James
A garçonete se aproximou, andando entre as diversas mesas da varanda, carregando habilmente uma bandeja de aço com uma das mãos. Um hambúrguer sem cebola e um cachorro-quente com queijo com ervas foram colocados ao lado dos nossos copos de cerveja.
— Precisam de mais alguma coisa, senhores?
— Tudo bem. - eu a dispensei apressadamente, sem lhe dar um olhar.
Atrás dele, além da cerca pintada à mão que circundava a pequena varanda, os carros zuniam rapidamente, ziguezagueando entre os pedestres que corriam para os bares próximos para a hora do almoço.
Eu tremia de impaciência enquanto esperava que a garçonete colocasse o bloco de pedidos no bolso do avental com uma lentidão deliberada. Eu sabia o que ele estava tentando fazer: queria chamar a atenção para um de nós. Santa Madona que bolas!
As mulheres humanas nos acharam irresistíveis, sentiram o cheiro do perigo que emanamos e se sentiram atraídas por nós, fascinadas pela consciência cheia de adrenalina de poder ser tocadas por nós de formas completamente dissociadas do amor. Além disso, a nossa necessidade de renovação celular foi o estopim que acendeu a sua excitação. Bastava um olhar lânguido, um leve toque no braço e eles se entregariam a nós sem muita cerimônia. Era uma questão de química, que deixava pouco espaço para fantasias românticas. Química simples, necessária apenas para a manutenção da nossa espécie.
Exceto que eu não tive tempo para essa besteira. A ideia de ter um imprinting estava me deixando louco e por mais que eu me recusasse a aceitá-la, aquela garotinha humana continuava sendo uma obsessão, um tormento. E caramba, essa coisa me incomodou.
Eu não poderia me permitir tal problema. Minha vida tinha que seguir um padrão pré-estabelecido em que a segurança da minha matilha vinha em primeiro lugar. Eu não poderia estragar tudo tomando um humano como companheiro. Eu não tinha tempo para isso.
Eu poderia sair com ela às vezes, absorver sua excitação, talvez até arranjar cinco minutos para tomar uma bebida com ela em um daqueles muitos bares que Dimitri adorava frequentar. Eu certamente não poderia jogá-la em minha vida e em meu mundo. Teria se tornado uma limitação para mim, uma maldita chave inglesa no trabalho. Ela era muito frágil, muito humana. Ela não tinha força física nem psicológica para se tornar a Rainha da minha matilha. Eu nem tinha certeza se, como humana, ela poderia fazer isso legalmente.
Além disso, toda a minha existência foi baseada em perigos e lutas territoriais que muitas vezes me viam em campo junto com meus Betas em confrontos entre matilhas hostis. Tê-la ao meu lado sem dúvida teria me levado a tomar decisões diferentes, que não a envolvesse mais do que o necessário, e a segurança da matilha teria vacilado.
E eu não poderia permitir isso. Na verdade, eu não queria.
Afinal, eu só a via há alguns minutos, ainda não tinha conexão. Eu não dei a mínima para ela!
— Você quer que eu conte o que sei sobre ela? - Dimitri começou
— Tudo. - respondi rapidamente.
Que merda! f**a-se, f**a-se, f**a-se!
— O nome dela é Brooke Hower, vinte e dois anos, nascida e criada aqui em Minnesota. - ele enfiou a mão no bolso interno do paletó cinza escuro e tirou uma nota de papel rígido. — Seu endereço está marcado aqui.
Peguei o bilhete e o escondi no bolso da frente da minha calça jeans. — Data de nascimento?
— Vinte e dois de julho.
— Vá em frente. - eu insisti, pegando a caneca de cerveja. Por que ela era virgem aos vinte e dois anos?
— Ela é muito próxima de dois funcionários, Jenny da contabilidade e Connor da gráfica.
A caneca quebrou na minha mão e o pouco de cerveja que sobrou caiu na mesa.
— Fique calmo, James. - havia uma nota de reprovação na voz de Dimitri.
Olhamos em volta para ter certeza de que não havíamos chamado a atenção dos outros clientes e com irritação pude sentir o cheiro do perfume da garçonete antes mesmo de vê-la. Ele já estava apontando para a nossa mesa com um pano nas mãos. Não, vamos lá, de verdade... como ele não percebeu meu f**a-se escrito em sua testa?
