31 — Juliana Narrando As semanas foram passando e a gente foi entrando naquela rotina doída de visita, mas a vida lá fora não para, né? O sol no Rio de Janeiro não tem pena de ninguém, e naquele dia ele acordou de rachar o asfalto. A Manu já encostou na loja com aquele brilho no olho: — Amiga, para tudo! Esse sol tá pedindo um mergulho. Vamos pra praia? Olhei pro movimento da loja, deixei tudo no esquema com a minha funcionária de confiança e pensei: "Quer saber? Eu mereço". Subi, tomei um banho e comecei a produção. Botei um biquíni de fita que deixava o peitão que o Diego pagou lá no alto, prendi o cabelão num coque bem despojado, óculos de grife no rosto e aquela sainha de crochê que marca cada centímetro da cintura. Me olhei no espelho e pensei: "O Urso ia infartar". Peguei a chave

