Auto confiança

968 Words
— Já usaste o dinheiro que ganhaste com a venda dos bolinhos? - Perguntou Lisandra. — Usei uma parte. Como mamã não tinha dinheiro, tirei trezentos meticais, paguei a matrícula, duzentos e vinte cinco, e o resto, comprei dois cadernos e duas canetas. - Disse Adriana. — Fizeste bem. — Ehhh tia… só fiz bem guardar o dinheiro. Vou pegar uma parte para comprar o uniforme, e o resto do material escolar, porque mamã disse que ainda não tem dinheiro. — És boa menina Adriana, eu ia adorar ter uma filha, como tu. — Ahhhm tia, mana Mariza é linda e muito boa. Lisandra engoliu o pensamento de Mariza apenas sorriu, só para não contar como era a sua filha, na verdade. Adriana não tinha espaço para frescurinhas, e continuou a levar os bolinhos à escola para vender. Apesar das piadinhas que sofria com alguns colegas, não se importou, seguiu assim mesmo, todos os dias, vendendo os bolinhos da dona Lili. Depois de tantos anos, no meio a tantas discussões do casal, sem saber como, Helena ficou grávida e só descobriu quando a gravidez estava com cinco meses, era mais uma boca para alimentar e cuidar. Bernardo ficou transtornado, culpou Helena de falta de cuidado, e disse que não tinha como sustentá-lo. Depois do bebê nascer, Helena, quase que não tinha tempo para cuidar dele por causa do trabalho. Quem cuidava do bebê era Adriana, ela adorava o irmão. Com muito gosto dividia seu tempo com o pequeno Isac. Dava-lhe banho, de comer, brincava com ele, ensinava-lhe a pegar os brinquedos, a andar, a falar, tudo o que podia. Pois, então, Helena descobriu por uma amiga que trabalhava na escola onde Adriana estudava, que a filha vendia bolinhos. Sem mais, foi tirar satisfações com Lili, porém a vizinha disse que Adriana garantiu que tinha consentimento dos pais. Helena estava bem chateada com a filha, nunca tinha tido problemas com ela, pois era obediente e respeitosa. — Mentir para dona Lisandra, e me esconder algo tão sério, como isso? Onde pensas que estás menina? - Perguntou Helena. — Mamã, desculpa! Eu não fiz por mal. - Disse Adriana. — Não faça essa tua cara de anjinha Dri, porque hoje vou te bater bem. — Mamã, por favor! — Cecília, vai buscar meu cinto. — Mãe, por favor, deixa ela se explicar. - Disse Cecília. — Não se intrometa! Vai buscar meu cinto, antes que eu te dê uma sova também. - Gritou Helena. — Uns pais batem seus filhos porque são bandidos, outros batem os filhos porque ganham dinheiro honestamente. Vocês pais, são complicados. - Disse Alex. — Vou-lhe bater porque ela mentiu, e escondeu coisas de mim. É disso que estou a tratar. - Disse Helena. — Mamã, ela errou, chame-a atenção. Não precisa lhe bater. - Disse Alex. — Mamã, já se perguntou como ela conseguiu ter uniforme novo, pasta nova, cadernos novos? - Perguntou Cecília, e questionou ainda: — Como foi que ela conseguiu pagar matrícula da escola? Helena engoliu a seco e calou, meio envergonhada, pois, nem havia notado que a filha tinha aquelas coisas, e até, tinha se esquecido da matrícula da menina. — Foi graças à esse dinheiro, da venda dos bolinhos. - Disse Cecília. — Mamã, eu sei que errei. Me perdoa! Prometo que nunca mais, vou esconder alguma coisa à senhora. - Disse Adriana. — Crianças devem apenas estudar. Não quero nunca mais, ouvir que vendes coisas na escola. - Disse Helena. — Mas mamã. - Reclamou Adriana. — Acabou esse assunto. - Encerrou Helena, e recolheu-se para seu quarto. — Não insista Dri, mamã está bem chateada. - Disse Cecília. — Fala com ela amanhã, depois dela se acalmar. Lhe baba com aquela sua carinha de anjinho, ninguém resiste. - Disse Alex. — Muito obrigada, manos. Se não fossem vocês, hoje teria levado bem. - Disse Adriana. — Não foi de graça, quero metade do que ganhaste. - Disse Alex. — Hum… mano não fica bem isso. Deixa a menina em paz. - Disse Cecília. — Pelo menos, duzentos contos. - Disse Alex. — Mano, pára com isso. Trabalhas lá nas bombas, há muito tempo, sabemos que ganhas um bom dinheirinho, nunca nos deste nada aqui. - Disse Cecília. — Estão a desconversar. Sabem que tenho despesas do meu filho por pagar, e da minha escola. — Hum… Mano, não minta para nós, sabemos que já não vais a escola. - Disse Adriana. — Estou a bazar. - E assim, fugiu Alex da conversa. Dias depois, Adriana conversou com a mãe com jeitinho, com aquela cara de anjinho. Disse a mãe que ganhava entre doze a quinze contos por dia, usava o dinheiro para cópias e folhas de exercícios na escola, e outra parte, guardava. Helena não tinha argumentos, mesmo sabendo que a filha era menor, preferia que fizesse aquilo do que se envolvesse em algo arriscado, acabou autorizando. Foram juntas falar com Lisandra, dando permissão para que continuassem o negócio. Adriana sem saber por que, sem ter feito nada, começou a ter inimigos na escola. Principalmente com os que não gostavam que ela se destacasse. — Não vais sentar aqui. - Disse Carol. — Deixe-a em paz. - Disse Rosa. — Não se meta Rosa. - Disse Carol. — Tinham escolhido a mim, para fazer parte da comissão da recepção da visita. — Não tinham-te escolhido, professora Fátima disse que propôs que fosses tu, mas os outros professores escolheram Adriana, que mal ela fez? — Quem lhe mandou ler o texto, se eu já tinha dito que ia lê-lo — Quando disseste isso, ela não estava connosco, ela nem sabia que querias fazer parte da comissão. E vamos combinar, Carol, Adriana lê muito melhor que tu, tem uma boa voz, sabe se expressar com carisma. Ela mereceu a indicação.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD