VITÓRIA NARRANDO Acordei com a cabeça latejando, como se alguém tivesse passado a noite inteira batendo um tambor dentro do meu crânio. O quarto ainda estava meio escuro, as cortinas fechadas, o cheiro forte de álcool misturado com perfume caro impregnando o ar. Demorei alguns segundos pra entender onde eu estava. A cama grande, os lençóis de algodão egípcio, o silêncio pesado demais pra ser confortável. Então eu vi. Felipe estava sentado na poltrona em frente à cama, o corpo relaxado demais pra alguém que segurava uma arma. Numa mão, o revólver apoiado na perna, o dedo perigosamente próximo do gatilho. Na outra, um copo de whisky, o gelo já quase derretido. Ele me encarava como se eu fosse um problema matemático difícil demais pra resolver. Meu estômago revirou. — Tá fazendo oque ?.

