Capítulo 6 - O alfa está no cio

2984 Words
James Cheguei ao escritório apenas à tarde, enquanto a equipe de publicidade ainda estava ocupada na sala de reuniões com o cliente Lancôme. Tive certeza disso porque assim que entrei pela porta giratória da entrada farejei o ar com cautela, apavorado, já pronto para o pior. O cheiro virgem que eu tinha medo de sentir já havia se dispersado no ar, varrido pelo ar condicionado e absorvido por um vago toque de tabaco, suor e desodorantes de diversas marcas. E também tive certeza disso porque no meu celular piscavam cerca de trinta mensagens que haviam chegado durante a manhã e às quais eu não havia prestado atenção. Eu sabia quem eles eram sem precisar olhar para eles: Connor! Como representante legal e acionista majoritário da empresa, eu deveria ter presidido a reunião, mas abandonei esse compromisso após a noite de merda que passei correndo na floresta. Eu ainda tinha o cheiro pungente de almíscar e alguns restos de sujeira sob as unhas, apesar de ter esfregado as mãos sob o jato quente do chuveiro por quarenta e cinco minutos. A mutação começou espontaneamente por volta da meia-noite, acelerada pelo eco distante dos uivos das lobas que haviam entrado no período de cio. Foi um chamado ao qual, como homem, eu poderia muito bem resistir, mas ao qual a fera dentro de mim certamente não poderia se opor. Seus gemidos estavam saturados de frustração, pairando no ar como dedos invisíveis que atraíam todos os homens livres presentes no território. Até o lobo mais domesticado foi subjugado, passando por uma transformação emocional e física, finalizada pela necessidade visceral de acasalamento. Não era a mera libido, mas o desejo inato de garantir a perpetuação da espécie. Para as nossas mulheres, as pulsações sexuais eram mais fáceis de controlar, estando estritamente ligadas à ovulação, mas para nós, homens, era diferente. Em nós o nível de testosterona estava constantemente alto porque pela herança evolutiva tínhamos que estar sempre prontos para engravidar uma mulher. Por isso, a b***a escondida dentro de nós, neste período específico, não poderia ser dominada nem pela racionalidade nem por aquela pequena parte humana que nos caracterizava. Só nós que já tínhamos aderido ao nosso parceiro conseguimos resistir a este apelo, assumindo a capacidade de desencadear e neutralizar todos os impulsos sexuais em relação a outras mulheres. Eu estava vagando no sopé da Eagle Mountain, ziguezagueando desesperadamente entre as diversas árvores, arranhando os troncos e mijando por toda parte para marcar meu território. Nenhum lobo teria a arrogância de entrar em minhas terras sem primeiro ser convidado e isso me permitiu não possuir dois ou três antes do amanhecer. Eu precisava desesperadamente disso, mas a impressão impôs em mim uma lealdade a Brooke que eu m*l conseguia tolerar. Cada parte do meu corpo ainda tremia, a ereção dolorosamente esmagada na braguilha da minha calça jeans estava latejando há horas para ser liberada, a fera dentro de mim ainda rugia, dando cotoveladas para se libertar e correr em direção à primeira fêmea, lobisomem ou humana para engravidá-la. Passei a mão pelo cabelo, tirando da testa o tufo que escapava do elástico e me sentei na cadeira atrás da mesa. Eu estava rangendo os dentes com tanta força que minha respiração saía aos trancos e barrancos, como se eu tivesse corrido quilômetros. Eu tive que me acalmar. Eu tive que recuperar o controle. Condenação! Com um gesto brusco da mão joguei no chão a pasta amarela colocada no centro da escrivaninha e isso decretou minha condenação. Uma lufada de perfume, leve e ao mesmo tempo dolorosa, flutuou invisivelmente em direção às minhas narinas, penetrando-as como lâminas em brasa. Essa pasta pertencia a ela. Ela permaneceu em sua mesa por dias, imersa em suas coisas pessoais. Brooke havia tocado aquela pasta um bilhão de vezes e, enquanto ela permanecesse parada sobre a mesa, o perfume das rosas permanecia imóvel, estabilizado no papel. Com o impacto, porém, o perfume libertou-se das correntes da filigrana e dispersou-se num tormento torturante. Por reflexo, as íris começaram a queimar e senti claramente os caninos se alongarem. Curvei meu lábio superior, expondo minha mandíbula como se aquela garotinha estivesse na minha frente, pronta para marcar sua pele. — Pela p**a, James! Acalme-se. - Dimitri correu em minha direção, agarrando