— Você pode t*****r com ela, por favor? - eu deixei escapar.
Dimitri revirou os olhos, sem entender. — Mas de quem você está falando?
— Da garçonete que está voltando para a nossa mesa. Preciso que você dê o fora de mim ou não poderei ter uma conversa com você digna de ser chamada de tal.
Dimitri esfregou o queixo quadrado com cansaço. — Que chatice.
— Faça-me esta cortesia ou arrancarei a jugular dela.
Ele revirou os olhos e assim que ela se aproximou da nossa mesa, ele relutantemente abriu um sorriso tentador.
— Que aperto forte. - comentou a garçonete, apontando para os fragmentos do copo. — Dia r**m?
— Você não sabe o quanto. - eu murmurei.
— Posso fazer alguma coisa para melhorar? - ela disse sedutoramente. Para ser um, realmente era. Mas meu f**a-se que ela não conseguia entender também era verdade.
Olhei para Dimitri entediado, esperando que ele interviesse.
— Tenho certeza que posso melhorar o seu. - Dimitri disse a ela.
A atenção da mulher foi atraída para meu irmão. — E como?
— Vou explicar para você em trinta minutos nos fundos deste pub. - Ele parou, pensando em alguma coisa. — Você tem fundos, certo?
— Claro. - ele riu.
— Nos encontramos lá. E agora, por favor amor, preciso falar com meu irmão, então não nos incomode mais, ok? Aconteça o que acontecer, não volte para esta mesa.
A garçonete colocou os punhos nos quadris, ofendida, mas um beijo simulado dos lábios de Dimitri foi o suficiente para derretê-la completamente. Fiquei quase com medo de vê-la escorregar para o chão e estupidamente me mantive pronto para pegá-la.
— Vejo você em breve, amor. - ele a dispensou.
A mulher engasgou e colocou a mão no centro do peito. Seu batimento cardíaco estava acelerado, eu podia senti-lo claramente àquela distância e neste nível de intensa frustração. Nossa audição funcionava de forma semelhante à dos humanos, desde que não estivéssemos à mercê de nenhuma emoção forte. Não importava se era raiva, excitação ou felicidade. Todo tipo de emoção despertava a fera que há em nós, aguçando nossos sentidos e tornando-os semelhantes aos do lobo.
— Você tem que manter o controle, droga. - Dimitri me disse quando ficamos sozinhos. — Você não pode ter essas reações toda vez que eu digo o nome de um homem. Você não está mais na floresta. As regras humanas são muito diferentes das regras da matilha e você não pode culpar aquela garota por ter amigos.
Cerrei os dentes e, com um aceno de braço com raiva, empurrei o prato com o hambúrguer para longe. Eu não estava mais com fome. Mau sinal. — Como posso fazer com que pareça um acidente?
Dimitri apontou um dedo para mim. — Não vamos matar Connor.
Deixei cair os braços ao lado do corpo, rendendo-me à sua lógica. Passar muito tempo entre humanos o acalmou, estava claro. Ele simpatizou com aquela raça, apoiou o seu destino, chegando ao ponto de defendê-los e, consequentemente, frustrar um dos meus desejos.
Como Alfa, eu sabia que tudo o que precisava fazer era ordenar que ele arrancasse a cabeça daquele homem e Dimitri obedeceria instantaneamente. Apesar disso, deixei-me influenciar pelo seu bom senso, tentando discernir entre os seus ideais um caminho que me levasse à paz de espírito que aquela menininha mandou se f***r sem precisar nem me olhar nos olhos. Deus, eu odiei isso!
Olhei para minhas mãos: elas ainda tremiam, mas o instinto assassino diminuía lentamente. A fome voltou.
— O que mais? - retomei a conversa. — O que mais você sabe sobre ela?
Ele espiou dentro de seu cachorro-quente para ver se o queijo estava realmente com ervas. — Ela trabalha no departamento de publicidade há seis meses. Antes trabalhou como garçonete em um restaurante fast food, como auxiliar de consultório odontológico e como vendedora porta a porta de produtos cosméticos. Ela não terminou os estudos por falta de dinheiro, começou a universidade, mas desistiu depois de alguns meses.
— A família dela não a apoiava?
— Ela decidiu. Seu pai e sua mãe trabalhavam em turnos triplos para pagar as mensalidades da faculdade. Até o irmão dela trabalhou por um certo período como segurança em uma escola secundária para poder financiar seus estudos, mas não foi suficiente. Nem todo mundo tem a sorte de ter um orçamento como o nosso.
Apertei os lábios e estiquei as pernas por baixo da mesa, cruzando os tornozelos. — Não se trata de sorte, trata-se de bom senso comercial.
Foi um elogio indireto a ele, pois só graças a ele minha agência de publicidade se tornou parceira das marcas mais importantes. Eu era o braço, ele era a mente. Éramos uma equipe perfeita. Além disso, eu vivia da renda proveniente dos direitos das minhas fotografias. A foto que tirei do meu pai durante a sua mutação tornou-se o logotipo da agência e antes disso tinha sido usada como marca registrada de uma empresa cinematográfica em Cingapura.
Outras fotos minhas foram espalhadas pelo mundo, mas aquela que retratava meu pai na forma de um lobo conseguiu inflar minha carteira e me fornecer fundos suficientes para abrir do zero uma agência que empregava sessenta pessoas.
Duas meninas com uniformes escolares passaram por nós e um perfume inebriante de rosas saturou o ar de forma tão inesperada que me senti como se tivesse sido catapultado para um prado primaveril. Franzi o nariz, esfregando a testa. Eu já podia sentir minhas íris queimando.
— James. - Dimitri me ligou com urgência. — James olha para a mesa. Olhar para baixo.
Obedeci instantaneamente, ciente de que minhas íris haviam ficado vermelhas. Pelo canto do olho observei as duas garotas se afastarem, sem saber do perigo, então olhei de volta para Dimitri. Ele sentou-se sereno em sua cadeira, bebendo sua cerveja. A veia latejante em seu pescoço era a única indicação de sua frustração.
— Como você pode resistir? - Amaldiçoei com os dentes cerrados.
— Isso é questão de hábito. No mundo humano funciona assim: as meninas perdem a virgindade muito tarde. - Ele tomou um gole de cerveja e balançou a cabeça, pensando em algo que não compartilhou comigo. — Os primeiros dias foram difíceis. Quanto mais cedo você se acostumar com o cheiro deles, melhor, ou corre o risco de beirar a loucura.
— Quanto tempo você dura? - perguntei.
Ele olhou para o lado, desviando meu olhar, embora eu não estivesse olhando para ele atentamente. Eu ainda estava com as pálpebras semicerradas, com medo de que minhas íris ficassem pretas novamente.
— Eu quase matei uma garota. - Ele esfregou o queixo, caindo para trás na cadeira. O olhar deles estava distante, perdido atrás de lembranças desagradáveis. — Uma noite. Uma noite foi suficiente. Eu estava no mundo humano há alguns dias e ingenuamente decidi dar uma corrida no parque. Eu tinha escolhido ir à noite, quando sabia que não haveria muita gente."
Ele balançou a cabeça novamente e ajustou o nó da gravata, afrouxando-a. A veia em seu pescoço parou de latejar.
— Uma garotinha… - ele sussurrou, abaixando as pálpebras. Quando ele os reabriu, as íris brilharam em amarelo, mas foi apenas por um momento. — Ela não tinha nem dezessete anos. Ela estava sentada sozinha em um banco, com um boné de futebol enfiado na cabeça e um copo de pepsi equilibrado sobre os joelhos nus. Cheguei muito perto e o cheiro de sua virgindade me pegou desprevenido. Num instante eu a ataquei e...
Ele congelou, me estudando atentamente. Pelo seu olhar sombrio, entendi que aquela lembrança ainda devia estar fazendo com que ele se sentisse m*l. No entanto, ela era uma mera humana. Como ele poderia abrigar esse enorme sentimento de culpa?
— Você era o dono? - perguntei.
