— Por mais que doa, ela mereceu. - Insistiu Rosa.
— É melhor você se calar, Rosa. E quanto a ti Adriana, já disse, aqui não sentas. - Disse Carol.
— E, onde devo me sentar, então? - Perguntou Adriana.
— Desapareça! Gritou Carol, bem chateada.
Na turma, não eram só idiotas e odiosos, havia também, os espertos. Conheciam as qualidades de Adriana, e se aproximavam dela para ganhar, aproveitavam-se dos conhecimentos dela para conseguir boas notas.
— Linda, vem aqui. Senta-te aqui, tem espaço. - Disse Manuela.
— Aqui também, tem espaço querida. - Disse outro colega.
Adriana escolheu um dos lugares e sentou-se. E a vida seguia.
O nascimento de Isac, trouxe ainda mais, desavenças entre o casal, as contas ficaram mais apertas.
Tempo depois, Bernardo conseguiu um trabalho na fábrica de cimentos, não era grande coisa, mas com o que ganhava podia dar o mínimo para sua família. Contudo, não se sabe se foi pela pressão que sofria com as contas, se foi desvio lúcido pelo álcool, se foi pela paixão pela mulher com quem andava, o que aconteceu é que Bernardo pediu transferência para outra cidade, mentiu que devia estar perto da mãe, doente, que não tinha mais ninguém. Bernardo, depois de uma discussão com Helena, pegou nas suas coisas, e foi embora, sem sequer se despedir dos filhos.
Helena ficou destruída, não parava de perguntar porquê depois de tantos anos, com uma criança pequena, seu marido abandonou-a
— Papá, não vai voltar mais? - Perguntou Isac.
— Como vai ser a minha escola? - Perguntou Cecília.
— Escola, o quê Cecília! Quem vai pagar as contas da casa? - Perguntou Alex.
— Mãe, fica tranquila. Nós vamos dar um jeito. Nós vamos te ajudar. - Disse Adriana.
— Pára de falar coisas que não sabes. Estamos a falar de dinheiro. Achas que é lendo esses teus livrinhos que vamos conseguir dinheiro para sustentar esta casa? - Perguntou Alex, e acrescentou:
— Esse bebê, come, parece um esfomeado!
— Não quero barulho. Saiam daqui. Saiam do meu quarto, todos! Disse Helena, aos gritos.
E foram saindo, enquanto murmuravam Alex e Cecília.
Adriana ajoelhou-se para que os olhos dela, pudessem alcançar os olhos de sua mãe.
— Mamã, acredite, fique tranquila. Lembra, a senhora segura esta família há muitos anos, mano trabalha, e nós vamos trabalhar também, cada um vai contribuir com o pouco que conseguir. - Disse Adriana.
— Filha, tu és apenas uma criança, tens só quinze anos. - Disse Helena, enquanto encontrava conforto nas palavras de sua filha.
— Mãe, confie, vamos conseguir!
— Obrigada, filha, sempre tens uma coisa boa para falar, sempre consegues me dar o consolo, quando preciso.
— Te amo mãe!
— Eu também, amo você, filha. Por favor, pega seu irmão e me deixem descansar um pouco.
Adriana com seu sorriso radiante, carregou no irmão e saiu.
Dias depois, vendo o sufoco que sua mãe estava a passar, Adriana pegou em todo dinheiro que tinha e deu para sua mãe.
— Mamã, é para te ajudar com as contas. Não é muito, mas é o que tenho. - Disse Adriana.
— Filha! - Disse Helena, admirando a atitude da filha.
— Já, outros, só comem, e comem bem, mas ajudar que é bom, nada. Disse Cecília.
— E outros só dormem, como podem ajudar assim? Disse Alex.
— Párem com isso, já temos problemas suficientes. Disse Helena.
E assim foi vivendo a família Balate.
Quando Adriana achou que estava tudo a correr bem, Carol aprontou com ela, e foi queixar na direção que Adriana vendia bolinhos na escola.
A Directora chamou Helena para repreendê-la, pois, Adriana, era menor, e proibiu que a menina continuasse a vender bolinhos na escola.
Revoltada com a decisão, Adriana foi até Carol no meio da sala para cobrar satisfações.
— Porquê fizeste isso, Carol? - Perguntou Adriana.
— Fiz o quê? - Respondeu, perguntando, Carol.
— Sabes bem o que fizeste.
— Não sei do que estás a falar.
— O que para si é uma birra, para mim, é a forma de ajudar minha mãe.
— Não tenho nada a ver com isso. Explique isso a Directora da escola.
— O que na verdade é preocupante, é que mesmo depois de saberes como me prejudicaste, não consegues sentir remorsos.
A turma dividiu-se, a maioria sabia que Adriana era boa pessoa, e não gostaram, nem tão pouco do que Carol fez, e ficaram contra ela.
Mais uma vez, Adriana destacou-se na escola, melhor aluna de todos os tempos, dispensou a décima classe, e ainda recebeu um diploma de reconhecimento da escola. Ela recebeu aplausos na escola, mas em casa, ninguém deu importância.
Uma vez na décima primeira classe, teve que mudar para outra escola, ja que a escola onde concluiu a décima classe só leccionava até ao nível básico.
— Não vi seu nome em nenhuma das listas da escola. - Disse Rosa.
— Infelizmente não consegui matricular à tempo, perdi a vaga. - Disse Adriana.
— E então?
— Vou estudar na 4 de Outubro.
— Tão longe?
— Não tive escolha, era isso ou perdia o ano.
— Sinto muito, minha querida.
— O pior é que entro de manhã, terei que acordar quatro horas, para não atrasar.
— Olha, vamos prestar atenção na escola, talvez, com o andar do tempo, consigas uma vaga.
Não tinha como, Adriana teria mesmo que se desdobrar, se quisesse continuar a estudar, pior ainda que não tinha condições para pagar um chapa, teria mesmo que caminhar uns doze quilómetros para poder estudar.