O som da porta da delegacia se fechando atrás de Lara parecia anunciar o fim de uma guerra. Ou, talvez, apenas o fim de uma batalha. O sol do final da tarde aquecia sua pele como se o mundo inteiro quisesse pedir desculpas por tê-la trancado como uma criminosa. Inácio estava ali, parado ao lado do carro, sem disfarçar o alívio. Ela caminhou até ele devagar. Não disse nada. Apenas o abraçou. — Tá livre — ele sussurrou. — Livre, Lara. Mas nem ela, nem ele, estavam verdadeiramente livres. Sabiam disso. As correntes agora eram outras, invisíveis, profundas. Doía mais o que tinham perdido do que o que conseguiram recuperar. Do outro lado da cidade, em um apartamento de luxo temporário alugado em nome de terceiros, Solange terminava de arrumar sua mala. Mateus entrou no quarto ajeitando o pa

