CAPITULO 74

1605 Words
LILY'S POV Eu caminhava em direção ao carro dos pais de Aidan, o nervosismo crescendo a cada passo. Era apenas a segunda vez que encontrava a família dele, mas a pressão parecia maior do que antes. Talvez fosse porque, dessa vez, o convite partiu diretamente deles. Tentei me lembrar de que tudo isso era natural, normal até. Afinal, conhecer a família de alguém era um passo importante. Mesmo assim, meu coração batia rápido, e meu estômago se revirava. À medida que nos aproximávamos do carro, eu vi as silhuetas familiares de Tom e Margaret Lewis, os pais de Aidan, esperando do lado de fora. Tom, com seus cabelos castanhos já mostrando alguns fios grisalhos, parecia um pouco mais velho do que eu lembrava, talvez por causa da comparação involuntária que fiz com meu próprio pai. Ele sorria de forma tranquila, como se não houvesse nada de estranho ou tenso em receber a “amiga” do filho para o almoço. Margaret, ao lado dele, tinha os mesmos cabelos cacheados que a filha Rachel havia herdado. Ela sorria também, mas havia algo nos olhos dela que me deixava mais nervosa, como se ela estivesse me avaliando de uma forma sutil, porém atenta. Rachel estava com eles, claro. Ela era a irmã mais velha de Aidan, com os cabelos cacheados da mãe e a mesma expressão serena de Tom. Parecia ter uma curiosidade contida nos olhos, como se estivesse tentando descobrir mais sobre mim sem precisar fazer perguntas diretas. “Oi, Lily!” Margaret foi a primeira a falar, seu sorriso se alargando ao me ver. “Estamos tão felizes que você pôde se juntar a nós hoje.” “Oi, senhora Lewis, senhor Lewis,” respondi, tentando manter minha voz firme. “Obrigada por me convidarem. É um prazer estar aqui.” Tom balançou a cabeça de leve, o sorriso calmo ainda no rosto. "É sempre bom ter você por perto. Aidan nos fala tanto de você.” Aquela simples frase fez meu coração acelerar ainda mais. O que Aidan poderia ter dito sobre mim? Será que eles esperavam algo específico de mim? Eu respirei fundo, tentando não me deixar levar pelos pensamentos, enquanto Rachel, ao lado da mãe, continuava me observando com aquele olhar curioso, fixo em mim por um segundo a mais do que o confortável, antes de abrir um sorriso pequeno e inclinar a cabeça em um cumprimento. "Oi, Lily," ela disse, seu tom um pouco distante. "Espero que esteja preparada para aguentar a conversa do papai hoje. Ele está particularmente animado." Eu ri sem jeito, sem saber se aquilo era uma piada ou um aviso. "Tenho certeza de que vai ser ótimo." Aidan estendeu a mão para me conduzir até o carro, e eu a segurei, sentindo um leve tremor nas minhas próprias mãos. Eu me perguntei se Aidan notava o quanto eu estava nervosa, ou se ele, como sempre, conseguia mascarar seus próprios sentimentos com aquele ar descontraído que parecia vir naturalmente para ele. “Vamos?” ele perguntou, a voz suave, e eu apenas assenti, tentando me acalmar. Enquanto esperávamos Tom abrir o carro, Margaret se aproximou, ficando ao meu lado. "Como tem passado, Lily? Você e Aidan têm feito muitos programas juntos?" “Tem sido ótimo,” respondi, tentando não parecer hesitante. “A gente tem passado bastante tempo junto.” “Isso é maravilhoso,” ela disse, seu tom de voz genuíno, mas havia algo no jeito que ela me olhava, como se quisesse confirmar por si mesma se eu era a pessoa certa para o filho dela. Rachel, que estava mais à frente, virou-se de repente e me lançou um olhar. "Lily, qual é a sua sobremesa favorita? Nossa mãe pediu a empregada para fazer algo especial hoje." "Ah, eu gosto de quase tudo, mas acho que torta de limão é a minha favorita," respondi com um sorriso, surpresa pela pergunta repentina. Rachel assentiu, sorrindo. "Ótimo, vou avisar a Martha, nossa empregada." Ela se afastou um pouco, deixando-me novamente sozinha com Margaret, que me olhou de soslaio. Eu não sabia se estava apenas sendo amigável ou se havia algo a mais naquela conversa casual. Margaret foi a primeira a entrar no carro, sentando-se no banco da frente ao lado de Tom, que assumiu o volante. Rachel, sem dizer uma palavra, abriu a porta de trás e se acomodou com uma graça natural que só ela tinha, deixando o espaço ao seu lado inevitavelmente para mim. Aidan me lançou um olhar encorajador antes de entrarmos no carro. Eu podia sentir os olhares deles sobre mim enquanto me ajustava no banco, e fiz o possível para parecer relaxada, mesmo que tudo em mim estivesse em alerta. Durante o caminho, a conversa fluiu de forma leve. Margaret e Tom falavam sobre os planos do dia, as últimas notícias da família e perguntavam casualmente sobre a minha vida, mas sempre com um toque de cuidado, como se não quisessem