O dia amanheceu abafado, com nuvens pesadas cobrindo o céu. Inácio não pregara os olhos durante a noite. Sentado na poltrona do hotel, ainda com a mesma roupa amarrotada do dia anterior, girava lentamente um copo com um resto de uísque. O líquido âmbar refletia a luz pálida que entrava pela janela, e ele se sentia exatamente assim: turvo, pesado, prestes a se derramar para fora. A cabeça latejava. Não só pelo álcool, mas pelo peso da verdade que carregava dentro do peito. Ele estava preso entre dois mundos — um construído com Esther, sustentado por compromissos, aparências e uma gravidez que exigia dele responsabilidade; o outro, visceral, feito de sentimento real, história e um amor que ele jamais conseguira apagar, mesmo com dez anos de distância: Lara. Mas agora, esse segundo mundo

