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Antes do Sim, Ele Salvou Minha Vida

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Loyane Johnson

Ela cruzou as pernas lentamente, impecável no vestido branco de alfaiataria, e olhou para ele como se estivesse avaliando um ativo de alto risco.

— Você vai fingir ser meu namorado.

Tom soltou uma risada curta, sem humor.

— Você está me contratando agora?

— Estou te oferecendo uma oportunidade.

Ele inclinou a cabeça, os olhos escuros atentos demais.

— E qual seria o meu lucro nisso?

Ela não desviou o olhar.

— Você vai ser visto comigo. Eventos da elite, contatos, acesso. E… dinheiro.

Ele riu de novo, mais baixo.

— Claro. Dinheiro.

Ela abriu a bolsa e retirou um tablet, girando para ele.

— Cinco milhões.

Silêncio.

Tom não reagiu de imediato. Só a encarou.

— Você é sempre tão dramática assim, Johnson?

— Só quando necessário.

Ele se inclinou um pouco para frente.

— E qual é a condição?

Ela respondeu sem hesitar:

— Você não vai tentar me desafiar em público.

Ele sorriu.

— Isso vai durar exatamente cinco minutos.

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LOYANE JOHNSON
O som do papel sendo deslizado pela f***a da porta de vidro ecoou pelo apartamento silencioso. Loyane Johnson nem precisou olhar duas vezes para saber o que era. Convite. De novo. Ela fechou os olhos por meio segundo, controlando a irritação que subia como fogo lento sob a pele impecável. Quando finalmente pegou o envelope, o nome da prima estampado em dourado parecia mais uma provocação do que um gesto de carinho. “Casamento de Eliza Moretti e Daniel Hayes.” Ela soltou uma risada curta. — Claro… — murmurou, jogando o convite sobre a mesa de mármore. Casamento. Outro. E como sempre… uma exigência disfarçada de convite. Seu celular vibrou antes que ela pudesse respirar fundo. Mensagem da mãe: > “Loyane, toda a família estará reunida. Todos estão ansiosos para conhecer o seu namorado.” O maxilar dela travou. Namorado. A palavra parecia um teatro m*l ensaiado que a família insistia em repetir como se fosse real. Ela largou o celular sobre a mesa com força controlada. Não era surpresa. Era cobrança. Sempre foi. Mais uma vibração. Outra mensagem, agora da prima mais nova: > “Vai ser tão bom te ver… e o seu namorado também 😘” Loyane fechou os olhos de novo. Não era só pressão. Era expectativa pública. Ela era Loyane Johnson — herdeira, bilionária, impecável em cada foto, cada evento, cada movimento. E ainda assim… para a família, faltava uma peça. Um relacionamento. Uma narrativa. Um homem. Ela caminhou até a janela do apartamento, olhando a cidade lá embaixo como se fosse dela — porque, em muitos sentidos, era. Mas dentro da própria família? Ela era uma peça que ainda não tinha sido encaixada corretamente. O toque do celular voltou. Dessa vez, uma foto. Ela abriu. E sentiu algo frio e desagradável atravessar o peito. Seu ex. Sorindo. Abraçado com uma das suas primas. No casamento. Claro. Loyane deu um passo para trás, respirando lentamente. Engraçado. O universo tinha senso de humor. Ou crueldade. Talvez os dois. — Então é isso… — ela disse sozinha, a voz baixa, controlada. Não havia dor. Ela não se permitia isso. Mas havia irritação. E um cálculo mental rápido começando a se formar. Se ela aparecesse sozinha, seria o assunto da noite. Se aparecesse sem alguém ao lado, a narrativa seria escrita por outras pessoas. E Loyane Johnson não perdia o controle da narrativa. Nunca. Ela foi até o espelho. Vestido claro, postura perfeita, cabelo impecável. Tudo sob controle. Menos isso. A ausência. A peça faltando. Ela pegou o convite de casamento novamente e leu com atenção, como se estivesse analisando um contrato de guerra. — Eles querem um namorado… — ela murmurou. Um sorriso lento surgiu no canto dos lábios. Não era humor. Era decisão. Loyane não pedia ajuda. Ela não improvisava. Ela resolvia. E se a família queria um namorado… Então ela arrumaria um. Falso. Controlado. Estratégico. Alguém que não tivesse espaço para confusão emocional. Alguém que não confundisse o jogo. Ela abriu o celular novamente e começou a rolar contatos. Advogados. Executivos. Investidores. Homens previsíveis demais. Fracos demais. Interessados demais nela. Nada funcionaria. Ela fechou a lista com um toque seco. — Não… — ela disse para si mesma. — Preciso de alguém que não me queira. O silêncio respondeu. E pela primeira vez naquele dia, algo dentro dela ficou inquieto. Como se o universo estivesse sugerindo alguém que ela ainda não tinha considerado. Mas ela ignorou. Ainda não. --- Mais tarde naquela noite, Loyane estava sentada no escritório do próprio apartamento, revisando contratos internacionais, quando a assistente entrou discretamente. — Senhoria… o evento da família foi confirmado. E… eles reforçaram que querem conhecer seu namorado pessoalmente. Loyane nem levantou o olhar. — Eles vão conhecer. A assistente hesitou. — A senhora já tem alguém? Ela parou por um segundo. A caneta suspensa no ar. Então respondeu com calma absoluta: — Ainda não. A assistente saiu em silêncio. E quando a porta fechou, Loyane finalmente encostou na cadeira. Olhou para o teto. E soltou o ar devagar. Ela não tinha problema nenhum para resolver. Ainda. Mas em algum lugar entre o convite, a família insistente e a foto do ex com a prima… algo tinha acabado de virar um jogo. E ela não pretendia perder.

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