Capítulo 79 NALANDA NARRANDO Eu fiquei parada no meio do quarto dele por tempo demais. Tempo suficiente para o meu coração bater tão forte que eu tive medo dele ouvir. Tempo suficiente para a minha coragem quase desistir e mandar meu corpo dar meia-volta e ir embora antes de falar qualquer coisa. Mas eu não fui. Porque se eu tivesse ido, eu ia passar o resto da vida me perguntando “e se?”. Eu respirei fundo. Uma, duas vezes. Minhas mãos tremiam levemente dentro da camiseta larga dele, e isso por si só já parecia uma confissão. Eu estava vestindo a roupa de um homem que sempre foi proibido pra mim, pelo mundo, pela minha mãe, pelo medo. — Eu… — comecei, e minha voz saiu baixa demais. Ele levantou o olhar na hora. Não me interrompeu. Não apressou. Não pressionou. Só esperou. E esse