Ele pegou a caneca de cerveja e girou-a, olhando para a espuma que gruda nas bordas antes de ser absorvida lentamente. — Consegui parar a tempo. Arrastei-a para trás de um grupo de árvores e quando a bati contra o tronco ela bateu a cabeça e desmaiou. Foi nesse momento que rasguei a roupa dela com os dentes. - Ele fechou os olhos novamente e o copo quase derramou. — Santo Cristo! Cheirava a rosas como um prado florido. Minhas células precisavam desesperadamente de um impulso s****l e seu cheiro virgem era hipnótico."
— Como você se conteve? Isso vai contra a nossa natureza.
— Eu não me contive. A transformação já estava em andamento. Todas as minhas dez garras saíram de uma vez e comecei a acariciá-la, inevitavelmente rasgando sua carne fresca. Havia sangue por toda parte. Então, graças a Deus, o vigia noturno interveio. Ele apontou a lanterna para nós, mas consegui escapar a tempo, antes que ele percebesse o que eu era. O sargento Malloy me deu uma boa bronca no dia seguinte.
Pensei no antigo companheiro do meu avô e agradeci aos céus por ele estar do nosso lado. Sua ajuda foi inestimável, uma parede invisível que mantinha lobisomens e humanos separados. Por conhecer meu avô desde sempre, Malloy sabia exatamente do que éramos capazes e quão pouco autocontrole tínhamos na esfera s****l, principalmente no período de cio.
É quase impossível para nós manter o lobo afastado durante esse tempo e apenas uma lobisomem fêmea poderia tolerar nossos instintos bestiais.
— Os jornais vêm falando sobre isso há semanas. A polícia procurava um agressor armado com facas e havia toque de recolher em vigor o tempo todo. Isso foi sempre graças à intervenção do sargento Malloy que o caso foi encerrado.
— Cristo, Dimitri! Você realmente acha que a polícia vai ignorar uma garotinha deixada sangrando até morrer num parque?
— O sargento Malloy me garantiu que este caso foi transferido para o estado sem solução.
Inclinei a cabeça para o lado, rompendo os tendões do pescoço. — Quero que você se acalme com as prostitutas, ou pelo menos certifique-se de não deixar rastros por aí depois que terminar.
Dimitri se inclinou para frente, apoiando os antebraços na mesa de centro. — Nunca mais estive com uma virgem. Nunca mais cheguei perto disso. Cheire-me. Eu estou dizendo a verdade.
Eu inspirei profundamente. Senti o cheiro da vergonha e da culpa. Um toque de perfume acre invadiu minhas narinas, como se alguém tivesse borrifado desodorante em mim. Não havia nenhum vestígio de mentira ou qualquer subterfúgio.
— Você viu a garotinha de novo?
Ele balançou sua cabeça. — Não, felizmente. Só li nos jornais que ela ficou dez dias internada. Então, quando tive certeza de que ela estava fora de perigo, tentei tirá-la da cabeça. Eu devo a ela de qualquer maneira.
— Por que motivo?
— Foi graças a ela que consegui me acostumar com o perfume de rosa das virgens. Cada vez que ouço isso, lembro-me do que fiz.
— Isso é um bom paliativo para resistir. - concordei.
— No mínimo, o medo de ter comprometido seriamente o sigilo de todo o bando foi e continua a ser uma boa desculpa para manter o pássaro sob controle.
— Por que você nunca me contou sobre isso?
Novamente ele desviou o olhar. — Eu não queria que você soubesse das minhas fraquezas.
— Você sabe que pode falar comigo sobre qualquer coisa.
Ele assentiu, subitamente distraído por algo por cima do meu ombro. — Tenha cuidado. Outra garotinha está se aproximando.
Estalei minha língua contra o céu da boca duas vezes. — Eu também tenho um paliativo.
— Seria?
A garotinha passou tão perto de nós que a alça do ombro roçou meu cotovelo. Puxei-o para trás e deixei meus olhos vagarem pela pequena b***a envolta em shorts. Ele balançou os quadris em um movimento ondulante natural, sem demonstrar qualquer malícia.
— Bem… - eu suspirei, revirando os olhos em aborrecimento. — Digamos que seja uma mini versão de um paliativo no qual eu inexplicavelmente tenho uma impressão.
— Como você explica isso?
— Não sei explicar.
— Você deveria informar seu pai. Talvez algo semelhante já tenha acontecido no passado.
A raiva tomou conta de mim novamente, inchando os músculos do meu peito. — Ele não vai aceitar isso bem.
— Ele pode se importar mais com o fato de você não morrer em alguns meses. Você tem estado tão focado e ocupado treinando novos recrutas que se esqueceu completamente de seus deveres como Alfa.
Olhei para cima bruscamente. — Observe como você fala.
— James. - ele acalmou seu tom, colocando sua mão em cima da minha. — Você sabe melhor do que eu que um Alfa sem companheira está destinado a morrer aos trinta anos. Por que você esperou tanto para procurar um?
— Eu estava ocupado com os novos recrutas.
— Já dissemos isso.
Franzi o nariz, sucumbindo à sua lógica. — Eu estava com medo disso. Tive medo que isso me distraísse neste momento delicado.
— Ah, ela vai! Ela certamente fará isso. Mas lembro que uma matilha sem Alfa está destinada a sucumbir. Brooke é a sua e a nossa salvação e rezo ao Senhor para que ela seja forte o suficiente para suportar tudo.
— Um humano com um lobisomem? - comecei a rir, amargamente. Desesperado. — Nosso encontro foi sua sentença de morte. Além disso, o tempo é nosso inimigo. Droga! - bati meu punho na mesa e os pratos vibraram. — Se ao menos eu não a tivesse conhecido durante o período do cio.
Dimitri me cheirou. — Você está envolvido até o pescoço. Seu calor... e seu cheiro virgem...
— Eu deveria ficar longe dela. - eu disse sem sentido. Primeiro porque era impossível para um lobisomem desistir de sua companheira, segundo porque desistir dela significava a derrota de toda a matilha.
— Você deveria, sim. - ele concordou. A sobrancelha direita ergueu-se, como que para sublinhar o ridículo destas palavras. — Mas como sabemos muito bem que você não será capaz de fazer isso, como você acha que pode torná-la sua sem que ela se oponha?
Juntei as mãos em oração e coloquei-as na testa, tentando resistir à sensação de desespero que mantinha minha clareza como refém. Eu tive que bolar um plano, e rapidamente.
— No momento tentarei usar táticas humanas, apenas para acostumá-la à minha presença. - eu disse. — Então tente me dizer o quanto você sabe sobre ela. Gostos musicais, hobbies, preferências...
— Ela adora orquídeas.
— Onde posso encontrar uma boa florista?
— A dois quarteirões daqui. Tudo que você precisa fazer é fazer uma ligação. Mmm... o que mais? - Ele bateu o dedo no queixo, pensando nisso. — Ela gosta de filmes de fantasia.
— Mas por favor! - eu resmunguei. — Esses malditos filmes devem ter feito uma lavagem cerebral nela. Levarei séculos para fazê-la entender que os lobisomens, na realidade, são completamente diferentes do que você lê nos livros ou vê na televisão.
— Você também passará parte desses séculos fazendo-a acreditar que existem na realidade.
Bufei e com um aceno de mão o convidei para continuar.
— Ela se veste com roupas baratas.”
— Eu posso consertar isso.
— À noite ela quase sempre fica em casa e nas poucas vezes que saí encontra Jenny. Ela gosta muito de caminhar nas montanhas e não suporta a cidade e o trânsito.
— Mais? - me aqueci. Por que ele teve que falar em parcelas?
— Eu diria que é muito. Lembro que sou seu chefe e não seu irmão. Não é como se ela acordasse de manhã e viesse direto até mim para me contar o que estava acontecendo.
Tirei uma nota da carteira e joguei no prato vazio. Então peguei outro e entreguei para Dimitri. — Dê para a garçonete depois de t*****r com ela. Com meus cumprimentos.
— Que infame. - ele começou a rir, levantando-se da cadeira e gesticulando para a garota em questão esperar por ele.
— Gosto deste restaurante e quero voltar. Então certifique-se de deixá-la com uma boa memória, se é que você me entende.
Peguei minha jaqueta pelas costas e puxei uma manga.
— Ah! Você realmente tem que saber disso. - ele começou a rir.
Virei-me para ele, encontrando-o ao meu lado. Sua mão disparou para meu ombro, batendo nele algumas vezes de forma reconfortante.
— Ela tem medo de cachorros.
— p**a merda! - eu soltei, socando-o de brincadeira no estômago.