meus ombros para que eu pudesse me virar para ele. — Onde ela está? - rosnei tão baixo, do fundo do meu diafragma, que apenas a audição do lobisomem poderia ter decifrado as sílabas. — Me escute James, você tem que manter o controle. Respire fundo. Você tem que respirar devagar, com a boca. Completamente cego pela raiva, agarrei-o pela gola do casaco e atirei-o para longe de mim. Seus pés saíram do chão e, um momento depois, sua cabeça bateu na porta de vidro, estilhaçando-a. Uma chuva de estilhaços explodiu, girando até o centro do escritório antes de se espalhar pelo chão. — Diga-me onde diabos essa mulher está! - trovejei, agarrando a cadeira e jogando-a para a minha direita. Desta vez foi a vez da prateleira quebrar. Os livros que foram colocados nele caíram uns sobre os outros e algumas capas foram literalmente perfuradas pelos pedaços destruídos de algumas estantes. Um par de trepadeiras passou por minhas botas de combate. — Se eu trouxesse aqui, sairia num saco preto. - ele tentou argumentar comigo. Ele colocou a mão no joelho para se levantar. Alguns pedaços de vidro permaneceram presos em sua panturrilha e gradualmente foram ficando tingidos de sangue. Havia uma poça escura de sangue perto de seus pés, uma menor na prateleira da impressora. — Agora tente se acalmar e vá ao banheiro e se masturbe. Não vou trazer essa humana aqui. Apontei meus olhos vermelhos para ele e reflexivamente algumas manchas douradas começaram a se esticar ao longo de sua íris, um sinal de que ele estava se submetendo. — Não se atreva a ir contra o Alfa. - ameacei. — Irmão. - ele murmurou cuidadosamente, estendendo as mãos defensivamente. — Você não está em condições de ficar perto dela agora. Sabemos muito bem o que você pretende fazer com ela, mas ela é humana. Uma virgem. Você realmente acredita que o corpo dela não sucumbirá à sua brutalidade? Sua b***a irá possuí-la e seu lado humano ficará parado e assistirá você despedaçá-la. Cerrei os punhos e alcancei-o com dois passos longos, bloqueando meu rosto a trinta centímetros do dele. Dimitri baixou o olhar reflexivamente, seguindo o instinto natural de submissão, mas sua expressão permaneceu implacável, firme na decisão de se opor a esse meu desejo irresistível com todas as suas forças. Sem qualquer aviso, acertei-o no queixo e sua cabeça caiu para trás. Eu o segurei pela nuca e bati nele novamente, ganhando um arranhão nos nós dos dedos que sarou alguns momentos depois. — Diga-me onde diabos essa mulher está! - gritei na cara dele, tão perto que não consegui distinguir claramente os traços do seu rosto. — Diga-me! Seus olhos amarelos brilharam com teimosia e ficaram vermelhos quando eu o golpeei pela terceira vez. — Reaja por Deus! - gritei, sacudindo-o. Dimitri virou a cabeça para o lado e cuspiu sangue. — Não enquanto você estiver nesta condição. Dê uma punheta e conversaremos sobre isso. — f**a-se. Uma pontada na parte inferior do abdômen, dez vezes mais violenta que as anteriores, me tirou o fôlego, deixando minhas coxas doloridas. Inclinei-me para frente, apoiando-me com uma mão no ombro de Dimitri que prontamente tensionou os músculos das costas para suportar meu peso. Sua ereção balançou para frente, impulsionada pela necessidade frustrante de ser domesticado, e irradiava cólicas no centro do estômago. — Merda! - murmurei num gemido de desespero viril, a meio caminho entre um apelo sombrio e um gemido de dor. Privado de toda energia, caí de joelhos, caindo no chão em posição fetal. Minha têmpora bateu nos azulejos, mas não senti dor. Eu m*l estava consciente dos braços de Dimitri me sacudindo. — Você tem que respirar, James. Respire fundo três vezes. Concentre-se em sua respiração. - a voz estava distante, um gemido baixo e estridente misturando-se com a dor devastadora. O fogo na minha virilha aumentou, atirando facadas nas minhas bolas, fazendo minha semente ferver. Depois cresceu ainda mais, até ultrapassar qualquer percepção dolorosa que alguma vez tinha sentido, atingindo um pico que qualquer ser humano nunca poderia suportar fisicamente. Fiquei atordoado, vagamente consciente do que estava acontecendo ao meu redor, meu coração galopando em agonia em direção ao desejo desesperado de parar de bater. Tossi entre os dentes enquanto passava os braços em volta do corpo e me contorcia no chão duro, atormentado por espasmos epilépticos. Mordi inadvertidamente a língua e