me pressionar demais. “Aidan nos contou que vocês foram à praia ontem,” Margaret comentou enquanto Tom dirigia. “Sim, fomos. Foi um dia muito bom,” respondi, tentando não me lembrar das tensões que rolaram naquele dia. “Vocês dois parecem se dar muito bem,” ela acrescentou, olhando de soslaio para mim, como se esperasse uma confirmação. "Sim, nós nos damos bem," concordei, sorrindo, mas sentindo o peso implícito da expectativa no ar. Chegamos à casa deles pouco depois. Era uma bela propriedade, cercada por árvores frondosas e com um jardim bem cuidado. O tipo de casa que exalava estabilidade e segurança — exatamente o tipo de ambiente que eu sempre imaginei que Aidan teria crescido. Entramos na casa, e Margaret nos guiou diretamente para a sala de jantar, onde uma mesa lindamente posta já nos aguardava. A comida cheirava maravilhosamente bem, e o ambiente era tão acolhedor quanto o esperado. Durante o almoço, a conversa foi fluindo, mas, mesmo assim, eu me sentia como se estivesse sob um microscópio, cada palavra que eu falava era analisada, cada gesto, interpretado. A família de Aidan era incrivelmente amável, e eles faziam de tudo para que eu me sentisse bem-vinda, mas a pressão para agradar, para ser "a pessoa certa", era inegável. Tom contava histórias de quando Aidan era pequeno, e Margaret o interrompia às vezes para corrigir um detalhe ou adicionar algo engraçado, enquanto Rachel observava tudo com uma curiosidade perceptível. Eu ria nos momentos certos, fazia comentários quando apropriado, mas uma parte de mim ainda estava distante, pensando em Samuel. A cada vez que Margaret ou Tom faziam uma referência a como Aidan e eu parecíamos formar um bom casal, uma pontada de dúvida me atingia. Era como se uma parte de mim quisesse que Samuel estivesse ali, vendo essa versão de mim, a que tentava se encaixar perfeitamente nos moldes que a família de Aidan parecia ter estabelecido. Rachel interrompeu meus pensamentos. "Então, Lily, você e Aidan estão se conhecendo melhor, né?" Eu virei o rosto em sua direção, tentando entender o que ela realmente queria dizer com aquela pergunta. "É... estamos, sim, eu acho," respondi, tentando soar casual. "É ótimo. Aidan não para de falar sobre você ultimamente," ela continuou, e eu percebi um pequeno sorriso nos lábios dela. Não consegui entender se era um sorriso genuíno ou uma provocação velada. Aidan olhou para trás, lançando um olhar quase brincalhão para a irmã. "Rachel, não precisa exagerar." "Eu não estou exagerando!" Ela riu, mas o tom de sua voz me fez sentir que havia mais naquela conversa do que parecia. "Afinal, não é todo dia que ele perturbou a família toda para convidar alguém para um almoço em família, né?" Senti meu rosto corar levemente e me forcei a sorrir. "Fico feliz que ele tenha me convidado." Margaret olhou para nós e interveio, sempre com sua calma maternal. "Estamos felizes que vocês dois estão se dando tão bem. Sabe, Lily, a família é muito importante para nós, e é bom ver que Aidan encontrou alguém que compartilhe desses valores." "Sim, claro," eu respondi, sentindo o peso implícito nas palavras dela. Havia uma expectativa ali, uma ideia de que eu deveria me encaixar de alguma forma naquele ambiente familiar que parecia tão perfeitamente estruturado. E, ao mesmo tempo, eu não conseguia deixar de pensar em como Samuel havia se tornado parte dos meus pensamentos, como uma sombra que eu não conseguia ignorar. Quando o almoço finalmente chegou ao fim, a atmosfera estava leve e agradável. Os pais de Aidan se levantaram da mesa com sorrisos nos rostos, satisfeitos com a refeição e a companhia. “Que tal um filme agora?”, sugeriu a mãe dele, animada, enquanto o pai se esticava na cadeira e concordava com um aceno de cabeça. Aidan sorriu para eles, mas logo se virou para mim com um brilho no olhar que sugeria algo mais. "Eu estava pensando em mostrar a casa para Lily," ele disse, casualmente, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Eu pisquei, surpresa pela sugestão. Senti meu coração acelerar um pouco, mas mantive a calma. O convite parecia inocente o suficiente, mas havia algo na forma como Aidan me olhava, como se ele estivesse ansioso para me mostrar algo especial. Seus pais não demonstraram nenhum desconforto. Pelo contrário, a mãe dele sorriu docemente e o pai assentiu, relaxado. "Claro, querido," disse a mãe dele, já se acomodando no sofá. "Podemos começar o filme depois." Aidan se levantou, estendendo a mão para mim novamente. Eu hesitei apenas por um segundo, mas então aceitei, permitindo que ele me guiasse para fora da sala de estar e para o corredor.
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