08 Elay

1073 Words
Pouco se fala da sensação de acordar bem, mesmo depois de ter dormido pouquíssimas horas de sono. Acordo e olho para o lado vendo a Ruby, dormindo tão calmamente que me fazia sentir inveja. Algumas mechas de cabelo esparramadas pelo rosto, estendo a mão e as afasto do seu rosto observando os detalhes simplórios. Ouço o seu suspirar calmo, mas eu me distraio e acabo passando tempo demais ali, apenas olhando para ela. O sol entra pela janela e percebo como está tarde, como estou demorando demais aqui. Levanto com muito sufoco e ainda mesmo querendo muito ficar, me forço a ir. — Merda… — Resmungo ao levantar, sentindo minha cabeça doer, talvez pelas poucas horas de sono e ponho a mão na testa. Ao sair do quarto, encontrei Ruth no corredor, com um sorriso malicioso no rosto. A última cara no mundo que eu queria ver agora era a dela, eu realmente não queria. Mas lá estava ela, igualzinho a um espírito obsessor pelos corredores. Mulherzinha chata e inconveniente. Depois de ontem eu ainda estava revoltado com ela. Eu sabia que ela estava procurando por uma reação minha, então decidi jogar conforme as regras dela. Ela queria saber detalhes sobre como foi o sofrimento da Ruby. — E então, como foi a noite com a Ruby? Ela foi boa e se comportou? — Ruth perguntou, com um tom de voz que me fez querer ignorá-la. Mas eu sabia que não podia fazer isso. Então, forcei um sorriso e respondi: — Sim, ela foi ótima. Se comportou muito bem. Ruth sorriu, satisfeita com a minha resposta. — Ah, que bom. Eu sabia que ela ia se adaptar bem ao... ambiente. Olhei para ela com um olhar neutro, tentando não mostrar o que realmente estava pensando. — Sim, ela se adaptou muito bem — Repeti, sem dar mais detalhes. Ruth pareceu satisfeita com a minha resposta e não perguntou mais nada. Eu sabia que ela estava procurando por algo mais, mas eu não ia dar a ela. — Bem, espero que você tenha aproveitado ao máximo — Ruth disse, com um sorriso malicioso. Eu apenas acenei com a cabeça e disse: — Sim, foi uma noite agradável. Não disse mais nada, não queria dar a ela a chance de continuar a conversa. Eu sabia que ela estava tentando me provocar, mas eu não ia cair nessa. — Vou embora agora — Disse, sem esperar resposta. Ruth apenas acenou com a cabeça e eu saí do corredor, ansioso para deixar aquele lugar para trás. Eu estava quase na porta quando parei e me virei para Ruth. Ela estava sorrindo, pensando que havia ganhado. — Ruth — A chamei, minha voz firme. Ela se virou para mim, surpresa. — Sim? — Perguntou, com um tom de voz curioso. — Quero deixar uma coisa clara — Disse, minha voz baixa e ameaçadora. — Nunca mais faça isso com a Ruby. Nunca mais a obrigue a fazer algo que ela não queira. Ruth riu, debochando. — Ah, você está tão preocupado com ela. A noite foi tão boa assim? — Perguntou, com um sorriso malicioso. — Não é da sua conta — Respondi, minha voz dura. — Ah, mas é — Ruth rebateu. — Você está tão protetor com ela. É quase como se... — Cale a boca — Eu a interrompi, minha voz firme. — Você não sabe nada sobre mim ou sobre a Ruby. Ruth deu um passo à frente, seu sorriso ainda mais amplo. — Ah, mas eu sei que o seu pai não aprova mulheres tão jovens se prostituindo. Muito menos sendo obrigadas — Disse, com um tom de voz ácido. — Exatamente — Disse, minha voz firme. — E eu vou garantir que você não faça mais isso. Você não vai mais obrigar nenhuma mulher a fazer algo que ela não queira. Ruth riu novamente, mas desta vez havia um tom de nervosismo. — Você acha que pode me controlar? — Perguntou, com um olhar desafiador. — Não é questão de controle — Respondi, minha voz dura. — É questão de fazer o que é certo. E você sabe que o meu pai vai concordar comigo. Ruth pareceu hesitar por um momento, mas logo recuperou a compostura. — Veremos — Disse, com um sorriso malicioso. — Não, Ruth — Disse, minha voz firme. — Eu estou avisando. Não faça mais isso com a Ruby ou com qualquer outra mulher. Ou você vai se arrepender. Eu olhei para Ruth com um olhar sério. — Você sabe como o meu pai gosta da Ruby, não sabe? — Perguntei, minha voz firme. Ruth hesitou por um momento antes de responder. — Sim, eu sei que ele tem uma certa... afeição por ela. — Afeição? — Repeti, minha voz dura. — Se ele soubesse o que você está fazendo com ela... — Pausei, deixando a ameaça implícita. Ruth engoliu em seco, mas tentou manter a compostura. — E o que você vai fazer? Vai contar para ele? — Perguntou, com um tom de voz desafiador. — Vou — Respondi, minha voz firme. — E também vou convencer ele a acabar com a parceria que ele tem com você. Você não vai mais ter o apoio dele. Ruth riu, um som nervoso. — É tão simples assim? — Perguntou, com um olhar cético. — Então, por que você não ligou para ele assim que eu leiloei a Ruby? Por que você preferiu comprar ela? E passar a noite com ela? Eu senti uma onda de raiva, mas tentei manter a calma. A Ruth me olhou como se pudesse ler os meus pensamentos, como se ela estivesse desconfiada de alguma coisa. Senti meu corpo estremecer, fiquei realmente nervoso. Era muito estranho, coisa de maluco. — Isso não é da sua conta. — Respondi, minha voz dura. Ruth deu um passo à frente, seu olhar desafiador. — Ah, mas é. — Disse, com um sorriso malicioso. — Você não é tão inocente quanto parece, Elay. Você me julga, mas é igualzinho. Preferiu tirar uma casquinha antes, não foi? — Você não sabe de nada. — Respondi entre os dentes. — Pelo contrário, Elay. Eu sei de tudo. — Ela riu, como se fosse engraçado. — Mas tudo bem, eu não pretendia fazer isso novamente, era só um sustinho, para ela ver quem manda. — Acho bom. — Eu respondi fitando o chão e me virei na intenção de ir embora.
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