Verdade

921 Words
Adriana adorava ler, e aprendia muito com o que lia, diferente de demais crianças da sua idade, gostava de ver o telejornal, ver documentários, e aqueles hábitos a tornavam uma pequena sábia. Mais uma vez, estava provado que bons hábitos, trazem bons resultados, e não vale a pena querer-se consolar, dizendo que tem muitos filhos de ricos, que têm a melhor educação que se tornam bandidos. E isso, confunde ainda mais, pois, melhor escola, melhor casa, melhores férias, luxos, não são apenas boas condições que fazem parte de bons hábitos. Então, diremos que bons hábitos é fazer o bem para si e para outros, todos os dias, sendo pobre ou rico. — Tia Lili, fazes uns bolinhos tão bons. - Disse Adriana. — Obrigada por apreciar, filha. — Pena que a nossa rua seja pouco movimentada, e não consiga vender tanto. - Disse Lisandra. — Eu posso ajudar, posso levar para escola, e no intervalo, vendo aos meus colegas. Tinha apenas onze anos, quando propôs à vizinha do lado um negócio, vender os bolinhos dela na escola, e em troca, lhe daria cinquenta centavos por cada bolinho e mais três bolinhos para ela. Adriana já tinha calculado tudo, cinquenta centavos por bolinho, levaria cinquenta bolinhos, e ganharia doze contos e ao fim do dia, cinquenta meticais. Em um mês, duzentos e setenta e cinco contos. Em um ano, teria guardado três mil e trezentos meticais. — Três bolinhos? Para ti? - Perguntou Lisandra. — Sim tia. — Para quê? — Para eu comer. Os bolinhos são tão bons, que ainda posso cair na tentação de os comer. — Mas podes comprar com o dinheiro que vais ganhar. — Pegar dinheiro que vou ganhar, para comprar o que estou a vender? Ahhh, tia...!!! Assim, no final do mês, não terei o valor que calculei. Lá estava pequena Adriana a dar uma pequena aula de sapiência. • Quantas pessoas, fazem negócio, e ou comem o que vendem, vestem o que vendem, ou spreiam o que vendem, não contabilizam, e depois, não compreendem como o negócio não deu certo? • Quantas pessoas, fazem negócio, e não contabilizam o que ganham, e vão gastando tudo o que ganham ao logo do mês, e depois, dizem que o negócio não é rentável? • Quantas pessoas, fazem negócio, e não sabem quanto vão ganhar, ou mesmo sabendo, não se mantém focado, depois dizem que não era bom negócio? Lisandra não aguentava com as acelerações de Adriana. Pegou num papel e caneta, fez as contas, viu que perderia algum dinheiro com o acordo, mas não tanto quanto perdia, ficando com metade dos bolinhos secos e estragados. Então, aceitou a proposta da menina. — O que vais fazer com o dinheiro? - Perguntou Lisandra. — Tenho umas ideias, tia, mas ainda não decidi. - Disse Adriana, com sorriso na cara. Adriana lutava contra vontade, todos os dias. Nos primeiros dias, comia os três bolinhos, depois analisou que se não os comesse, por eles, ganharia mais, pois vendia-os tambem. Em alguuns dias comia um ou dois bolinhos, em outros, nada, mas nunca tirava o que não devia, e guardava muito bem, tudo o que ganhava. — Quando mamã descobrir que vendes bolinhos de tia Lili na escola, ela vai-te bater bem. - Disse Cecília. — Mana, por favor, não conta nada! Por favor! - Rogou Adriana. — Não vou contar, mas é bom veres bem, como vais manter isso, porque mamã, tarde ou cedo, vai descobrir e vai cair para cima de ti. O que falaste para tia Lili? — Eu disse para ela, que mamã aceitou que eu lhe ajudasse. — Mentirosa! — Mana, se eu não dissesse isso, tia Lili não aceitaria. — Menina, ganha juízo, que mentir é feio. — Desculpa, mana! Eu juro que não volto a fazer. — Está bem! Naquele ano, Adriana dispensou a sétima classe, foi aplaudida na escola, pois, foi indicada melhor aluna, na história daquela escola. Para os colegas, não foi merecido, pois, diziam que Adriana era queridinha dos professores. — Lhe davam respostas com professores, porque ela tem uma boa caligrafia e preenchia pautas para eles. - Diziam os colegas. — Também, faz tudo o que eles mandam, carrega livros de ponto, arruma material dos professores... - Diziam outros. Adriana entrou para a secundária com os dois pés, com as melhores referências. Helena, lamentavelmente, disse que não tinha dinheiro para comprar uniforme para ela, à saída, ela usava uniforme da irmã, teve que ajustar um pouco com agulha e linha, mas para ela, não havia problema, o que importava mesmo era ir à escola. — Chefe de higiene?! Uma *malvestida!* - Bombavam-lhe colegas. — Sim, eu indico ela como chefe de higiene. Pois ela é uma menina organizada, apesar de não ter condições, é bastante asseada. - Disse o professor responsável pela turma. Era o brilho dela, mesmo sem roupas bonitas, Adriana brilhava, destacava-se, tinha algo nela que cativava as pessoas. — Precisavas ver como eles olhavam para mim, com desprezo. O pior é que caí numa turma de meninos ricos. - Disse Adriana. — Turma de ricos? - Riu-se Lisandra. — Sim, na primária tinha sorte de calhar na turma três ou quatro. Onde tinham pessoas mais velhas. Agora, fui cair na turma um, logo turma um, tia. Não era mentira, em muitas escolas, não sei se faziam por escolha ou era coincidência, mas as primeiras turmas tinham mais alunos bem posicionado, socialmente, e nas últimas turmas, sobravam para os alunos com menos condições, e alunos mais velhos. Continua...
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