o gosto metálico de sangue escorregou pela minha garganta, quase me sufocando. Foi isso que acalmou o fogo. O sangue. O zumbido nos ouvidos foi diminuindo aos poucos, os objetos voltaram a ter sua própria aparência, as pupilas se contraíram algumas vezes, trazendo foco ao contorno do rosto de Dimitri. Ajoelhando-se ao meu lado, ele me ajudou impotente, seu olhar cheio de respeito reverente e compreensão sólida: eu havia entrado oficial e totalmente no calor. Me permiti respirar mais e o ar chegou aos meus pulmões sem encontrar nenhum obstáculo, sinal de que o pior já havia passado. Senti meu m****o latejar como se estivesse após um orgasmo poderoso, mas pelo menos meu escroto não estava mais formigando e minha virilha estava livre da dor aguda causada por uma overdose de testosterona. — Está melhor? - ele perguntou com simpatia. Eu balancei a cabeça. Estendi a mão e agarrei seu bíceps com os dedos, depois me apoiei em um cotovelo. A fraqueza me fez cambalear, mas com outro longo suspiro recuperei o controle total de mim mesmo. — Você passou por momentos difíceis, irmão. - comentou ele, abaixando o rosto para olhar sua camisa rasgada e manchada de sangue. O hematoma que deixei na maçã do rosto não mostrava sinais de reabsorção. — Porra... você caiu forte, hein... — Sinto muito, irmão. - Embora eu sentisse um lampejo de culpa, não havia nenhum vestígio disso no tom que usei. Cada emoção ainda estava sob controle pela necessidade urgente de acasalar. Voltando à realidade, senti uma sensação de desconforto. Eu odiava me mostrar fraco na frente de um m****o da matilha. Calor ou não, eu tinha uma reputação a defender e um papel a preencher que não deixava espaço para qualquer fracasso. O que acabara de acontecer comigo era a prova de que a lua cheia, o dia em que completaria trinta anos, se aproximava inexoravelmente. Se eu não tivesse completado meus deveres, a matilha logo ficaria sem Alfa, à mercê de outras matilhas que receberam a notícia de que eu ainda estava sem companheira. E um Alfa sem sua fêmea era fraco, um elo muito banal em um laço que levaria sua linhagem à morte. Apesar de tudo, pensei em Brooke, naquela maldita humana, no modo como ela continuamente empurrava uma mecha de cabelo escuro para trás, por cima do ombro. A maneira como ela olhou para mim, sempre em algum lugar entre irritada e incerta. A maneira como ela gaguejava sem jeito se eu ficasse olhando para ela por muito tempo. O desconforto voltou. Aquela fêmea era perigosa. Se ela pudesse me fazer perder o controle daquele jeito, mesmo sem estar perto de mim, isso significava que minha presença ao seu lado logo se tornaria um caminho rápido para sua destruição. Ou o meu. — É hora de falar com ela. - Dimitri entendeu meus pensamentos e eu fiz o mesmo com os dele, pois eram idênticos aos meus. Nenhum humano sensato teria digerido voluntariamente a existência de lobisomens, muito menos teria aceitado compartilhar sua vida com um deles. Ela fugiria, isso era certo. E ao fazer isso ela teria despertado minha ancestral sede predatória, alimentando e inflamando meu desejo inato de caçar presas. Ela não teve chance de escapar de mim, mas teria tentado de qualquer maneira, transformando-se inconscientemente em uma vítima de sacrifício. — Eu tentei me juntar a ela com táticas humanas. - eu bufei, soltando seu antebraço e ficando de pé. — E o que eu ganhei? Será que ela se apaixonou por mim? Não. Não, droga. Ela rejeitou meu namoro me dando uma desculpa i****a. — Presumo que você esteja se referindo às gérberas. O rosto envergonhado de Brooke brilhou diante dos meus olhos enquanto seus olhos disparavam de mim para o buquê de flores em confusão. As bochechas vermelhas não eram artificiais e sua timidez era algo terrivelmente atrapalhante, uma espécie de chave inglesa que retardava o momento em que eu a teria tornado minha. — Ele rejeitou o primeiro baralho. Não sei dos outros que entreguei na casa dela. Ainda não o vi. — Graças a Deus. - ele começou a rir, amenizando o frio na sala. Um sorriso arrogante me escapou. — Ela ainda é uma mulher. Mesmo sendo humana, ela terá hormônios ou impulsos. Talvez ela não se importasse se eu a jogasse em cima desta mesa para... — Para. - Dimitri ergueu as mãos. — Bloqueie esse pensamento imediatamente. Não pense em sexo ou você ficará em agonia novamente. - Ele olhou em volta, percebendo o dano que eu havia causado. — Além disso, temo