
O que eu estava fazendo? Eu estava masturbando o homem que, tecnicamente, me sequestrou. O homem que eu estava destruindo na internet naquele exato momento.
— Não.
A palavra saiu num sussurro.
Soltei-o abruptamente, como se ele estivesse em chamas. E pela temperatura, parecia que em breve estaria.
Juan abriu os olhos. O verde estava escuro, dilatado, focado em mim com uma intensidade inumana. Ele não se moveu, não tentou me agarrar. Ele apenas ficou ali, exposto, magnífico e rígido, esperando.
— Eu não posso — eu disse, recuando, tropeçando nos meus próprios pés. — Eu vou embora. Agora.
Juan respirou fundo, controlando a respiração descompassada. Ele olhou para baixo, para o problema evidente entre as pernas, e depois para mim.
— Você não vai a lugar nenhum, Lara.
Ele começou a se ajeitar. Com movimentos rápidos, ele guardou o m****o dentro da calça social.
Mas não havia como esconder aquilo.
Mesmo com o tecido escuro e o zíper fechado, o volume era obsceno. Uma protuberância dura e marcada que denunciava exatamente o estado em que eu o deixei. Ele não tentou disfarçar.
Ele queria que eu visse o que eu tinha rejeitado.
— A porta está trancada — eu acusei, apontando para a saída. — Abra.
— Já disse que não — ele pegou a camisa do chão e a vestiu, sem se dar ao trabalho de abotoar. — A notícia ainda não saiu no impresso. As ruas ainda acham que você é minha amante. Se você sair agora, os homens de... Boina ou de qualquer outro rival vão te pegar na esquina.
— Você disse que cancelou o contrato!
— Cancelei. Mas acidentes acontecem. E eu não paguei uma fortuna pela sua segurança para ver você morrer por teimosia.
Ele caminhou até mim. Eu cruzei os braços, tentando criar uma barreira, mas meus olhos traidores desceram para o zíper dele de novo.
— Você fica — ele decretou. — Tem um quarto de hóspedes no corredor. Lençóis limpos. Banheiro privativo.
— E a chave? — Perguntei, desconfiada.
Juan enfiou a mão no bolso da calça e tirou uma chave prateada. Ele estava com ela porque já previa minha recusa de dormir com ele, essa percepção me tranquilizou. Ele jogou a chave para mim. Eu a peguei no ar.
— Tranque-se. Se isso te faz sentir melhor.
— E a cópia? — Eu apertei o metal na mão. — Você tem uma reserva?
Ele sorriu. Um sorriso cansado, mas ainda assim arrogante.
— Eu juro que não tenho reserva, Lara.
Eu o encarei, procurando a mentira.
— E mesmo que tivesse... — ele continuou, dando as costas para mim e indo em direção ao bar. — Eu não precisaria de chave para entrar no quarto de uma mulher que me segurou com as duas mãos e quase implorou por mais. Se eu entrar naquele quarto, será porque você abriu a porta.
Eu fiquei vermelha até a raiz dos cabelos.
— Boa noite, Juan.
Girei nos calcanhares e marchei para o corredor, entrando no primeiro quarto à direita.
Bati a porta com força. Girei a chave na fechadura duas vezes. Testei a maçaneta. Trancada.
Encostei a testa na madeira fria da porta, ouvindo o silêncio da cobertura.
Eu estava segura. Trancada. Longe dele. Então por que a imagem daquele volume marcado na calça dele ainda estava queimada na minha retina? E por que a minha mão ainda parecia quente onde o tocou?
Eu aceitei a chave. Mas sabia que a verdadeira fechadura que ele estava tentando abrir não precisava de metal para ser destrancada.