A manhã em que Lara chegou ao escritório com os olhos inchados de sono foi a mesma em que percebeu que não podia mais ignorar o que estava acontecendo. O buquê de flores vermelhas que alguém havia deixado sobre o carro ainda lhe rondava a mente. Era bonito e, ao mesmo tempo, assustador — porque flores, na vida dela, nunca foram apenas flores. Sempre havia um peso escondido, uma intenção por trás. Ela segurava os papéis com força demais, tentando se distrair. Mas, ao olhar pela janela, teve a impressão de que um carro preto estava estacionado na rua oposta, desde cedo, sem nunca se mover. — Paranoia… — murmurou para si mesma, mas a sensação de estar sendo observada não a abandonava. Naquela mesma hora, Grego caminhava de um lado a outro no apartamento. As mãos passavam pela testa como se

