Pete on
O barulho dos tiros parecia distante agora. O coração de Pete martelava forte, mas sua mente estava afiada, captando cada detalhe ao seu redor. Ele seguiu Vegas pelo corredor estreito que levava aos fundos do clube, o som de passos pesados logo atrás denunciava que estavam sendo seguidos.
— Vegas, a direita! — Pete gritou, puxando-o pelo braço antes que um tiro explodisse na parede ao lado.
Eles viraram uma esquina e se esconderam atrás de uma pilha de caixas. Pete tentava recuperar o fôlego, mas sua mente estava acelerada. Isso era real. Seu pai realmente queria vê-lo morto. Não era uma ameaça vazia. Não era uma manipulação psicológica. Nabin estava disposto a destruí-lo, como fazia com qualquer coisa que saísse do seu controle.
— Temos que sair daqui antes que nos cerquem — Vegas murmurou, checando sua arma. — Está comigo?
Pete assentiu, mas a ideia de fugir sem encarar Nabin o corroía por dentro. Ele virou-se para Vegas, determinado.
— Eu preciso voltar. — Sua voz soou firme, mas dentro de si, uma tempestade rugia.
Vegas imediatamente segurou seu braço, apertando forte o suficiente para fazê-lo sentir a seriedade da situação.
— Nem pensar — Vegas rosnou. — Você quer morrer? Porque é isso que vai acontecer se voltar lá.
Pete engoliu seco, mas não recuou.
— Eu não posso fugir dele pra sempre, Vegas! Isso nunca vai acabar se eu não encará-lo.
Vegas aproximou-se mais, os olhos intensos e furiosos.
— Você acha que enfrentar Nabin agora vai resolver alguma coisa? Ele tem um exército, Pete! Isso não é um acerto de contas comum, é uma sentença de morte! — Ele respirou fundo, tentando se acalmar. — Eu te tirei dali por um motivo. Eu não vou te perder agora.
Pete sentiu um nó na garganta. Ele sabia que Vegas estava certo, mas a raiva, a frustração, a necessidade de respostas o consumiam.
— E se eu nunca me livrar dele? E se ele continuar me assombrando, Vegas? Eu não quero viver correndo para sempre!
Vegas segurou seu rosto entre as mãos, forçando Pete a olhar diretamente para ele.
— Você não vai viver correndo. Mas você também não vai morrer hoje. Eu prometo pra você, Pete. Nós vamos acabar com ele. Mas do jeito certo, na hora certa. Juntos.
Os olhos de Pete arderam, e ele assentiu lentamente. Ele não estava sozinho. Não mais.
Vegas segurou sua mão e puxou-o de volta para a saída. Eles precisavam sair dali, sobreviver primeiro. E depois… depois encontrariam um jeito de destruir Nabin de uma vez por todas.
Juntos.
O motor do carro roncava alto enquanto Vegas dirigia em alta velocidade pelas ruas estreitas de Bangkok. Pete, sentado no banco do passageiro, mantinha os olhos fixos na estrada, seu peito ainda subindo e descendo rapidamente. Sua mente estava um turbilhão de emoções.
— Você está bem? — Vegas perguntou sem tirar os olhos da rua.
Pete passou a mão pelo rosto, tentando acalmar sua respiração.
— Eu não sei — admitiu. — Eu deveria estar morto agora.
Vegas apertou o volante com força.
— Mas não está. Porque eu não deixaria isso acontecer.
Pete desviou o olhar para Vegas, sentindo o peso daquela afirmação. Havia algo diferente em seu tom. Algo mais do que mera proteção ou estratégia. Havia sentimento.
— O que a gente faz agora? — Pete perguntou, sua voz um pouco mais firme.
Vegas respirou fundo antes de responder.
— Primeiro, vamos para um lugar seguro. Depois, vamos planejar. Nabin não vai parar até nos pegar, então temos que agir antes.
Pete assentiu. Ele sabia que aquela noite não tinha sido o fim. Era apenas o começo de algo muito maior.
Horas depois, eles chegaram a um esconderijo afastado, uma casa discreta nos arredores da cidade. Vegas estacionou o carro e saiu rapidamente, verificando os arredores antes de entrar. Pete seguiu-o, o corpo ainda carregando a adrenalina da fuga.
Dentro da casa, o ambiente era simples, mas seguro. Vegas trancou a porta e soltou um suspiro pesado.
— Você precisa descansar — ele disse, apontando para um dos quartos.
Pete cruzou os braços, sentindo a exaustão se misturar com sua frustração.
— Eu não sei se consigo dormir, Vegas. Minha cabeça não para. Eu… — ele hesitou, antes de finalmente dizer: — Eu não consigo acreditar que ele faria isso comigo. Que meu próprio pai me venderia assim.
Vegas observou-o por um momento antes de se aproximar.
— Eu sei que dói. Mas você não pode deixar isso te consumir agora. Use essa dor. Canalize ela. Quando a hora certa chegar, vamos derrubá-lo.
Pete fechou os olhos por um instante, respirando fundo. Quando abriu novamente, havia algo diferente em seu olhar. Ele não era mais apenas uma vítima.
Ele era alguém pronto para lutar.
O silêncio que se instalou entre eles não era desconfortável. Pelo contrário, havia algo intenso no ar, algo não dito, mas sentido. Pete percebeu que Vegas ainda o observava, seu olhar carregado de algo que ia além da preocupação.
Sem pensar, Pete se aproximou um pouco mais.
— Você sempre faz isso? — ele perguntou, a voz mais baixa, quase hesitante.
Vegas ergueu uma sobrancelha.
— O quê?
— Se colocar entre mim e a morte.
Vegas soltou um pequeno riso, desviando o olhar por um momento antes de voltar a encará-lo.
— Só quando vale a pena.
Houve um segundo de hesitação, e então Pete tomou a iniciativa. Ele avançou um passo, e Vegas não recuou. Seus olhares se cruzaram, e a tensão se transformou em algo mais intenso.
— Eu não sei o que estou fazendo — Pete sussurrou.
— Nem eu — Vegas respondeu, sua voz rouca.
E então, antes que qualquer dúvida pudesse se infiltrar, Pete fechou a distância entre eles, selando seus lábios nos de Vegas. O beijo começou hesitante, mas logo se aprofundou, carregado de toda a intensidade reprimida dos últimos dias. As mãos de Vegas deslizaram pela cintura de Pete, puxando-o para mais perto, enquanto Pete se agarrava ao cabelo de Vegas, buscando mais do toque que o fazia sentir-se vivo.
O mundo lá fora não existia mais. Apenas eles.
A necessidade de segurança, de pertencimento, de esquecer por um momento toda a dor, os consumiu. E naquela noite, sob a luz fraca do quarto improvisado, Vegas e Pete finalmente se entregaram ao desejo, ao calor, ao alívio de saber que, apesar de tudo, ainda estavam juntos.
E talvez, só talvez, isso fosse o suficiente para seguir em frente.