Capítulo 19

1341 Words
Vegas on O silêncio pairava no quarto enquanto Vegas encarava a cidade através da grande janela de vidro. As luzes de Bangkok piscavam como estrelas artificiais, mas nada naquela noite parecia belo. Havia um gosto amargo em sua boca, e não era apenas do uísque que segurava na mão. Era o sabor da vingança que se aproximava. Pete dormia na cama, os lençóis embolados ao redor de sua cintura, a respiração leve e tranquila. Vegas o observou por um instante, gravando cada detalhe em sua mente como se aquela fosse a última vez que poderia vê-lo assim. Ele sabia que estava prestes a cruzar uma linha sem volta. Lentamente, Vegas caminhou até a mesa onde seu celular vibrava em silêncio. A mensagem piscava na tela: "Ele estará no Red Lotus às duas da manhã. Escolha seu momento." Ele expirou devagar. O Red Lotus era um clube exclusivo, um daqueles lugares onde dinheiro comprava anonimato e os negócios mais sujos eram fechados com um aperto de mão e um sorriso falso. Era o lugar perfeito para um acerto de contas. Vegas pegou sua jaqueta e caminhou até a porta, mas antes de sair, olhou mais uma vez para Pete. Ele queria tocá-lo, beijá-lo, mas sabia que, se o fizesse, poderia perder a determinação que tanto cultivou. Então, sem um som, ele desapareceu na noite. O Red Lotus era um antro de decadência disfarçado de luxo. O cheiro de cigarro, perfume caro e algo metálico pairava no ar. Vegas caminhou pelo salão, ignorando as mulheres que tentavam chamar sua atenção, os olhares curiosos que o seguiam. Ele não estava ali para brincar. No fundo do salão, cercado por seguranças, estava Nabin. O homem responsável pela morte de seu pai. Ele ria alto, um copo de whisky na mão, como se o mundo lhe pertencesse. Vegas sentiu o ódio borbulhar sob sua pele, mas respirou fundo. Precisava ser inteligente. Não era a hora de agir impulsivamente. Ele se aproximou do bar, pedindo uma bebida apenas para parecer que estava ali por diversão. Enquanto esperava, sentiu um arrepio na nuca. Não estava sozinho. — O que diabos você pensa que está fazendo? — A voz de Pete soou em seu ouvido, baixa, mas carregada de raiva. Vegas fechou os olhos por um segundo antes de virar para encará-lo. Pete estava ali, de braços cruzados, o rosto sério, o olhar queimando em fúria e preocupação. — Vá para casa, Pete. Isso não tem nada a ver com você. — Tem tudo a ver comigo! — Pete retrucou, segurando o pulso de Vegas. — Você acha que eu não sei? Acha que eu não percebo quando você está planejando alguma coisa? Eu não vou deixar você se matar por isso. Vegas soltou um suspiro irritado. Ele amava Pete, confiava nele como nunca confiou em ninguém, mas havia coisas que Pete nunca entenderia. — Isso é algo que eu preciso fazer, Pete. — E o que acontece depois? Você acha que isso vai trazer seu pai de volta? — Pete estreitou os olhos. — Você acha que vai conseguir viver consigo mesmo depois disso? Vegas não respondeu. Ele não tinha essa resposta. Tudo o que sabia era que precisava fazer Nabin pagar. Mas, naquele momento, percebeu algo ainda mais perigoso: Pete não o deixaria fazer isso sozinho. Nabin finalmente percebeu a presença de Vegas e sorriu de canto, erguendo o copo em sua direção como se brindasse. O jogo havia começado. E agora, Pete estava envolvido nele. Vegas olhou para Pete uma última vez antes de murmurar: — Se vai ficar, então não saia do meu lado. Pete não respondeu. Mas quando Vegas se virou para encarar seu inimigo, sentiu a presença firme ao seu lado. Eles estavam nisso juntos, quer Vegas quisesse ou não. Nabin inclinou a cabeça, analisando Vegas e Pete como se estivesse diante de um espetáculo interessante. — O pequeno herdeiro decidiu sair da toca? — Nabin debochou, girando o whisky no copo. — Achei que teria mais bom senso. Vegas manteve o olhar afiado, sua mão sutilmente deslizando para dentro do paletó, onde sua arma estava escondida. Pete percebeu o movimento e tocou levemente seu braço, um aviso silencioso para não agir ainda. Antes que Vegas pudesse responder, Pete deu um passo à frente, sua voz carregada de desprezo. — Chega. — Ele disse, sua voz firme. — Nós dois sabemos por que estamos aqui, e não é só pelo Vegas. É por mim também. Nabin sorriu de canto, inclinando-se para frente. — Oh? Finalmente resolveu aceitar quem você é, garoto? Pete riu, mas era um som vazio. — Quem eu sou? Você nunca me viu como nada além de uma peça no seu tabuleiro, não é? Um peão descartável no seu jogo sujo. — Os olhos de Pete queimavam. — Eu passei a minha vida inteira tentando entender por que meu próprio pai nunca me viu como um filho. Por que nunca fui suficiente para você. E agora eu entendo. Você não é capaz de amar ninguém além de si mesmo. Nabin estreitou os olhos, sua expressão ficando séria. — Amor? — Ele zombou. — Amor não tem lugar neste mundo, Pete. Amor enfraquece, cega. Você acha que eu teria chegado onde estou se me preocupasse com sentimentalismos? Pete se aproximou mais, sua raiva transbordando. — Você destruiu famílias, manipulou vidas, e agora acha que pode me dizer que amor não significa nada? Você só se importa com poder porque é a única coisa que você tem. Mas sabe o que é engraçado? Você está sozinho, Nabin. Tudo o que construiu, todas as suas alianças, nada disso significa nada. Porque ninguém realmente se importa com você. O silêncio que se seguiu foi pesado. Pela primeira vez, Nabin não tinha um sorriso nos lábios. Vegas observava tudo, percebendo algo que nunca tinha visto antes: Nabin estava desconfortável. Pete não estava apenas se libertando das correntes de um passado de mentiras, ele estava expondo Nabin pelo que ele realmente era—um homem vazio. Pete deu um passo para trás, sem desviar o olhar. — Eu não sou mais seu peão. E hoje, eu encerro esse jogo. Vegas apertou a arma em sua mão, pronto para dar o próximo passo. Mas agora, ele sabia que essa batalha não era apenas dele. Pete também tinha algo a acertar. Nabin deu um sorriso frio e inclinou-se para frente. — Vocês acham que vai ser assim tão fácil? — Sua voz era carregada de desprezo. De repente, portas laterais se abriram e capangas armados invadiram o ambiente, apontando suas armas diretamente para Vegas e Pete. O ar ficou pesado, a tensão quase sufocante. Vegas ficou tenso, não por ele, mas pelo Pete, que estava visivelmente assustado agora. Ele sentiu o corpo de Pete enrijecer ao seu lado, os olhos arregalados, a respiração acelerada. Nabin sorriu, satisfeito com a reviravolta. — Eu sempre estou um passo à frente, garoto. Agora, vamos ver quem realmente tem o controle aqui. — Ele se recostou na cadeira, saboreando o momento. Vegas trincou o maxilar. Ele precisava de um plano. Rápido. Ele olhou ao redor, analisando as saídas e a posição dos capangas. Sua mente trabalhava rápido. — Pete — murmurou, sem desviar os olhos de Nabin. — Confia em mim? Pete engoliu seco, mas assentiu. — Então, quando eu disser, se abaixe e corra para a saída à sua esquerda. Antes que Pete pudesse questionar, Vegas sorriu friamente para Nabin. — Você sempre achou que tinha o controle. Mas a questão é... eu também trouxe meus homens. — Ele levantou um dedo sutilmente. De repente, tiros ecoaram do andar de cima. O caos começou. Vegas agarrou Pete pelo braço e o puxou para trás de uma mesa enquanto os capangas de Nabin se espalhavam. Seus homens, posicionados no andar superior, começaram a disparar contra os inimigos, criando uma distração. — Agora, Pete! — Vegas gritou. Pete correu, desviando das balas enquanto Vegas sacava sua arma e começava a abrir caminho. O plano estava em ação, mas a luta estava apenas começando.
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