LOYANE JOHNSON
O som do papel sendo deslizado pela f***a da porta de vidro ecoou pelo apartamento silencioso.
Loyane Johnson nem precisou olhar duas vezes para saber o que era.
Convite.
De novo.
Ela fechou os olhos por meio segundo, controlando a irritação que subia como fogo lento sob a pele impecável.
Quando finalmente pegou o envelope, o nome da prima estampado em dourado parecia mais uma provocação do que um gesto de carinho.
“Casamento de Eliza Moretti e Daniel Hayes.”
Ela soltou uma risada curta.
— Claro… — murmurou, jogando o convite sobre a mesa de mármore.
Casamento.
Outro.
E como sempre… uma exigência disfarçada de convite.
Seu celular vibrou antes que ela pudesse respirar fundo.
Mensagem da mãe:
> “Loyane, toda a família estará reunida. Todos estão ansiosos para conhecer o seu namorado.”
O maxilar dela travou.
Namorado.
A palavra parecia um teatro m*l ensaiado que a família insistia em repetir como se fosse real.
Ela largou o celular sobre a mesa com força controlada.
Não era surpresa.
Era cobrança.
Sempre foi.
Mais uma vibração.
Outra mensagem, agora da prima mais nova:
> “Vai ser tão bom te ver… e o seu namorado também 😘”
Loyane fechou os olhos de novo.
Não era só pressão.
Era expectativa pública.
Ela era Loyane Johnson — herdeira, bilionária, impecável em cada foto, cada evento, cada movimento.
E ainda assim… para a família, faltava uma peça.
Um relacionamento.
Uma narrativa.
Um homem.
Ela caminhou até a janela do apartamento, olhando a cidade lá embaixo como se fosse dela — porque, em muitos sentidos, era.
Mas dentro da própria família?
Ela era uma peça que ainda não tinha sido encaixada corretamente.
O toque do celular voltou.
Dessa vez, uma foto.
Ela abriu.
E sentiu algo frio e desagradável atravessar o peito.
Seu ex.
Sorindo.
Abraçado com uma das suas primas.
No casamento.
Claro.
Loyane deu um passo para trás, respirando lentamente.
Engraçado.
O universo tinha senso de humor.
Ou crueldade.
Talvez os dois.
— Então é isso… — ela disse sozinha, a voz baixa, controlada.
Não havia dor.
Ela não se permitia isso.
Mas havia irritação.
E um cálculo mental rápido começando a se formar.
Se ela aparecesse sozinha, seria o assunto da noite.
Se aparecesse sem alguém ao lado, a narrativa seria escrita por outras pessoas.
E Loyane Johnson não perdia o controle da narrativa.
Nunca.
Ela foi até o espelho.
Vestido claro, postura perfeita, cabelo impecável.
Tudo sob controle.
Menos isso.
A ausência.
A peça faltando.
Ela pegou o convite de casamento novamente e leu com atenção, como se estivesse analisando um contrato de guerra.
— Eles querem um namorado… — ela murmurou.
Um sorriso lento surgiu no canto dos lábios.
Não era humor.
Era decisão.
Loyane não pedia ajuda.
Ela não improvisava.
Ela resolvia.
E se a família queria um namorado…
Então ela arrumaria um.
Falso.
Controlado.
Estratégico.
Alguém que não tivesse espaço para confusão emocional.
Alguém que não confundisse o jogo.
Ela abriu o celular novamente e começou a rolar contatos.
Advogados.
Executivos.
Investidores.
Homens previsíveis demais.
Fracos demais.
Interessados demais nela.
Nada funcionaria.
Ela fechou a lista com um toque seco.
— Não… — ela disse para si mesma. — Preciso de alguém que não me queira.
O silêncio respondeu.
E pela primeira vez naquele dia, algo dentro dela ficou inquieto.
Como se o universo estivesse sugerindo alguém que ela ainda não tinha considerado.
Mas ela ignorou.
Ainda não.
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Mais tarde naquela noite, Loyane estava sentada no escritório do próprio apartamento, revisando contratos internacionais, quando a assistente entrou discretamente.
— Senhoria… o evento da família foi confirmado. E… eles reforçaram que querem conhecer seu namorado pessoalmente.
Loyane nem levantou o olhar.
— Eles vão conhecer.
A assistente hesitou.
— A senhora já tem alguém?
Ela parou por um segundo.
A caneta suspensa no ar.
Então respondeu com calma absoluta:
— Ainda não.
A assistente saiu em silêncio.
E quando a porta fechou, Loyane finalmente encostou na cadeira.
Olhou para o teto.
E soltou o ar devagar.
Ela não tinha problema nenhum para resolver.
Ainda.
Mas em algum lugar entre o convite, a família insistente e a foto do ex com a prima…
algo tinha acabado de virar um jogo.
E ela não pretendia perder.