Lara não sabia o que era mais difícil: segurar o peso da humildade entre paredes douradas ou disfarçar o incômodo cada vez que alguém a olhava como se ela não pertencesse ali. Acordava cedo, sempre antes do sol, e se vestia com o uniforme claro que Helena fizera questão de providenciar — simples, discreto, mas com o nome "L. Souza" bordado com delicadeza. Trabalhava com disciplina, sem jamais esquecer de onde vinha, nem para onde queria ir. Os dias na mansão Ferraz se sucediam em silêncio, mas era um silêncio que carregava olhares, cochichos e intenções veladas. Lara aprendeu rápido que ali, as palavras mais perigosas eram ditas sem som — estavam nos olhos de Beatriz, no sorriso cínico de Cecília, no desprezo constante de Solange. E, principalmente, no silêncio de Inácio. Helena, por ou

