FERA NARRANDO. Eu sempre fui o tipo que observa mais do que fala. No morro, isso não é virtude, é sobrevivência. Quem fala demais entrega fraqueza, entrega plano, entrega emoção. E emoção, quando não é bem controlada, vira bala perdida — quase sempre acerta quem não merece. Aquela noite no baile deixou isso ainda mais claro. O Sombra passou a madrugada inteira com o olhar grudado na Maju. Não era só ciúme, era desespero. O tipo de desespero que não grita, mas queima por dentro. Toda vez que algum aliado se aproximava dela, mesmo que fosse só pra trocar duas palavras, eu sentia o corpo dele tensionar do meu lado. Mandíbula travada. Punhos cerrados. Respiração curta. E eu ali, firme, tentando segurar a bomba antes que explodisse. Passei a noite inteira falando no ouvido dele, puxando pr