que não haja mais nada para você destruir neste escritório. — Você está aqui. — Engraçado. - ele murmurou, esfregando a maçã do rosto. — Então, qual será o seu próximo movimento "humano”? Fiquei parado por um tempo, considerando as diversas opções que tinha. O namoro humano era muito diferente daquele do mundo animal. O que foi imediato para nós, para os humanos exigiu tempos quase bíblicos. Tempo que eu não tinha de qualquer maneira. Se eu tivesse tido um imprinting com uma lobisomem fêmea, tudo que eu teria que fazer seria acariciar o pelo macio que cobre sua jugular, cheirar seu r**o e circulá-la algumas vezes. Nesse momento ela se deitava de quatro, abaixando as orelhas em sinal de aceitação e com um uivo gritava que pertencia a mim, para que todos os machos da matilha soubessem disso. Com os humanos, porém, não funcionou exatamente assim. Fizeram exigências, refugiaram-se em suas mentes distorcidas em busca de estratagemas inúteis para resistir o maior tempo possível. Os humanos adoravam complicar as coisas. Caso contrário, eles não estavam felizes. — Vou convidá-la para jantar e explicar como estão as coisas. - eu disse. — Muito humano, de fato. - ele revirou os olhos. — Levá-la a um restaurante para dizer que você é um Alfa e que ela pertence a você, quer ela queira ou não, não é exatamente mudar a sua complicada situação. — Talvez você não perceba que me resta muito pouco tempo. Ele abriu os braços e os deixou cair com um baque ao lado do corpo. — Qual é James, você sabe muito bem que ela vai fugir de você antes mesmo de ter tempo de abrir o cardápio. Senti meu lábio se curvar para cima enquanto tentava imaginar a cena. Eu daria a ela uma pequena vantagem, apenas para vê-la se transformar em uma presa enquanto ela fugia de mim. Então eu iria persegui-la e assim que o pegasse... A ereção pulsou novamente, me lembrando de como eu estava perpetuamente andando no fio da navalha. — Nem mesmo estuprá-la irá amarrá-la a você. - ele continuou sério, mais uma vez sentindo meus pensamentos. — Também porque você provavelmente a deixaria morrer antes mesmo de atingir o orgasmo. Meu sorriso desapareceu. As palavras de Dimitri estavam tão cheias de lógica que me irritaram. — O que você propõe? Você está entre os humanos há muito mais tempo do que eu, você conhece seus pensamentos, o que eles querem. O que aquela maldita garotinha quer? — Se você quer amarrá-la a você tem que ir passo a passo. Aprenda a se dar a conhecer, ensine-a a ficar perto de você, acostume-a com a presença dele. Tudo isso é coisa que as mulheres gostam. — As flores então eram uma besteira inútil? — Eu lembro que você é o chefe dela. — Mais uma razão para se sentir lisonjeado, não acha? — Não no mundo humano. - ele respondeu obviamente. Movimentei-me pela sala, pensativo. A cada passo o vidro estalava sob as solas das botas de combate. — Eu poderia fazer uma campanha promocional e contratá-la como assistente. — Sim, isso faria com que vocês dois passassem algum tempo juntos. - ele aprovou. — Poderia ser uma solução. — E acima de tudo isso iria distraí-la das atenções daquele filho da p**a. Dimitri franziu a testa. — De quem você está falando? — Aquele Connor. — Connor não está nem um pouco interessado nela. - ele descartou, encolhendo os ombros. — E isso parece uma razão boa o suficiente para parar de desejá-lo morto? — Seriam três civis mortos pelas suas mãos em menos de 24 horas. - Ele franziu os lábios, não convencido. — Eu evitaria isso no momento. Comecei a rir, jogando a cabeça para trás. — Você lê os jornais, então! — Sim. - ele olhou para mim. — Eu li. E sua garotinha também leu. — Isso nunca vai me conectar a eles. - Peguei o que restava do batente da porta e desmontei-o, jogando-o sobre um móvel com o pé quebrado em dois. — E então aqueles dois estavam a devorando com os olhos. A vida deles se tornou estéril. Puta merda, esses caras me irritaram. Agora eu conseguia entender que Brooke era linda, e se algo era lindo, era lindo e pronto. Normal que alguém pudesse se virar para observá-la. Mas havia um limite para tudo, Cristo! — Deixe que seja limpo. - ordenei ao passar por ele, dando-lhe um empurrão brincalhão para afastá-lo. — Onde você está indo? Eu olhei para ele com conhecimento de causa, levantando uma sobrancelha. — Encontrar um cliente adequado para uma nova campanha publicitária.
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