O quarto do hotel estava mergulhado numa penumbra densa. As cortinas fechadas abafavam o som da cidade, mas não o peso que pendia sobre o ar. Inácio estava de pé diante da janela, o celular em mãos, mas sem coragem de ligar para ninguém. A tela piscava, mostrando notificações que ele ignorava. No sofá, Esther observava cada movimento dele, abraçada a uma almofada como se tentasse se proteger de um vento gelado que vinha de dentro e não de fora. O silêncio entre os dois já durava mais de vinte minutos, quebrado apenas pelo som abafado do ar-condicionado. — Você está me evitando, Inácio — disse ela finalmente, a voz baixa, mas carregada de acusação. — E não é de hoje. Ele respirou fundo, fechou os olhos por um instante, e depois se virou para encará-la. — Eu não estou te evitando… — come

